Indústrias Matarazzo: a maior empresa brasileira de todos os tempos- Parte III

A era de Maria Pia Matarazzo.

Escrito por : Pedro Paulo Galindo Morales.

Na década de 70 as empresas que já estavam em situação financeira delicada tem um novo comandante; a filha caçula Maria Pia Esmeralda Matarazzo, na época com 32 anos de idade, assume o ainda na época maior conglomerado empresarial nacional no país. Ao assumir o grupo põe em prática um plano que visa concentrar a empresa em ramos que na sua visão eram os principais ramos de atividade da Matarazzo, o papel, químico e alcool.

Faz uma reforma administrativa no grupo e inaugura uma fábrica de papel na fazenda Amália, destilaria de álcool, ácido cítrico e celulose de madeira, e começa a desativar antigas unidades que eram deficitárias, como o moinho de trigo do Brás. Em 1981, é vendido todo o setor têxtil da Matarazzo para a Cianê.

Maria Pia enquanto colocava em pratica sua reforma administrativa enfrentava uma disputa pelo controle da holding com seus irmãos ao mesmo tempo que na economia sofria as consequências de  duas maxidesvalorizações cambiais da economia, a de 1981 e a de 1983.

Em 19 de julho de 1983 o Grupo pede concordata para 27 empresas porem em dois anos a concordata foi suspensa após os valores das parcelas serem depositado judicialmente. Devido a grandes empréstimos contraídos e não saldados Maria Pia não pode prosseguir com seus planos de modernização, tem alguns prédios penhorados, tendo inclusive sido penhorado todo o conjunto industrial da S/A IRF Matarazzo, por este motivo não conclui um antigo projeto de abrir o capital das empresas na bolsa de valores.

Em 1986, as Indústrias Matarazzo de Óleos e Derivados se transferiam de Água Branca para Santa Rosa de Viterbo-SP  e em 1990 é desativado o complexo químico da Matarazzo em S. Caetano do Sul um dos ramos mais tradicionais do Grupo, em 1992 após ter ido à concordata mais uma vez, Maria Pia abre mão do controle das principais empresas do conglomerado como as Cerâmica Matarazzo, Matarazzo Papéis e Matarazzo Embalagens.

Em 1993 Matarazzo lança no mercado o primeiro sabonete light (suave) do Brasil, o Francis Light, com anúncios publicados em revistas com esse lançamento a empresa volta a experimentar um período de sucesso .  As Indústrias Matarazzo de Óleos e Derivados-IMODSA, localizada em Santa Rosa de Viterbo/SP, dentro da Fazenda Amália começam a fabricar vários produtos foram lançados os sabonetes Francis clássico, Francis light, Vilór e Savage e para marcar essa expansão lança Francis Premium, um sabonete hidratante, nas versões barra e em líquido, e também desodorantes.

Hoje a Matarazzo tem como administração direta sua fábrica de TNT (tecido-não-tecido) usado largamente na fabricação de toucas e aventais cirúrgicos e também para envolver o sabonete Francis. Tem também uma fábrica de embalagens especiais e arrenda usina de açúcar, fábrica de papel, papelão e embalagens, e detém ainda muitos terrenos onde ainda continuam de pé os antigos prédios.

Atualmente fabrica a linha  Vilór  que possui sabonetes com glicerina e muita perfumação em dois tipos: verde – floral refrescante e roxo – floral romântico. A linha ainda inclui desodorantes sem álcool – antitranspirante / roll on.  As Indústrias Matarazzo lançou 4 tipos de desodorante: laranja (pure), roxo (sensitive), preto (fresh) e cinza (sport). Atualmente, 4 mil toneladas de sabonetes saem das máquinas da Matarazzo que atualmente está operando com capacidade total,

José Eduardo Matarazzo Kalil filho de Maria Pia parece que vai recuperar parte dos tempos áureos do Grupo, administrando a Unisoap, criada para cuidar de toda a distribuição da linha Francis e que nada tem haver com as Indústrias Matarazzo a não ser por ter um contrato de terceirização com a indústria que há três décadas já fazia o Francis ele tem planos grandiosos para a Unisoap ser uma grande empresa no setor de higiene e limpeza e a maior fabricante de sabonetes do Brasil.

Sem duvida nenhuma as S/A Indústrias Reunidas F. Matarazzo-IRFM foram um marco único na história do desenvolvimento brasileiro.

            Noticiário de época e Fabrica Matarazzo abandonada

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22 respostas para Indústrias Matarazzo: a maior empresa brasileira de todos os tempos- Parte III

  1. Prezado Pedro Paulo:

    Como sempre essa idéia de “ressuscitar” velhas empresas brasileiras de sucesso é ótima e eu já demonstrei isso anteriormente. Porém, nessa reportagem de hoje algo me chamou a atenção: _ a notícia da concordata do Grupo Matarazzo foi divulgada aqui no RJ pelo Jornal do Brasil, outra empresa centenária que mereceria (talvez) uma matéria sobre sua bancarrota.
    Parabéns mais uma vez….grande abraço
    Julio Cesar

    • editor disse:

      Julio,
      Realmente a história do Grupo Matarazzo é muito legal, acho uma boa ideia fazer uma matéria com o Jornal do Brasil.

      Grande abraço
      Pedro Paulo

  2. Sr. Editor.
    O material sobre os times de Futebol de Salão da década de 1960 da A.A. Matarazzo ficaram onde?
    Estou escrevendo a história do Futebol de Salão e tive dois amigos que jogaram salão na Matarazzo.
    Um inclusive hoje é o Presidente da Federação Gaucha de Futebol de Salão.
    Poderia me ajudar.
    Waldevir Bernardo.
    E-mail: waldevir@gmail.com

    • editor do Site disse:

      Waldevir , infelizmente não tenho nenhum dado sobre os times da matarazzo porem acho que o Sr. Everton Calício pesquisador da família Matarazzo pode te ajudar segue o e-mail calicio@gmail.com.

      Obrigado pelo contato
      Pedro Paulo Morales

      • Caro Amigo Pedro Paulo.
        Muito obigado. vou entrar em contato com o Sr. Everton Calício.
        Um grande abraço e parabéns pelo atendimento.
        Waldevir – site dos boleiros da Água Rasa.

      • editor do Site disse:

        Obrigado , espero que você consigua as informações .

        Pedro Paulo

      • Valter disse:

        Prezado Pedro Paulo tudo bem?
        Meu nome é Valter Cavalheiro, tambem fiz parte da
        Industrias Matarazzo de Oleos e Derivados de 1991 até 2001 e em consequência tambem da Unisoap Cosméticos de 2001 até 2004. Para mim foi as melhores empresas que trabalhei. Fazia parte da area de suprimentos como comprador. Sinto muitas saudades daqueles tempos. Gostaria de saber de vc como faço para entrar em contato direto com a Sra. Maria Pia, pois preciso lhe pedir um grande favor.
        Aguardo sua resposta.

        At,
        Valter

      • editor do Site disse:

        Olá Valter, tudo bém, fico contente com seu contato. Infelizmente não tenho contato com a Sra. Maria Pia.
        Um Abraço,
        Pedro Paulo Morales

  3. Antonio Marcos Durando disse:

    Matarazzo: a empresa que mais deve a seus ex funcionários e não pagam!Caloteiros!

  4. Maria Dalva S. Ccastro disse:

    Oi…gostaria de fazer parte desta história, fui funcionária da Matarazzo Termoplástico, foi a melhor fase de minha vida, tenho saudades….e gostaria até hj. de poder fazer parte desta empresa, que ajudou muita gente, mas que infelizmente passou por uma crise, em que o Brasil todo sentiu e até hj. senti, e como nada eternizada…..uma hora se vai e uma hora acaba…infelizmente fizemos parte das fases boas e ruins…mas que valeu, fez parte da nossa vida..experiencia e história…..muito teremos que contar para quem quiser ouvir….qto as dificuldades quem nunca passou, um dia vai passar com certeza. Mas um fato é veridico que esta empresa ajudou muitas famílias…nas suas fases de crescimento…pena que os filhos/herdeiros, não se deram conta de tudo isto…mas…cada um sabe onde o calo aperta. Eu sinto muito pelos que não receberam….quem sabe um dia um milagre acontece…eu sinto muito mesmo por todos, pelos administradores e pelos funcionarios. Pois todos sairam perdendo com a falencia da empresa…Bjus no corações de todos

    • editor do Site disse:

      É legal quando lemos comentários como estes. Imfelizmente a situação não permitiu que o Grupo Matarazzo continuasse de pé, tem pessoas que reconhecem o sucesso apenas enquanto tudo vai bem, so apontam os erros que nesse caso foram muitos.
      Saudações,
      Pedro Paulo Morales

  5. ronaldo pistoresi disse:

    Ola, fui funcionario da imodsa em santa rosa de viterbo, fabrica de sabonetes hj desativada tambem, é uma pena!!!
    Tempos bons que não voltam mais, muitas saudades de todos.
    Grande abraço!!

    • editor do Site disse:

      Ronaldo,
      Obrigado por acessar o Blog Falando de Gestão, com certeza os tempos da Matarazzo foram muitos bons!
      Um abraço,
      Pedro Paulo Morales

  6. arnaldo r lima disse:

    procuro um comtacto com o dp ou ojuridico

  7. Everton disse:

    Prezados, a IRFM mantém um escritório central à Rua Joli, 273 no Brás.
    tel.: 2167-5000

  8. Antonio Benedito da Silva disse:

    Fui colaborador da Polynor S\A unidade fabril do grupo MATARAZZO em João Pessoa, hoje tambem falida. Esse tempo que passei por lá, foi considerado para min um tempo de ouro.

    • Eduardo Kalitin disse:

      Antônio, meu pai trabalhou na Polynor, chamava-se Leonid Kalitin e era subgerente, voltamos de 1974 para São Paulo, abçs

  9. aresio alves figueredo disse:

    Olá, bom dia a todos. tbm fui funcionario da Matarazzo entre 81/82 como vendedor de plásticos e espuma no rj.tudo ia bem, qdo fomos surpreendidos pela paralização.recebi meus direitos.só ficou o fgts (recursal) que a CAIXA se nega a pagar.gostaria de saber por onde andam meus colegas daqueles bons tempos.um país que tem memória não conta somente as glórias, mas toda a sua história, mesmo que não seja de final feliz.

  10. Gabriel Teixeira disse:

    Hoje tenho 28 anos e sempre fui apaixonado por historias de grandes empresarios, a algum tempo atraz venho lendo sobre os matarazzo, e é uma historia de tirar o chapeu e acho que o mesmo serviu de exemplo para outros empresarios Brasileiros, acho que o conceito de empresa familiar é muito interessante mas o que esta historia nos serve exemplo, que a frente de uma empresa temos que ter pessoas interessadas por tal.

  11. Trabalhei no Grupo Matarazzo, final da decada de 70 e início dos anos 80, no escritório Adm. localizado na rua joli, passei pelas áreas de Telecomunicações, Contabilidade e Sistemas (O&M). Tenho muitas saudades da Empresa e de todos os profissionais que conheci naquele local. Espero que essa nova Adm. consolide sua posição no mercado Nacional e seja novamente uma referência.

  12. As Industrias Matarazzo é 01 exemplo clássico que quando passamos o controle aos familiares, nunca deve ser por empatia e sim por capacidade gerencial, pois enquanto a empresa está no auge, plenitude, num ambiente favorável, desconhecemos o verdadeiro timoneiro, aquele que sabe o rumo a seguir, diferentemente quando em uma tormenta/crise financeira.

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