Auto-ajuda ou placebo?

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas feiras.

PRECONCEITO

Por um lapso, quando comecei a escrever meu primeiro texto para este espaço – confesso – temi que um rótulo viesse a ser colado no meio de minha testa, assim que ele fosse publicado: o da auto-ajuda. Um preconceito velado, que pouco a pouco fui eliminando conforme finalizava a minha coluna de estreia. Afinal de contas, desde os primórdios da “Era do Homem Pensante”, o ser humano sempre necessitou de auto-ajuda. E muitas publicações têm nos servido para tal finalidade por séculos: a começar, por exemplo, pelo Antigo Testamento, passando pela pena de gerações de filósofos até chegar aos best-sellers da atualidade. Mas devo acalmar os mais conservadores, os quais podem se ofender com esta constatação.

Conceito e mercado

É bom salientar aqui que coloco uma diferença entre o conceito de auto-ajuda e o termo que hoje se aplica a um nicho do mercado editorial. O primeiro é mais generalista e significa simplesmente o ato de ajudar a si mesmo através de instrumentos diversos – seja através da literatura, dos rendimentos, da educação, do cinema, da prática de esportes, relações interpessoais, etc. O segundo, entretanto, ganhou feição pejorativa (sinônimo de besteirol) nas últimas décadas do século XX. Isso, em grande parte, por causa da avalanche de publicações de má-qualidade – que se diziam do gênero – que foram despejados nas prateleiras das livrarias por autores e editoras sedentos pelos retornos financeiros que poderiam ter com esse mercado lucrativo. É fato que muitos livros interessantes de auto-ajuda também foram lançados, mas isso não evitou que o gênero acabasse sendo marginalizado por muitos leitores e críticos.

Sem panaceia

Sim, um nicho marginalizado por alguns, mas que sempre engata algumas dúzias de best-sellers ao mês. Ou seja, muitas pessoas estão a procura dessa leitura (geralmente de fácil entendimento), que busca solucionar ou amenizar angústias e dúvidas pessoais. Ao contrário que muita gente pensa, não é fácil trabalhar com temas que têm a finalidade clara de incitar a motivação de pessoas (seja no trabalho ou na vida pessoal). Não existe uma fórmula pronta, uma panaceia. Mas também é preciso pensar se não estamos a jogar ao céu (ou nas prateleiras, bancas de jornais e na Internet) centenas de cartelas de placebos. Ou seja, conteúdos vazios, que somente têm um efêmero efeito paliativo.

HORA DO CAFEZINHO

Independente de toda essa divagação, o importante é se sentir bem pessoalmente e, inclusive, profissionalmente. Se ainda não alcançou isso, vale a pena correr atrás desse bem-estar do “si mesmo”. Seja através de filosofias, crenças, religiões, romances ou, meramente, auto-ajuda. Na hora do cafezinho na empresa ou em casa, procure meios para sempre “se ajudar” a alcançar seus objetivos – sejam eles materiais ou subjetivos.

MINUTO SABÁTICO

Já que o assunto é auto-ajuda, que tal passar pela livraria e conferir uma das sensações desse nicho de mercado: o livro “Nietzsche para Estressados”, da Editora Sextante. Pode causar estranhamento nos estudiosos, nos apaixonados pela sua filosofia, e inclusive naqueles que já ouviram – mesmo que seja de maneira rasa – algo sobre este famoso filósofo alemão. “Afinal, como é que se pode relacionar Nietzsche com a filosofia do bem-estar?”, perguntaria alguém. Digo que isso é facilmente possível. Mas esse livro tem uma forma bem particular para tentar relacionar essa ideia. Mas já aviso que esta publicação não foi escrita para os mais conservadores, já que faz análises peculiares isoladas de alguns aforismos nietzscheanos. Digo apenas que pode servir de ajuda para uns, bem como de divertimento para outros. A mim, pelo o que já li, puro divertimento.

CORPORATIVÊS

Num anúncio de empregos, entre tantas exigências para o cargo, você se depara com um pré-requisito “fundamental para a função”: ser Hands On. Não se assuste, o termo versa sobre uma velha conhecida nossa: a pró-atividade.

Sandra Nagano

É jornalista da área de Economia
Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo On Line

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