Mudanças

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas feiras

EMPRESAS E CIDADES EM TRANSIÇÃO

Há alguns momentos em que os gestores de uma empresa precisam pensar em mudar ou apenas ajustar alguns pontos de sua organização interna ou hábitos dos seus colaboradores para, por exemplo, melhorar a produtividade, o clima do ambiente de trabalho, a imagem da organização e até (muitas vezes) diminuir seus gastos. Mas há um fato: quase sempre, as mudanças irão provocar uma reação de resistência entre alguns entes corporativos. Uns com menos e outros com mais intensidade.

Por exemplo, o simples fato da empresa anunciar a extinção dos copos plásticos para o cafezinho e a água pode causar um grande alvoroço entre os colaboradores. E acredite, isso é muito comum. Eu mesma fui testemunha de situações de resistência coletiva em empresas diferentes, nas quais, em cada uma delas, mais de 200 copos plásticos iam ao lixo por dia. Se uma pequena mudança como essa é difícil dentro de um ambiente de trabalho, imagine propor uma grande mudança para uma cidade inteira.

Uma experiência inglesa

Totnes é uma pequena cidade no Sudoeste da Inglaterra com pouco mais de 8 mil habitantes. Com cara de vilarejo europeu, ela tem igrejas e um castelo medievais, mercadinhos com verduras e frutas frescas, cafeterias com vasinhos floridos na fachada e, lógico, aquele ritmo quase preguiçoso de uma localidade rural. Mas Totnes não é somente isso. Nem mesmo parou no tempo em algum lugar do passado.

Pelo contrário. Há aproximadamente seis anos, essa pequena cidade britânica do condado de Devon foi pioneira em um ambicioso movimento global chamado Transition Towns (Cidades em Transição), sob liderança do acadêmico inglês Rob Hopkins, que implicaria na mudança no modo de vida de toda a população. O objetivo do movimento, que já contagiou muitas outras localidades mundo a fora (inclusive o Brasil), é fazer das cidades economias de baixo carbono e autossuficientes (em energia e alimentos) até 2030. Ainda há 19 anos pela frente, mas em Totnes as mudanças já começaram.

QUAIS AS LIÇÕES TIRAR?

1 O contrário do caso do copo de plástico que citei anteriormente, o desafio da mudança em Totnes, de modo geral, foi muito bem aceito na cidade. Isso porque seus habitantes o encararam de forma bem positiva. Afinal, trata-se de uma mudança que visa fortalecer o mercado interno local e diminuir a emissão de gases estufa na atmosfera e, assim, contribuir para o adiamento dos efeitos nocivos do aquecimento global. Hoje, por exemplo, há coleta de lixo seletivo em toda a cidade, o incentivo ao consumo de muitos produtos locais, bem como verduras e frutas orgânicas, e até uma moeda local (Totnes Pound ou Libra de Totnes) aceita em muitos estabelecimentos comerciais. De olho na melhoria de vida da coletividade, a maioria dos moradores da cidade aceitou o desafio de mudar seus hábitos de consumo.
Trata-se de uma mudança cultural, que vem mexendo com toda a organização da cidade, sem grandes traumas à população. Isso está sendo possível em Totnes e também pode ocorrer dentro de uma empresa. O gestor precisa saber antes de tudo que o colaborador não precisa gostar de todas as mudanças, mas sim compreender seus objetivos. Neste caso, cabe a ele, como líder, indicar aos colaboradores os “porquês” das mudanças de maneira clara e persuasiva. Assim como fizeram os gestores do Transition Towns em Totnes. Afinal, assim como os gestores, os colaboradores também querem ver seus esforços se transformarem resultados finais positivos. Para si e para a empresa..

Você pode conhecer mais um pouco do movimento Transition Towns no site (em inglês) http://totnes.transitionnetwork.org. Também há varios projetos sendo tocados no Brasil, que você pode conhecer no site http://transitionbrasil.ning.com. Além de servir de exemplo para as empresas, o movimento pode ser apresentados também aos municípios cearenses. Que tal levar essa ideia para a sua prefeitura?

HORA DO CAFEZINHO…

2 Que tal trocar os copinhos de plástico do café e água por um de vidro ou porcelana? Já imaginou a quantidade de lixo que uma empresa produz somente na hora do cafezinho? Lembre-se que a reciclagem ainda não é um mercado avançado no Brasil e que o plástico demora mais de 200 anos para se decompor na natureza. Divulgue essa ideia entre seus colegas.

FIQUE POR DENTRO

4 Se seu chefe lhe propor um job rotation, não se preocupe. Ele não está lhe demitindo, apenas lhe propondo mudar de função dentro da empresa para você adquirir mais experiência e novos conhecimentos em setores diferentes dentro da corporação.
Sandra Nagano

Jornalista da área econômica

Fonte: O Povo Online

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