Coroa Brastel: Uma história de sucesso que acabou mal

Por Pedro Paulo Galindo Morales

Assis Paim Cunha nasceu na cidade de Vassouras em 1928, foi um ex-vendedor da rede Ponto Frio, que sempre buscou entender o comportamento dos mercados das classes B e C. No começo da década de 70 sentiu-se experiente o suficiente para abrir seu próprio negócio. Assim, fundou a Brastel, a partir da fusão das lojas Cobrás e Telegeo formando as lojas Cobrás Telegel Artigos Domésticos S.A e em 10 anos Assis Paim criou um dos maiores grupos empresariais do país. Paim chegou a ser um dos homens mais ricos e influentes do Brasil seus bens pessoais eram compostos por mais de 2 mil imóveis, uma fazenda de 80 mil hectares no Pará e uma área de 33 mil quilómetros quadrados, perto de Angra dos Reis, que se estendia até o pé da Serra da Bocaina.

Da união da Cobrás e Telegel formou-se o braço comercial do grupo liderado pelas Lojas Brastel (Móveis e eletrodomésticos), Brascasa (Materiais de Construção) e Brastel Feijão com Arroz (Supermercados Populares) na época uma poderosa rede com 250 lojas em seis estados brasileiros, com 12 mil empregados reunidas na SNCI-Sociedade Nacional de Comercialização Integrada Ltda.

No campo da publicidade as Lojas Brastel eram agressivas e popularescas seu slogam era “Na Brastel, tudo a preço de banana!” tornou-se conhecido através das  propagandas em jornais, radio e televisão.

Modelo de Propaganda em Jornais

O braço financeiro o grupo era composto pela holding Coroa Administração e Participações S/A, Coroa S.A. Crédito, Financiamento e Investimento , Coroa Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. Banco de Credito Comercial S./A., Banco de Investimentos Coroa S.A. Serco Serviço de Crédito, Cadastro e Cobrança LTDA e Sopro Sociedade de Processamento de Dados LTDA. , o grupo estava presente também na área de serviços e agroindústria formando no total um grupo de mais de 30 empresas que faturava US$ 1 bilhão por ano. Em 1983 O Grupo Coroa Brastel era classificado na 40º posição ente os conglomerados privados nacionais e tinha uma presença muito grande no estado do Rio de Janeiro e em mais 5 estados.

Suas lojas vendiam bem, o avanço das lojas de departamentos estava acabando com as pequenas redes familiares de eletrodomésticos, preocupando os fabricantes nacionais as multinacionais fabricantes de eletrodomésticos viam nele a tábua de salvação. Concederam então empréstimos para que comprasse lojas quebradas, pagando em dois anos com juros abaixo do mercado. Assim, teve início a grande expansão do grupo Coroa-Brastel no ramo do comércio.

O negócio desandou em 1981, quando Paim comprou a Laureano Corretora endividada por imposição do governo que em troca ofereceu a Paim, para ficar livre de limitações impostas ao financiamento de compras a prazo na Brastel. Para absorvê-la, montou uma operação onde um empréstimo obtido junto a Caixa Econômica Federal seria utilizado no reforço de capital de giro do grupo e no plano de expansão da Brastel, porem esse dinheiro foi usado para quitar as dividas da Laureano. Para pagar o empréstimo com a CEF a Coroa começou a emitir letras de cambio sem lastro financeiro (vendas de eletrodomésticos, por exemplo) para financiar-se. Logo se descobriu que ele pagava juros muito acima dos de seus concorrentes e o mercado financeiro começou a desconfiar da prática e a Coroa começou a ter dificuldade para vender esses titulos, pois enquanto o mercado pagava 150% ao ano a Coroa pagava 250% e para cobrir esse rombo era emitido cada vez mais letras frias impressas nas dependências da financeira  , agindo dessa maneira sua situação financeira ficou periclitante.

Capa da edição 788 de 12/10/1983

Em 27 de Junho de 1983 o Banco Central interveio na Coroa S.A. Crédito, Financiamento e Investimento e se viu o maior escândalo financeiro de todos os tempos cerca de 34.000 credores foram lesados o que equivaleria a cerca de R$ 250 milhões.

Com a falência do seu braço financeiro o Grupo Coroa Brastel foi deixando de pagar os fornecedores e bancos o que acarretou vários pedidos de falência.

Na época do escândalo dois grupos se interessaram pelas Lojas Brastel,o Grupo Pão de Açúcar e o extinto Grupo Fenícia (Lojas Arapuã) mas a negociação não evoluiu devido a situação complicada do grupo.

A liquidação do grupo empresarial Coroa-Brastel se prolongou por mais de duas décadas, Assis Paim Cunha passou levar uma vida modesta enquanto se dedicava a provar que provar que a intervenção no seu grupo foi motivada apenas por pressão política de seus inimigos.

Em 22/10/2008 morre Assis Paim Cunha vitimado por ataque cardíaco em casa ele se tornou um caso único: o de ex-empresário brasileiro que perdeu a empresa e ficou realmente pobre conseguindo quitar os débitos de sua rede de eletrodomésticos porem os 34 mil investidores prejudicados na quebra do Coroa jamais tiveram seu dinheiro de volta, pois ele afirmava que a responsabilidade era também do Banco Central.

Referencias

http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL832463-5606,00.html

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/13860_PAIM+RICO+NOVAMENTE

Revista Veja – Edição 788 de 12/10/1983 – Acervo Digital.

Pesquisas em Sites da Internet.

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9 respostas para Coroa Brastel: Uma história de sucesso que acabou mal

  1. profigestao disse:

    Pedro paulo….

    Como sempre, essas matérias fazem o maior sucesso por aqui.
    Parabéns por mais esse excelente conteúdo informativo.
    Grande abraço

    Julio Cesar

    • editor do Site disse:

      Julio, obrigado! Acho muito legal fazer essas matérias, hoje adquiri três volumes da coleção História Empresarial Vivida e vem muitas novidades por ai !
      Um grande abraço,
      Pedro Paulo

  2. José Dantas Pereira disse:

    Olá sr Pedro Paulo, gostaria de saber se há algo concreto a respeito para quem perdeu no investimento, pois hj tenho 81anos e nada sei. Caso o sr saiba de algum fato novo em relação a este processo, ficaria muito grato se pudesse me informar se tem possibilidade de um dia a gente ganhar. Moro em Belém-Pa e pouco tenho acesso. Hj por curiosidade de meu genro ele viu esta matéria.
    José Dantas

    • editor do Site disse:

      Sr. José,
      O que sei é que o Sr. Assi Paim morreu e não deixou patrimonio, de acordo com reportagens acho difícil a recuperação de uma parte do dinheiro.
      Quem sober de alguma informação favor envia-la atravez deste espaço.

      Pedro Paulo Morales

  3. pedro benet disse:

    Sugiro assistirem esta entrevista do empresário ASSIS PAIM CUNHA e tirarem suas próprias conclusões: http://vimeo.com/38294643

    • editor do Site disse:

      Pedro, obrigado pela contribuição, realmente vale a pena assitir essa entrevista que so vem enriquecer o artigo e proporcionar novas informações.
      Pedro Paulo Morales

  4. Trabalhei na Lojas Brastel, foi a melhor empresa em qual trabalhei, sempre respeitou seus funcionários e os incentivava como nunca.
    Mesmo depois de falida manteve o máximo possível o compromisso com seus funcionários. Foi a única empresa da qual fiquei muito triste quando sai (sai quando ela fechou de vez, até o ultimo dia).

  5. Giovane disse:

    Tenho muita pena do Assis Paim. Deus não precisará perdoá-lo de nada, pois foi o único que pagou pelo erro dele e pelo erro de dois ministros. Talvez ele tenha cometido um pecado nesta história toda: acreditar e confiar em nossos queridos e honestos políticos e no generoso Banco do Brasil. Pelo menos ele pagou tudo o que devia, saindo deste processo com 100 mil reais. Só morreu rico, porque conseguiu vender um terreno à prefeitura do Rio, e por 7 anos conseguiu botar a mão em 15 dos seus outrora 200 milhões…(depois que o grupo foi liquidado e o processo terminou). Coitado! Foi condenado 8 vezes à prisão. Um homem velho, diabético, cardíaco e quase inocente! A câmara, porém, não permitiu que Delfin Neto fosse processado. O BB nunca pagou os investidores e nunca liberou os ativos de Assis Paim para pagá-los.

  6. assista a uma reportagem antiga do ferreira neto onde o sr assis paim da uma explicação bem resumida, porem detalhada dos fatos

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