Como lidar com os Ys

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas feiras.

INDIVIDUALISTAS?

Na última semana, recebi um e-mail interessante do leitor Narcélio que questiona, entre outras coisas, essa necessidade da geração Y em priorizar a autorrealização pessoal. Segundo ele, a revelia da coletividade dentro da empresa. De fato, essa geração, hoje com idades aproximadas entre 19 e 33 anos, vem demostrando que a satisfação pessoal está no topo de suas prioridades. E isso vem sendo constatado cientificamente.

Um exemplo é a pesquisa da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo, desenvolvida pelos acadêmicos Carlos Honorato, Ana Costa e Miriam Korn. O estudo revelou que 99% dos Ys entrevistados querem, antes de tudo, se manter em atividades que realmente gostam. Quase a totalidade dos entrevistados também respondeu na pesquisa que o objetivo principal do trabalho é a realização pessoal. E se essa demanda não for atendida, os Ys partem para novos desafios, sem medo de jogar tudo ao alto.

QUEM DEVE SE ADAPTAR?

Bom Narcélio, a entrada desses caçulas no mercado de trabalho é uma realidade desenfreada. Bem como, também é verdade que hoje eles convivem dentro das empresas com, pelo menos, outras duas gerações: os Baby-Boomers (com idades entre 65 a 47 anos) e os Xs (46 a 34 anos). E isso, de fato, vem gerando alguns atritos, que quase sempre estão associados com a necessidade da geração Y de ter uma relação de trabalho mais horizontal (com a diretoria e outros colaboradores) e sua ansiedade de obter, de maneira imediatista, resultados positivos e crescimento profissional.

Quem deve se adaptar a essa realidade e evitar que atritos tornem-se em grandes conflitos? Eu diria que é o líder – seja qual for a sua geração. É claro que é preciso haver respeito mútuo entre todos os entes corporativos, mas o líder tem um papel fundamental para evitar desgastes entre as gerações dentro da empresa e garantir resultados satisfatórios para a companhia. Afinal, colaboradores de todas as três gerações têm muito a agregar em termos de conhecimento e experiência.

LIDERANÇA

Antes de tudo, para lidar com esses conflitos, o líder precisa ser claro em todos os aspectos. Nunca seja reticente em suas colocações. Procure incentivar sua equipe, mas lembre-se que cada geração tem suas necessidades. Outro ponto importante, procure conhecer seus colaboradores. Para isso você pode criar uma rotina periódica de feedbacks presenciais e dizer sua expectativa em relação cada grupo de colaboradores. Mas não fale sozinho, ouça também o que eles têm a dizer. Também é interessante realizar atividades que promovam a interatividades entre entes das três gerações. Esses podem ser os primeiros passos para fazer com que BBs, Xs e Ys estejam mais motivados dentro da empresa.

Se você líder ainda está assustado com a ansiedade e o imediatismo da geração Y, se prepare, pois dentro de alguns anos, o mercado de trabalho será invadido pelos seus sucessores: os Zs, nascidos em meados dos anos 90. Estes, talvez, serão muito mais ansiosos e multitarefas que os Ys. Por isso, os líderes precisarão, desde já, se preparar para o futuro. Afinal, impossível parar esse processo ou manter velhas práticas em um mercado tão dinâmico. Bom, mas isso é assunto para outra coluna.

O QUE DIZEM OS Ys PELO MUNDO

Tenho conhecido muitos jovens de várias partes do mundo, que ansiosos, querem chegar capacitados ao mercado de trabalho. A partir de hoje, vou trazer o que pensam alguns Ys estrangeiros e quais suas expectativas em relação ao mercado de trabalho de seus países. Vocês vão notar que são pensamentos muito semelhantes aos dos Ys brasileiros. Para começar, conversei com a russa Sandra Schestakow, 23 anos, que pretende se inserir em uma grande corporação. Talvez em uma empresa global, assim como sua identidade: apesar de ter nascido na Rússia, ela cresceu na Alemanha junto à mãe lituana e o pai cazaquistanês. Além de saber falar em alemão e russo, ela está concluindo agora seus estudos de inglês na Inglaterra. Mas ela acha que precisa aprender outros idiomas. Quando voltar para Alemanha, ela também pretende fazer um curso de Negócios e Economia. Veja o que ela diz sobre o mercado de trabalho no seu país atual (Alemanha):

”O ano de 2008, quando começou a crise econômica, foi um período terrível para todos os trabalhadores da Alemanha, tanto para os jovens quanto para os mais velhos. Mas o mercado está melhorando. O problema para os jovens hoje é que as grandes empresas alemãs estão procurando pessoas já com experiência profissional e que tenham conhecimento de outros idiomas como inglês, francês, espanhol, italiano e até russo. Isso porque as empresas alemãs mantém relações com vários países. Agora, são os chineses que estão chegando ao nosso mercado. Se você estuda a área de business e quer se inserir neste mercado, vai ter que saber chinês também! Bom, mas os contatos também são importantes para se inserir em uma grande empresa na Alemanha. Muitas vezes, mesmo capacitado, não importa quem você é, mas que você conhece”.

Sandra Nagano

nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo On Line


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