As muralhas corporativas

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas feiras.

História

Nos últimos meses, em minhas andanças pela Europa, visitei algumas cidades inglesas e italianas que ainda preservam com esmero e veneração muitos edifícios da Roma Antiga, Alta e Baixa Idade Média (século V a XV). Atualmente, muitas dessas localidades têm suas economias sustentadas pelo movimento turístico promovido em torno destas valiosas construções históricas. O que me chamou muita atenção foram as grandes fortalezas medievais, formadas em geral por castelos, torres e muralhas. É impressionante como muitos destes monumentos ainda mostram solidez e resistência, mesmo após séculos de provações (terremotos, guerras e depredações).

Ironias

Originalmente construídos para evitar possíveis invasões de povos inimigos, hoje esses monumentos são os grandes atrativos para uma multidão de milhares de turistas do mundo todo, que perpassam tranquilamente suas entradas e fissuras diariamente. E é esse forte movimento turístico (e os negócios e a rentabilidade gerados por ele) que ainda os mantem em pé. Ironias da História. Mas você deve ter se perguntado: o que o mundo corporativo tem a ver com tudo isso?

SEM EXPECTATIVA

1 Há décadas atrás, no auge do processo de industrialização, muitas empresas fechavam-se em um sistema sisudo de produção com a finalidade clara de fazer com que a produtividade fosse sempre alta, bem como os lucros pomposos (os meios mudaram, mas o fim, convenhamos, continua o mesmo). O conceito de gestão de pessoas passava longe de ser uma realidade. As grandes corporações, então, fechavam-se em grandes e isolados castelos sustentados por trabalhadores que passariam boa parte da vida profissional “na mesma”, sem expectativa de mobilidade dentro e fora da empresa.

AS PESSOAS

2 Esse sistema de produção, entretanto, vem ruindo-se com o passar do tempo. As grandes fortalezas (empresas), então, tiveram que abrir seus portões para novas ideias e profissionais. Os colaboradores – como pessoas, não mais máquinas – passaram a ser vistos como peças fundamentais para o sucesso dos negócios diante às provações, por exemplo, da economia (crises em geral). A gestão de pessoas, então, se torna uma realidade dentro de muitas empresas. Mas, afinal de contas, o que os resquícios das grandes fortalezas medievais nos pode ensinar? Que é preciso preservar a solidez dos negócios, mas isso não significa mais construir apenas grandes sisudas muralhas em torno da empresa, mas deixar também novas ideias e pessoas entrarem.

HORA DO CAFEZINHO

3 Os gestores também têm um momento para a hora do cafezinho, certo? Se você é um deles, talvez, seja uma boa pensar (enquanto adoça o café) que é preciso investir nos novos talentos, bem como mantê-los dentro da corporação. Mas para isso, as empresas não precisam impôr nenhuma regra, mas estabelecer medidas para convencê-los a ficarem. Ou melhor, criar pequenas muretas para conter a evasão de profissionais talentosos, tais como melhoria salarial, benefícios atrativos, investimento em capacitação, abertura de um canal de comunicação com a diretoria, condições para um bom clima organizacional.

MINUTO SABÁTICO

4 Que tal aproveitar esse final de semana para planejar uma viagem com seus amigos ou com su@ companheir@? Aproveite que o dólar está mais barato em relação ao real e programe uma viagem para o Exterior para relaxar ou até estudar. Isso, com certeza, contribuirá positivamente em sua vida pessoal e em a sua carreira.

CORPORATIVÊS

5 Se um dia seu chefe disser para você estabelecer um due date de um projeto, não pense que você terá duas datas limites para finalizá-lo. Em síntese, o termo significa um só prazo para o fim de um trabalho.

 Sandra Nagano

Jornalista da área econômica
Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo On Line

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