Indústrias Matarazzo: a maior empresa brasileira de todos os tempos- Parte I

Francisco Matarazzo

O Fundador do Império

A era de Francesco Matarazzo.

Escrito por Pedro Paulo Galindo Morales

Era o ano de 1881 e desembarcava no Brasil vindo da Itália Francesco Matarazzo, um imigrante como tantos outros que vieram de seu país de origem, trazia na sua bagagem uma tonelada de banha de porco comercializar no Brasil, mas infelizmente  afundou com a embarcação que levava a carga do navio, pouco antes de chegar no Porto do Rio de Janeiro.

Sozinho e com pouco dinheiro no bolso Francesco decide procurar seu amigo Fernando Gradino que vivia em Sorocaba interior de São Paulo para lhe dar uma ajuda e modestamente começou a revender linguiça nas ruas da cidade que por coincidência também abrigou o menino Antônio Pereira Ignácio que foi um dos fundadores do Grupo Votorantim.

Francesco trabalhou muito e com poucos meses abriu uma mercearia que vendia de tudo e se a clientela pedia alguma coisa ele anotava e tratava de arrumar um jeito de ter a mercadoria, concidentemente o produto que fazia mais sucesso em sua mercearia era a banha de porco que importava de outras regiões.

Francesco era um homem visionário e inquieto e vendo o sucesso que fazia a banha de porco decidiu fabricar o produto através de um método muito simples um caldeirão no fundo do quintal para derreter a banha dizia aos seus amigos que “O segredo está na compra e não na venda”,     barateou a produção quando decidiu comprar quase todos os porcos da região, mais tarde passou também a enlatar o produto o que permitiu que as vendas crescessem mais ainda.

Em 1890 decidi expandir mais ainda seus negócios e partiu para a Capital de São Paulo Francesco já tinha trazido da Itália seus irmãos e sua esposa,

Moinho Matarazzo, em 1900
Moinho Matarazzo, em 1900

quando a farinha de trigo faltou no Brasil ele conseguiu um empréstimo para construir um moinho de trigo em São Paulo, o Moinho Matarazzo,

Em 1920 inaugurava o complexo industrial da Agua Branca em São Paulo onde instalou em uma área de 100 mil metros quadrados, empresas como serraria, refinaria, destilaria, frigorífico, fábrica de carroças, de sabões, perfumes, adubos e inseticidas, velas, pregos, vilas operárias, armazéns, banco, distribuidora pioneira de filmes, fábrica de licores, que funcionavam com a energia de uma usina própria. O logotipo das Indústrias ReunidasFábricas Matarazzo, criadas em 1911, trazia o lema “Fé-Honra-Trabalho” escrito em latim.

Logotipo
Fé-Honra-Trabalho

O empresário tinha ainda  uma esquadra particular de navios, um terminal exclusivo no porto de Santos e duas locomotivas para transportar mercadorias no pátio da sede do complexo industrial, em São Paulo suas empresas tinham um faturamento equivalente na época à arrecadação de São Paulo, o Estado mais rico da País , hoje nenhum dos conglomerados nacionais conseguiria igualar Matarazzo na década de 30, o jornalista Assis Chateaubriand definiu o império do conde como o “Estado Matarazzo”, o empresário chegou a ter no seu império 365 fabricas na época diziam que era uma para cada dia do ano.

Paralelo ao desenvolvimento de suas empresas, o Francesco Matarazzo também era um homem que pensava nas pessoas tanto que foi durante vários anos se engajou na construção e manutenção do Hospital Matarazzo que foi até 1993 um hospital de referencia para a colônia italiana. Matarazzo também construiu a Casa de Saúde Ermelino Matarazzo em 1925 junto com estas doações de equipamentos e material dizia a seguinte frase “Para que o preço da saúde dos ricos reverta em benefício da saúde dos pobres”. Mais tarde esses hospitais se transformariam em Sociedade Beneficente Hospital Umberto Primo, que era de controle da família e se mantinha com as doações do Grupo Matarazzo e convênios Governo do Estado de São Paulo e o convênio com o Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) e posteriormente o SUS.

Francesco Matarazzo recebeu o titulo de Conde do Rei da Itália por ter ajudado a distribuir alimentos no país durante a primeira guerra, uma homenagem justa e merecida.

Como gestor Matarazzo foi um empresário os de seu tempo, empregava parentes e pessoas vindas da Itália, para ele nada avançava longe dos olhos do dono , era sempre o primeiro s chegar e o ultimo a sair. O conde costumava ouvir as opiniões de seus Diretores e Gerentes, mas a ultima palavra era sempre dele. Tinha o costume de visitar as fabricas, era avesso a telefone e memorandos internos, pois ele dizia que tinha uma memoria boa e fazia contas de cabeça.

Uma de suas maiores características, não só dele, mas de empresários da época era que ele tinha que fazer tudo movido pela intuição sem ajuda de consultores talvez uma de suas maiores qualidades foi a coragem de apostar no futuro ou seja na visão da empresa.

Pouco antes de morrer , em 1934, de acordo com o biógrafo Costa Couto, ele resumiu assim os segredos de seu sucesso: “Alguma inteligência, certa capacidade gerencial, muito trabalho e sorte”, o Conde Matarazzo conforme a revista Forbes chegou a ser a quinta maior fortuna do mundo e o italiano mais rico fora da Itália com um patrimônio estimado em 20 bilhões de dólares a valores de hoje.

Matarazzo mesmo aos 82 anos enxergando mal e apoiando-se em uma bengala ainda visitava as fábricas tanto é que após uma dessas visitas sentiu-se mal e depois de ficar dois dias de cama faleceu em 10 de Fevereiro de 1937.

Henry Ford

Henry Ford

Seus contemporâneos foram John Rockefeller (1839-1937) da Standard Oil, John Pierpont Morgan (1837-1913) banqueiro e Henry Ford (1863-1947) que desenvolveu a  linha de montagem contínua, em 1913. Matarazzo chegou a ser a quinta maior fortuna do mundo e o italiano mais rico fora da Itália seus 20 bilhões de dólares em valores de hoje seriam suficientes para garantir a sexta posição na relação de milionários da revista Forbes

Alguns historiadores costumam comparar o peso de Matarazzo na República ao de Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá, no tempo do Império, enquanto Mauá tinha relações com o governo, os negócios de Matarazzo eram centrados na produção de bens rotineiros para os consumidores.

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4 Responses to Indústrias Matarazzo: a maior empresa brasileira de todos os tempos- Parte I

  1. Prezado Pedro Paulo:

    Essa sua idéia de publicar a história de empresas bem sucedidas e que já não existem mais é REALMENTE SENSACIONAL.
    Parabéns pelo texto claro, informativo e objetivo.
    Julio Cesar

    • editor disse:

      Obrigado Julio,

      è sempre bom ter uma opinião como a sua, esta série sobre o Grupo Matarazzo tem 4 partes e serão publicadas todas as segundas feiras.

      Um Abraço;
      Pedro Paulo Morales

  2. […] sucesso de seu empreendimento compra no centro de Curitiba um grande prédio que era ocupado pelas Indústrias Matarazzo e instalou uma grande loja e diversificou mais ainda sua linha de produto com como louças, […]

  3. JOSÉ RICARDO CRUZ disse:

    EXCELENTE ARTIGO. QUEM FOI QUE FALECEU EM 1977? FOI UM FILHO OU SOBRINHO DELE?

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