As Tragédias de Ano Novo no Rio e São Paulo

Por Alberto de Castro

Janeiro chegou e com ele mais uma vez as notícias tristes, desesperadoras e repetidas de mais uma tragédia nos estados do sudeste, desta vez: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

No ano de 2010 viveu-se a mesma situação no Rio de Janeiro (Angara dos Reis) e São Paulo. Casas destruídas, famílias dilaceradas, clamor da mídia. Em 2008 vimos a destruição de enormes áreas residências em Santa Catarina, mesmo clamor.

A realidade de todas estas tragédias são as perdas da população, materiais e infelizmente imateriais via mortes que poderiam ter sido evitadas.

Nestes eventos o que assistimos é o de sempre.

Cobertura diuturna da mídia com exploração das cenas mais chocantes e das reportagens de vítimas apelativas, âncoras saindo dos estúdios refrigerados e atuando na área da catástrofe, tudo em nome da audiência.

Autoridades, prefeito, governador e até presidente da república, em visita às áreas devastadas, explicando o injustificável e repetindo o lengalenga de sempre: “a tragédia se deu pela ocupação de encostas de morros, de APP (Área de Preservação Permanente), urbanização de terrenos inadequados, etc…” e finalmente prometendo liberação de recursos do FGTS e de financiamentos para os atingidos, e verba extraordinária para a recuperação das áreas destruídas. Nas casas legislativas, os discursos de sempre: solidarização com as famílias das vítimas, a oposição responsabilizando o gestor de plantão pela tragédia e a situação defendo a “tese” de que o problema é secular e para sua solução serão necessários vários anos.

A população e as empresas se mobilizam criando pontos de coleta de donativos que no primeiro momento vão para as vítimas, mas passado o clamor geral ficam armazenados no fundo de um armazém qualquer e até são usados indevidamente, virando fonte de recursos, pelos “espertos” de sempre.

E o resultado disto tudo sempre tem sido ações intempestivas e pontuais que atuam apenas e tão somente nos efeitos e por isso se transformam em desperdiço de recursos públicos.

As autoridades nunca admitiram que a ocupação indevida de encostas e APP se dá pela conivência das mesmas, algumas por métodos populistas, outras por interesse pessoais e de votos a cada quatro anos. O ministério público em nenhum momento exigiu o cumprimento da lei que preserva as APP. As casas legislativas até então não se posicionaram firmemente apresentando projetos e emendas ao orçamento para a remoção da população das áreas de risco e cumprindo seu papel de fiscal do erário público.

A imprensa jamais fez o mea-culpa, quando invariavelmente ao passar o clamor popular que lhe gera audiência e venda de jornais e revistas esquecem os fatos registrados e abandonam a população até a próxima tragédia. Não há um acompanhamento das soluções para solução dos problemas nem tão pouco do cumprimento da palavra empenhada pelas autoridades municipais, estaduais e federais.

A sociedade organizada através de suas entidades de classe (OAB, IAB, CREA, etc..) não se posicionam nem mesmo durante as tragédias quanto mais na apresentação de propostas para, no mínimo, a mitigação dos problemas e suas causa seculares.

A população tão menos tem exercido seu poder cidadão, limitando-se a oferecer ou aceitar a ajuda momentânea durante as tragédias. A população brasileira tem pensado sempre no agora, não tem sentimento nem propostas para o curto, médio e longo prazos, e continua a chorar a dor e desgraça de cada sinistro climático ou de outra procedência e nada de trabalhar a prevenção de acidentes.

Nos últimos tempos todos têm apresentado como o grande vilão: a chuva e o badalado movimento de mudanças climáticas e aquecimento do planeta.

O real legados destes eventos de crise e sofrimento da população brasileira é que nunca aprendemos com os erros passados, os erros cometidos por autoridades e população são exemplos apenas para ser repetidos e chorados, até quando não sabemos, mas certamente haverá um dia em que a vida terá um novo valor e uma nova dimensão!

http://nossascidades.wordpress.com

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