O Técnico de Contabilidade

Enquanto nos países desenvolvidos, que frequentemente tentamos copiar às avessas, as profissões são valiosas e por isso protegidas, principalmente as essenciais ao desenvolvimento econômico e social; aqui : nós as destruímos.

Por: Carlos Cesar D’Arienzo

Primeiro, desmontamos todo quadro (seleção, formação e capacitação) de técnicos arduamente criado durante as décadas de 1950,1960, 1970 e 1980, nas áreas de mecânica, elétrica, eletrônica, agricultura, construção civil, naval, aeronáutica, administração pública etc forçando esses profissionais ao subemprego e ao desespero, fruto de um misto de escolhas econômicas inconsequentes por parte do setor público e pela falta de competência empresarial, no privado.

Depois (de 2006 em diante) ficamos hipocritamente atônitos pela “falta” de mão de obra qualificada, e para fazermos jus ao “processo de avaliação e decisão” preguiçoso, muito comum nos governos, autarquias, nas empresas privadas e entre “analistas” (de)formadores de opinião, ainda hoje : pomos a culpa no povo brasileiro, taxando-o de preguiçoso, avesso ao trabalho, que não se qualifica, esbanjador, fanfarrão etc.

Os trabalhadores brasileiros criaram, sob forças nacionais e estrangeiras.contrárias às suas vontades, uma das maiores economias do mundo, exatamente por serem ordeiros, responsáveis e capazes de sacrifícios para fazer do País a sua Pátria e poderem se orgulhar, apesar de todos os desmandos administrativos e econômicos que acompanham a História da Formação da Nação e isso inclui as instituições políticas, judiciais e não raro sindicais e autárquicas de registro e representação profissional; mesmo assim continuam firmes e produtivos na medida do possível, já sabendo que estão sendo miseravelmente expropriados e negligenciados, sem esperança de educação, saúde, lazer, segurança, respeito profissional, dignidade etc.

Parece-me, que no Brasil, ainda não aprendemos a enquadrar um problema ou situação que se evidencia como tal. Quando desconhecemos premissas, desconhecemos conteúdo e solução dos problemas observados. Não sabemos diferenciar trabalho ao nível técnico, em relação ao nível superior. Isso fica evidenciado observando as faculdades de Contabilidade (exceções) precárias na formação e capacitação dos futuros Contadores.

Culpam os Técnicos de Contabilidade pelas suas poucas (supostas)proficiências, mas onde estão os pesquisadores em Contabilidade? onde estão nossos autores? onde estão nossos mestres e doutores? É possível contá-los nos dedos. Quem já leu sobre História da Contabilidade, História do Pensamento Contábil ou já ouviu falar de Contabilometria ? Quais os recursos matemáticos e estatísticos o Contador graduado utiliza no seu trabalho rotineiro que vai além das análises horizontais e verticais? O Contador graduado lê?

Visitem as estantes de Contabilidade nas livrarias, é deprimente. Costumam ficar à reboque das estantes numerosas de Economia e Administração, não me refiro aos igualmente numerosos livros de auto-ajuda nessas áreas, mas aos estritamente técnicos, perdemos feio. Os conselhos regionais visitam as faculdades ?

Quais turmas, durante a graduação, receberam a visita de algum integrante do conselho regional de seu estado? E se nessas visitas eles explicaram aos alunos graduandos que a luta e esforço do conselho regional, com a participação do CFC é:

1- Fortalecer a classe dos Contadores sob todos os aspectos legais e técnicos;

2- Combater a corrupção passiva (não rara, ativa) de maus profissionais quando solicitados por bandidos travestidos de empresários a criarem caixa 2 (ou dinheiro não contabilizado, eufemismo da moda);

3- Diferenciar e promover o trabalho em conjunto de técnicos e graduados;

4- Ajudar as autoridades a combater a sonegação fiscal;

5- Fazer ver aos alunos que o CFC e conselhos não são meras corporações de ofícios, resquícios de um Feudalismo que o Brasil teima em não abandonar por completo, mas organizações realmente comprometidas com o desenvolvimento profissional e pessoal do Contador e Técnico, ainda: com o Brasil.

Enquanto nos países desenvolvidos, que frequentemente tentamos copiar às avessas, as profissões são valiosas e por isso protegidas, principalmente as essenciais ao desenvolvimento econômico e social; aqui: nós as destruímos, pior, as extinguimos (mesmo as essenciais) por obra e graça de vontades pessoais ou de argumentos sobre mercado de trabalho, sofríveis. Trabalho é o resultado de conhecimento, nós destruímos ou anulamos conhecimento pelo capricho de poucos indivíduos. Chegou a vez do Técnico em Contabilidade!

O Brasil (seu governo e sociedade) gasta alguns milhares de Reais para formar um Contador graduado, e qual retorno ele dará à sociedade passando o dia todo preenchendo darfs e lançando notas fiscais nos sistemas …fazendo trabalho que está abaixo até mesmo de um técnico ? É equação simples : investimento versus retorno.

Há uma pressão crescente para que o Brasil e a outras nações do BRIC abram seus mercados de serviços, isso naturalmente incluirá o escritório contábil, a despeito do que quer e desejam os conselhos e o CFC. Como ficaremos sem técnicos? Como concorreremos com as demais nações nesse campo?

“A falta de conhecimento sobre fatos passados a respeito da experiência já comprovada enfraquece a visão do presente.” (Antonio Lopes de Sá)

Fonte: Administradores.com

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