A FUSÃO PÃO DE AÇUCAR E CARREFOUR (CARREÇÚCAR)

Pedro Paulo Galindo Morales

Esta coluna é publicada aos sábados.

Durante esta semana muito se falou sobre a fusão do Pão de Açúcar e Carrefour , alguns setores do governo até mencionaram que a imprensa esta fazendo um “tsunami”  em copo de agua , mas não é bem assim.

O tamanho do apetite do Pão de Açúcar

O Grupo Pão de Açúcar que hoje conhecemos é resultado de 22 aquisições sendo as maiores a compra da Eletroradiobraz em 1976 quando dobrou de tamanho a fusão com as Casas Bahia e a compra das lojas do Ponto Frio e a associação com a rede Sendas O resultado destas aquisições e fusões é um grupo que tem hoje 1.822 lojas é líder varejista com 17,9% de participação de mercado e no ano passado, faturou R$ 36 bilhões.

O Carrefour

O grupo Carrefour esta no Brasil há 35 anos, inaugurou seu primeiro hipermercado em São Paulo as suas operações no Brasil – um negócio de R$ 29 bilhões e 644 lojas são feitas através das marcas Dia% , Carrefour e Atacadão, foi líder no varejo brasileiro por quase duas décadas, perdeu o posto para o Pão de Açúcar quando este se fundiu com as Casas Bahia e sofre com uma “perigosa”  aproximação do terceiro colocado, o americano Walmart. Pode-se avaliar a importância do Brasil para o Carrefour por outro parâmetro: é a segunda maior operação do varejista depois da França, onde a marca ainda é líder.

Como o Grupo Cassino vê o negócio.

O presidente da rede varejista francesa Casino, Jean Charles Naouri, desembarca amanhã no Brasil acompanhado por seus advogados para falar com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em reunião na sede do banco, no Rio de Janeiro, na segunda-feira vai reforçar sua posição contrária à operação desencadeada por Abílio Diniz, seu sócio no Pão de Açúcar, que quer fundir as operações da rede com o Carrefour, maior rival do Casino na França. Abílio esta sendo acusado de tentar dar um “golpe de estado corporativo”. o Casino passou a dar vários sinais de que não aceitará o negócio. Na quarta-feira 29, comprou US$ 1 bilhão em ações do Pão de Açúcar e aumentou para 43,1% sua participação no capital total do grupo.

A entrada do BNDESpar

O BNDESpar será um importante acionista da nova empresa porque com tanta coisa para fazer no pais o governo vai se meter no ramo de supermercado? Para impedir uma desnacionalização foi o que li em um artigo de Carlos Alberto Sardenberg no site veja.com o Pão de Açúcar está praticamente vendido ao Casino, uma rede multinacional de origem francesa. Há alguns anos, Abilio Diniz vendeu parte de sua rede ao Casino, que adquiriu também, no mesmo contrato, o direito de assumir o controle integral do Pão de Açúcar em 2012, ficando assim o mercado brasileiro sob controle de estrangeiros (Pão de Açúcar/Cassino, Carrefour e Walmart).

E os fornecedores, funcionários e consumidores?

Representantes de fornecedores consideram que a alta concentração do varejo é negativa em termos de negociação, por causa da perda do poder de barganha. Juntos, Pão de Açúcar e Carrefour dominarão 1/3 do mercado varejista nacional e os consumidores poderão ser prejudicados mais uma vez. Também há uma inquietação entre os funcionários dessas empresas, pois muitas funções administrativas cargos administrativos que devem se sobrepor e assim muitos postos de trabalho irão se fechar. E os consumidores? A concentração no setor não é benéfica ao consumidor, quando o mercado é maior, maior é a disputa para atrair o consumidor com melhores preços, qualidade de serviços e com investimento que beneficiem o consumidor o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) determina a venda de algumas lojas em regiões onde a concentração supera o permitido pela legislação.

NEGÓCIOS

@ Walmart ganha força na disputa pelo Carrefour

A incorporação entre o Walmart e o Carrefour Brasil não foi para a frente há dois anos porque a rede americana teria encontrado mais problemas que os imaginados. Isso inclui desde indícios que depois se concretizaram em um rombo contábil de € 550 milhões, descoberto no ano passado, e deficiências nos hipermercados. (Brasil Econômico)

@ Otoch nega o namoro

Lojas Otoch, uma das gigantes do varejo do Ceará, nega que tenha havido qualquer tratativa com a gaúcha Lojas Renner, Em nota, a Otoch informou: “Nossos planos de futuro cogitam expansão, porém mantendo nossa marca que já é uma tradição no Ceará e em outros estados brasileiros”. (Coluna Vertical – O Povo)

@ Confiança do pequeno e médio empresário na economia cai

Os donos das micro e pequenas empresas estão com perspectivas menos otimistas em relação à economia e a seus negócios para o próximo trimestre. É o que revela o Índice de Confiança de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN), levantado em parceria pelo Insper e o Santander e divulgado ontem. (revistapegn)

@ O comércio puxa o índice.

Os organizadores da pesquisa apontam que a queda é mais acentuada no comércio: a nota entre os empresários deste setor caiu três pontos do segundo para o terceiro trimestre, de 74,4 para 71,3. Os clientes deles são os que mais dependem de crédito para comprar. (revistapegn)

Coluna escrita em 01/07/2011

pedropaulomorales@yahoo.com.br

Esta coluna é publicada também no administradores.com

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2 Responses to A FUSÃO PÃO DE AÇUCAR E CARREFOUR (CARREÇÚCAR)

  1. Prezado Amigo:

    Tudo bem que o Governo LULA (leia-se Dilma) está querendo fortalecer as empresas brasileiras sob o pretexto de criar “empresas fortes” aqui no BR, mas com dinheiro público para supermercado? Tudo bem que o BNDES está com muito dinheiro (fruto do Superavit primário), mas estão investindo dinheiro público em comércio e não em atividades produtivas….
    Assim não dá, PÔ!
    Grande abraço
    Julio Cesar

    • editor disse:

      Julio,
      Também penso assim com tanta coisa para se fazer no setor primário e nos setores em que o Brasil precisa como saúde, educação e segurança publica , se preocupar com supermercado não é uma boa. Se o governo quer realmente ajudar o comercio varejista, fornecedores e colaboradores das empresas deve utilizar o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para regular a operação e não se tornar sócio de alguns em uma empreitada que apenas vai concentrar o mercado varejista na mão de poucas pessoas que teriam uma empresa com um faturamento de R$ 65 bilhões, tornando-se um dos maiores grupos empresariais do país, e controlariam um terço do mercado de vendas de alimentos sem contar o ramo de eletrodomésticos. É muita coisa!
      Um Abraço
      Pedro Paulo Morales

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