Mesbla, prazer em servir.

maio 17, 2012

Loja Mesbla localizada na Rua do Passeio -RJ

Por Pedro Paulo Galindo Morales

Conheça a história da Mesbla uma das maiores empresas do Brasil que não soube entender as mudanças do mercado e corrigir sua estratégia empresarial foi um império de 180 lojas que vendia de botões a aviões e acabou falindo em 1999.

A Mesbla nasceu em 1924, no Rio de Janeiro como sucessora da filial de uma empresa francesa chamada Mestre & Blatgé S.A. que desde 1912 importava maquinas, equipamentos e automóveis e era administrada pelo francês Luiz La Saigne.

Em 1924 Saigne nacionaliza a empresa com o nome de Sociedade Anônima Brasileira Estabelecimentos Mestre et Blatgé, e em 1939 passou a denominar-se Mesbla S.A quando a empresa agregou nova atividade: a representação dos aviões Douglas. A nova denominação era uma combinação das primeiras sílabas do nome original, que foi sugerida pela secretária do Sr. Luiz La Saigne, Izaura, por meio de um concurso interno.

A filha mais velha de La Saigne casou-se com Henrique de Botton que após a morte de Luiz La Saigne assumiu a presidência, sendo sucedido pelo seu filho André de Botton que em sua gestão, transformou a Mesbla na maior rede de lojas varejistas do país.

Foi em 1952, dois anos após a chegada da Sears a o país, que a Mesbla abriu sua primeira loja de departamentos, no prédio da Rua do Passeio, no centro do Rio de Janeiro. A diversificação de atividades nas décadas de 60 e 70 transformou a Mesbla em uma das maiores empresas do país.

Na Mesbla se podia comprar um carro com cartão de crédito. Fonte: Reclames do Estadão

Em 1980, ela ocupava o primeiro lugar entre as Maiores e Melhores, da revista Exame, e detinha a liderança do comércio varejista de não alimentos do país.

Nesta época a Mesbla tinha quase 140 pontos de venda que eram distribuídos da seguinte forma 45 lojas de departamentos, 47 da Divisão Veículos (automóveis, caminhões e ônibus e motocicletas), 26 da Divisão Móveis e 15 Divisão Náutica. Suas lojas empregavam 28 mil pessoas, com áreas raramente inferiores a 3 mil metros quadrados e sempre eram pontos de referência nas cidades onde a Mesbla se fazia presente como por exemplo a Mesbla da Rua do Passeio no Rio de Janeiro ou a Mesbla da Avenida do Estado em São Paulo.

Em suas lojas, compravam-se do sapato, perfume, televisores, joias, lanchas e automóveis seus funcionários diziam que a Mesbla só não vendia caixões funerários.

Etiqueta da linha de roupas Tucano exclusividade Mesbla-Fonte mesbla.blogspot.com

Em 1985, nova reformulação pôs fim às seções de móveis e eletrodomésticos de grande porte. Um novo período de crescimento veio a seguir: em 1986, inaugurou mais 47 lojas (totalizando180 filiais do grupo) e comprou 20% do capital do Makro Atacadista Ltda. Entrando assim no segmento de alimentos. Começou também  a investir na valorização de suas marcas de vestuários: Mr.& Mrs. Baby, Folia, Bazooka, DanielHechter, Tucano e, especialmente, Alternativa, para jovens, com o patrocínio de shows derock e atletas, o vestuário representava, então, 50% das vendas.

A Mesbla atuou também no comércio internacional, tinha filial em Nova York. Dentre os vários negócios realizados pela Mesbla Comércio Internacional S.A., um teve um maior destaque, foi à venda de 60 mil caminhões à China, no valor de 900 milhões de dólares.

O Grupo Mesbla era formado pelas empresas Mesbla Holding S.A, Mesbla Lojas de Departamentos S.A., Mesbla Móveis S.A, Mesbla Automóveis S.A., Presta Administradora de Cartões de Crédito S.A., Brazfabril S.A. Indústria e Comércio, Mesbla Financiadora S.A, Mesbla Comércio Internacional e a Mesbla Seguradora S.A além de uma participação de 36% no capital da Makro Atacadista S.A.

Cartão Mesbla: Todos queriam possuir um.

Na década de 90 os problemas começaram. A sua estrutura de comando que contava com 40 diretores, o que deixava as decisões lentas. No final da década de 90, a diretoria, acreditando que o país caminhava para uma hiperinflação, começou a estocar mercadorias em excesso e passou a contar basicamente com recursos gerados por sua financeira.

A vinda de grandes empresas estrangeiras para o Brasil conquistou a clientela de melhor poder aquisitivo, que procuravam novidades. Isso aliado a facilidades de crediário, proporcionado com criação de cartões de crédito próprios, fizeram com que a concorrência fosse intensificada.

Do outro lado havia a concorrência com os hipermercados que vendiam confecções, eletrodomésticos, bazar e móveis em bairros mais afastado do centro o que fez com que os consumidores ficassem mais próximos de casa e não fossem com tanta frequência as lojas da Mesbla, que geralmente ficavam no centro da cidade. Outro fator que contribuiu para as dificuldades de mercado foi o desenvolvimento dos shoppings centers, pois ao mesmo tempo em que a Mesbla era uma das lojas mais requisitadas como loja ancora, pois atraiam clientes para os shoppings centers a empresa começou a perder espaço para as lojas especializadas que ofereciam variedade de produtos aliados a um atendimento mais qualificado.

Em 1997, com dívidas superiores a um bilhão de reais, a Mesbla pediu concordata motivada por uma combinação de juros altos, aperto de liquidez e queda nas vendas. No mesmo ano, o controle acionário da Mesbla foi vendido ao empresário Ricardo Mansur, que arrematou 51% das ações por 600 milhões de reais, além de assumir a dívida fiscal de 350 milhões de reais da concordatária. Nove meses antes Mansur havia comprado às lojas do Mappin, tradicional empresa de varejo paulista. Sua intenção era fazer a fusão das duas empresas, torná-las rentáveis e revendê-las com lucro.

Mesbla

Na tentativa de salvar a Mesbla e o Mappin, Mansur colocou à frente das empresas o executivo João Paulo Amaral ex-superintendente das Lojas Americanas. Dois anos depois, a situação da Mesbla-Mappin era desesperadora, a falta de dinheiro no caixa era o mais grave, os atrasos do pagamento de fornecedores, era crônico, ao mesmo tempo começou uma série de pedidos de falência, além de ameaças de despejo em todos os shoppings onde as lojas exibiam suas marcas.

Mansur mobilizou os colaboradores, eles foram incentivados a realizar uma passeata com o objetivo de pressionar o BNDES a ceder um empréstimo de R$ 102 milhões, que seria usado como capital de giro. Outra intenção era valorizar a Mesbla, para atrair a atenção de grupos estrangeiros. A rede de varejo norte-americana JC Penny demonstrou interesse na rede de lojas, mas acabou fechando negócio com as Lojas Renner de Porto Alegre.

Em 1999 sem salvação, a empresa fechou as portas deixando muitas dividas trabalhista e com fornecedores, porém o seu nome continou forte entre os consumidores.

A volta da Mesbla como a loja da mulher.

A empresa Telemercantil firmou um acordo com o empresário Ricardo Mansur que embolsará royalties mensais pelo uso da marca Mesbla, para vender maquiagens, roupas e acessórios para o público feminino, pela internet mas não acabou dando certo devido à briga entre os sócios da empresa.

 Na época houve mais de sete milhões de usuários cadastrados no Site da Mesbla como possíveis clientes. Esse episódio mostrou o quanto a marca Mesbla é prestigiada pelos consumidores brasileiros, pois mesmo com seus problemas a empresa sempre teve o prazer em servir

Referencias:

Wikpédia, Revista Exame , Isto é Dinheiro ,Pesquisas realizadas em blogs e sites da internet e http://Www.mesbla.blogspot.com


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