Bom gestor de pessoas

Por Israel Araújo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Nós, cidadãos, somos os clientes da empresa Poder Público S/A. Dela esperamos qualidade dos serviços essenciais (educação, saúde e segurança), o que dependerá fundamentalmente do trabalho de professores, profissionais de saúde e de policiais, além de outros que dão suporte a essas áreas. Prédios, veículos, sistemas e outras ferramentas são importantes, mas os servidores são decisivos. Porque, afinal de contas, quem move toda a engrenagem são as pessoas que, por sua vez, permanecerão após a saída dos gestores eleitos.

O poder público também possui características de uma empresa privada. E ele, mais do que qualquer outra organização, possui um número imenso de colaboradores e, diferentemente das empresas na área privada, com estabilidade. Diante disso, mais ainda do que na empresa privada, é crucial o foco da administração no servidor. Modernas técnicas de gestão de pessoas são necessárias para assegurar a qualidade do serviço público, para manter o servidor comprometido e motivado. Repassando de memória, todavia, a campanha eleitoral mais recente, lembramos que nenhum dos candidatos, inclusive os eleitos (Dilma, Cid e Luizianne), assumiu compromissos claros a respeito da gestão das pessoas (leia-se servidores) e da qualidade efetiva do serviço público. Temas como avaliação de desempenho, planos de cargo e carreira, clima organizacional e treinamento e desenvolvimento do servidor público não tiveram qualquer destaque na campanha eleitoral.

Como é mesmo que prefeitos, governadores e presidente da república manterão os servidores motivados e comprometidos com a qualidade da prestação de serviços públicos ao cidadão? O que e como farão para melhorar a qualidade do atendimento ao cidadão, à criança, à mulher, ao idoso, aos mais pobres, a partir do servidor? Com “obras”, com “projetos”, com “copa do mundo”? Os servidores públicos perderam espaço e prestígio. Este declínio começou e acelerou com o discurso neoliberal que propunha o Estado mínimo, a privatização e a terceirização, entre outras ideias. Seu orgulho e sua autoestima foram afetados, as lideranças se desmobilizaram, a organização sindical perdeu força. Até o início dos anos oitenta, os servidores públicos eram prioridades nos discursos nos parlamentos e destaque nos editoriais da grande e boa imprensa. O servidor, para usar uma palavra da moda, agora é um radioativo.

O presidente Luis Inácio Lula da Silva, trabalhador, sindicalista, não fez nada especialmente marcante nessa área. A prefeita Luizianne Lins se aproxima do final do segundo mandato e, tudo indica, também nada especialmente relevante, apesar de ser servidora pública municipal concursada. A população do Ceará, de forma majoritária, no primeiro turno, votou no engenheiro Cid Ferreira Gomes para governador, agora para um segundo mandato de quatro anos. Juntando com os quatro primeiros anos, Cid, quando chegarmos a 2014, terá governado o Estado por oito anos. Ele ainda tem três anos e meio para fazer. Isso é uma esperança.

ISRAEL ARAÚJO
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br  – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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