Indústrias Matarazzo: a maior empresa brasileira de todos os tempos-Parte II

Francisco Jr. Matarazzo

A era de Chiquinho Matarazzo.

Escrito por Pedro Paulo Galindo Morales

Foto de 1º de Agosto de 1947

Após o falecimento de Francesco Matarazzo assumiu o Grupo Matarazzo o seu filho Francisco Matarazzo Junior ou Conde Chiquinho como era conhecido, ele era o penúltimo dos seus treze filhos.

Francisco Matarazzo Junior começou uma nova era no Grupo trazendo a empresa para os ramos químicos, papeleiro e de álcool. Em 1939, inaugurou o Edifício Conde Francisco Matarazzo,  em homenagem a seu pai , foi a sede da empresa durante 40 anos o prédio ter sido vendido ao Grupo Audi.

Nesta época o grupo teve um desenvolvimento surpreendente inauguraram-se fábricas de seda, de celulose, celofane (a primeira na América do Sul) , fábricas de cimento (cimento Zebu), fábrica de cal, fábrica de conservas, fábricas alimentícias (pasta de amendoim e polpa de frutas e a tradicional marca Petybon  linha de massas e biscoitos ), lança a primeira margarina vegetal do país (Margarina Matarazzo) , lanifício, fábrica de caixas de papelão ondulado feito a partir do bagaço da cana (atividade pioneira no país), fábrica de raiom e inseticidas .

Em 1943, foi inaugurada a Maternidade Condessa Filomena Matarazzo (nome em homenagem à esposa de Francesco) e nela foi aberta uma enfermaria de ginecologia a Maternidade Condessa foi considerada a melhor da América do Sul. Na década de 50, chegou a ter 500 leitos, dez a mais que na sua inauguração, e nos anos 70 passou a ser referência na formação de profissionais,

O Grupo na década de 50  também abriu fabricas de sulfureto de carbono, fábricas de resinas e complexos polivinílicos, óleo de mamona, óleos vegetais, embalagens flexíveis, rações, tripas artificiais para a indústria alimentícia (pioneira e única fabricante nacional) e fábrica de conservas. O Conde Chiquinho também investia no ramo de agronegócios tendo uma plantação de dendê na Bahia para produção de óleo e varias fazendas, consultado pelo amigo e presidente Juscelino Kubitschek se aceitava associar-se à Volkswagen na instalação da primeira montadora no país, declinou, pois os recursos eram escassos e os Matarazzo teriam trocar negócios que conheciam por outros que eram totalmente novos.

A partir da década de 60 o desempenho do Grupo Matarazzo começa a ser afetado, porém novas fábricas são abertas: fábrica de perlon e fibras sintéticas, laminados plásticos e fábrica de café solúvel, a família repassa o Edifício Universidade Comercial Conde Francisco Matarazzo, inaugurado em 1954, para o governo estadual em troca de incentivos fiscais. Em 1969 sentindo a pressão das multinacionais que vinham com know how avançado e publicidade, atributo pouco utilizado na IRFM, fecha pela primeira vez na história seu balanço com saldo negativo.

Preocupado os novos tempos o Conde Chiquinho contrata a Deloiite, famosa consultoria administrativo-financeira para fazer a reestruturação societária do Grupo Matarazzo, reestruturação que não trouxe muitos resultados positivos.

No ramo do comércio o Grupo marcou presença em São Paulo com os Supermercados Superbom era uma rede com várias lojas pela cidade, chegou inclusive a entrar no ramo de hipermercados com o Supercenter  Superbom , a rede foi vendida posteriormente ao Pão de Açúcar que aos poucos foi desativando a bandeira , na década de 70 inaugura o Shopping Center Matarazzo, na Água Branca (SP). Em 1972, após uma viagem da Holanda, o Conde Chiquinho traz consigo o perfume que marcaria décadas, o famoso FRANCIS  marca de sabonete até hoje presente no mercado.

Após 40 anos de atividade a frente do Grupo Matarazzo, o Conde Chiquinho morreu, deixou o controle para a filha Maria Pia, desprezando os filhos homens que trabalhavam com ele há muitos anos, seu enterro levou cerca de 10.000 pessoas, que acompanharam o féretro da Mansão Matarazzo da Paulista até o Mausoléu da família no cemitério da Consolação.

Mansão Matarazzo  e antiga Fabrica   Matarazzo


7 comentários em “Indústrias Matarazzo: a maior empresa brasileira de todos os tempos-Parte II

    1. Julio,
      Muito obrigado pelo seu apoio , é muito gratificante quando escrevemos um artigo que resgata a história de nossas empresas.

      Um abraço,
      Pedro Paulo

  1. Olá Pedro, primeiramente gostaria de parabeniza-lo pela fidelidade histórica sobre a saga da IRFM. Poucos são os textos que condizem com a história da centenária Matarazzo. Percebi que sua pesquisa se baseia muito em meus textos, caso necessite de alguma informação me procure.
    Abraços,

    Everton Calício
    pesquisador e biógrafo sobre as Indústrias Matarazzo e Família Matarazzo no Brasil
    Colunista do Metrô News- Memórias da terra da garoa

    1. Everton ,
      Fico muito honrado com seu comentário , sou apaixonado por histórias de empresas antigas. Procurei ao máximo reunir dados que reprensenta-se a importância deste Grupo Empresarial. Muito obrigado pela sua ajuda , caso queira completr o artigo com seus comentários seja bem vindo!

      Um abraço
      Pedro Paulo Morales

  2. AS INDÚSTRIAS REUNIDAS FRANCESCO MATARAZZO FIZERAM HISTÓRIA NO EMPRESARIADO NACIONAL, AJUDANDO O NOSSO PAÍS A SE DESENVOLVER NO RAMO INDUSTRIAL. O CONDE CHIQUINHO CONSEGUIU SEGUIR O LEGADO DE SEU PAI, MAS FEZ ERRADO AO ESCOLHER MARIA PIA ESMERALDA MATARAZZO PARA PRESIDIR O GRUPO MATARAZZO. VÁRIAS EMPRESAS PASSARAM PELAS MÃOS DOS MATARAZZO, E ATUALMENTE AINDA CONTINUAM NA LEMBRANÇA DO POVO.

  3. Meu pai trabalhou na metalúrgica no Bras, na Rua Caetano Pinto, trabalho por quase 30 anos. Chamava-se Orlando Zungolo. Minha vida foi cercada de historias e experiencias de meu pai. Parabéns pelo lindo texto. Abraços. Sumirê Tagliari Zungolo

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