Fardo pesado

Por Israel Araujo

O brasileiro trabalha quase 5 meses do ano só para pagar tributos. É esse o peso da carga tributária do Brasil, 36% do Produto Interno Bruto. Empresários e trabalhadores têm 36 centavos retirados, em média, pelo Governo, de cada real que conseguem produzir. O simples fato de que isto é uma média já é dramático. Imagine quem fica na ponta de cima. E pior: imagine quem fica na ponta de baixo. Alguns representantes da política até levantam a bandeira da reforma tributária em tempos de eleição, mas logo se deixam levar pelas rotinas e amarras políticas dos seus cargos. Parece até que esquecem que a cidadania começa e termina nas questões do dinheiro público que, mal aplicado, incha a estrutura da administração pública sem resultados proporcionais.
Países de primeira linha, no topo da lista dos mais desenvolvidos, como Dinamarca, Suécia e Noruega, têm carga tributária maior que a nossa. Mas ela é aceitável, porque a qualidade dos serviços públicos, o estágio do desenvolvimento e a distribuição de renda a justificam. Não é o nosso caso. A sonegação, que no Brasil tem um altíssimo índice, talvez seja uma das justificativas dessa injusta carga tributária. Nosso sistema tributário é complexo, forçando empresas a suportar pesadas estruturas para manter-se em dia com suas obrigações fiscais burocráticas.
Ninguém se declara satisfeito. Nem municípios, nem Estados. A União não considera a arrecadação adequada e suficiente. O empresário, nem se fala. O trabalhador, pior ainda. Todos querem e precisam de reformas. Como solucionar um problema em que é preciso reduzir (carga) para aumentar (arrecadação) e, ao mesmo tempo, aumentar (arrecadação) para reduzir (carga)? Uma coisa é certa: o maior peso da carga tributária incide sobre o consumo; o segundo mais alto sobre a renda. A soma das duas atinge praticamente noventa e cinco por cento da arrecadação total de tributos no Brasil. No caso da relação do trabalhador com o empresário, colocam-se entre eles os encargos trabalhistas, pensados, definidos e implantados (em geral) há mais de sessenta anos. Também cabe perguntar: Haveria mais empregos e melhores salários se os encargos do empregador fossem menores? Afinal, a quem interessa toda essa sobrecarga?

Email: israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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