Silvo Santos sem o baú é como arroz sem feijão

Pedro

Por Pedro Paulo Galindo Morales

Silvo Santos sem o baú é como arroz sem feijão, avião sem asa, Tom sem o Jerry, futebol sem bola ou cachorro quente sem salsicha.

Leitores. O Silvio Santos esta sem o Baú da Felicidade, para mim que cresceu ouvindo falar no Baú é como se fosse avião sem asa, Tom sem o Jerry, futebol sem bola ou cachorro quente sem salsicha. Até bem pouco tempo existia um relógio pertencente a minha avó comprado pelo sistema de carnes de mercadorias que resistiu por quase 30 anos as mudanças do tempo e pelo jeito o Baú também não.

Como dizia Silvio Santos, que construiu o Baú da Felicidade a partir de uma empresa de cestas de natal adquirida de Manuel da Nobrega, o sucesso do Baú estava ligado aos produtos de qualidade, as pessoas olhavam os produtos que permaneciam durante anos nos seus lares e voltavam a comprar as mercadorias porque eram boas, algumas eram acima do preço, mas a parte cobrada a mais, era para a distribuição dos prêmios (casas, carros, eletrodomésticos), o verdadeiro motivo para que as pessoas comprassem quem não se lembra dos programas o Preço Certo, Qual é a Musica ou o Pião da Casa Própria, assistidas pelas nossas avós ou dos vendedores do Baú que sempre batiam em nossas casas oferecendo o carnê de mercadorias muitas vezes eles podiam ser vistos desembarcando de Kombis brancas, sempre novas em folha com o símbolo do Baú da Felicidade compradas na Vimave Veículos que fazia parte do Grupo Silvio Santos responsável também pela compra dos Fuscas distribuídos por Silvio.

Esta estratégia obteve sucesso por muito tempo porem a nova realidade brasileira que fez com que a população tivesse mais condições de ter acesso aos bens com casas, carros ou eletrodomésticos fez com que a formula usada por mais de 50 anos deixou de ser interessante pois no Brasil do Real as pessoas querem consumir imediatamente sem ter que pagar 12 prestações ou ter que esperar pela sorte motivo pelo qual o carnê começou a ser desativado em 2007 começando pela desativação da rede de vendedores (os das famosas Kombis) chegando em 2010 a ter somente 700 carnês em pagamento.

A empresa chegou a ser a 101º empresa brasileira em 1973 e ente 1974 e 1976 já contava com 51 lojas além dos representantes e chegou a ter 350.000 carnês ativos para termos uma ideia com 604 lojas o Magazine Luiza que esta comprando o Baú da Felicidade por 83 milhões de reais possui um cadastro de 3 milhões de clientes em uma época em que o crédito é mais fácil do que a 35 anos atrás.

Devido às ameaças de que o governo podia proibir a comercialização do Carnê do Baú por se tratar de um jogo, Silvio Santos com grandes estoques de mercadoria  montou as Lojas Tamakavy ( vendida a Casas Bahia como forma de capitalizar o Grupo)  como uma precaução contra uma possível proibição do governo quanto a comercialização do carne, para dar suporte a essa nova operação foi criada a Baú Financeira S/A que mais tarde se transformaria em Banco Panamericano que seria responsável pela maior crise financeira enfrentada por Silvio Santos.

Em 2007 com a desativação do  carnê de mercadorias o Baú da Felicidade de transforma em Baú Crediário e passa a então a investir no varejo tradicional. Em 2009, a rede comprou a paranaense Dudony, que possuía cerca de 100 lojas que o que deixou a rede com a configuração que tem hoje, já que as antigas lojas do Baú estão fechadas em vários estados brasileiros.

Antes do caso do Banco Panamericano, envolvido em  fraude de R$ 2,5 bilhões detectada quando eram analisadas operações de crédito com os grandes bancos de varejo Silvio Santos tinha planos de expandir sua rede de lojas para um total de 250 (hoje 121)  mas ao que tudo indica a perda da retaguarda do Banco Panamericano, que era especializado em atuar na concessão de crédito para a baixa renda não permitiu que as lojas continuassem operando.

Neste momento que escrevo o site do Baú da Felicidade esta em manutenção e o site do Grupo Silvio Santos exibe um comunicado da alienação das 121 lojas ao Magazine Luiza dizendo que este muito satisfeito com a venda do negócio e diz que a venda foi feita como parte de um plano para a volta as atividades tradicionais do Grupo Silvo Santos, vamos torcer para que a crise termine por aqui.

Para mim que acompanho a história de Silvio Santos há muito tempo o Silvio Santos sem o baú é como arroz sem feijão. Vamos refletir sobre isso!

 

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2 Responses to Silvo Santos sem o baú é como arroz sem feijão

  1. Alô Pedro Paulo:

    Parabéns pelo artigo……………….. além de um belo texto, perfeita sua analogia sobre feijão sem arroz e etc.
    Muito bom….continue nos premiando com artigos assim.
    Grande abraço
    Julio Cesar

    • editor disse:

      Julio,
      Muito obrigado pelas suas palavras. É muito legal quando recebemos críticas como a sua, pois essas, nos motiva cada vez mais a escrever.
      Pedro Paulo

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