As rédeas da carreira

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Não são muitos os empresários e executivos que conhecem e praticam em suas empresas os serviços de Outplacement. O Outplacement ocorre quando a empresa demite um executivo em nível de gestão e contrata assessoria para apoiá-lo nesse momento de transição para uma nova oportunidade no mercado. Com isso, o empresário atesta sua responsabilidade social e evita traumas e danos à carreira do executivo afastado. Além disso, um processo bem conduzido evita demandas judiciais, vazamento de informações e transforma o ex-colaborador num testemunho acreditado dos melhores valores da empresa. Normalmente, o investimento para este trabalho equivale a um mês de salário do profissional e, em função da prevalência de resultados efetivos positivos, todos saem ganhando, inclusive o moral e o compromisso dos executivos que ficam na empresa, apesar de tudo começar numa decisão dura e fria de demissão.

Mas, nem sempre o profissional precisa mudar de empresa por decisão do empresário. Às vezes, e isso não é raro, a iniciativa parte do próprio executivo que, insatisfeito ou simplesmente buscando melhoras, contrata ele mesmo os serviços de assessoria dessas empresas de RH. Neste caso, o serviço chama-se Recolocação, tem as mesmas características básicas e o mesmo custo. No passado, esses serviços eram remunerados por taxas de sucesso, mas essa prática acabou. Idealmente, o executivo deve contratar o serviço de recolocação enquanto ainda estiver empregado, com fluxo de caixa positivo e em condições de ser seletivo e deve fazê-lo em função de um plano de carreira pessoal previamente elaborado.

Nos EUA, uma revista especializada noticiou que em nível de gerência, um executivo médio pode mudar (e muda) de empresa dez vezes ao longo de uma carreira de 40 anos, a maioria das vezes por iniciativa própria, já que cada dia mais os executivos evitam deixar sua carreira por conta de acasos e circunstâncias, e buscam assumir as rédeas de sua vida profissional. No Brasil, as notícias mostraram que executivos demitidos passavam em média 9 meses para conseguirem a recolocação em 2005/2006, e esse período médio caiu para 7 meses em 2008/2009. Na última semana, este jornal noticiou que durante o mês de maio, houve 14 milhões de demissões e 15 milhões de admissões. É uma dança de cadeiras frenética (a parte mais baixa da pirâmide certamente sofre mais).

Até pelo valor cobrado, não se trata de uma aquisição que se faça por impulso ou por capricho. Este é um serviço que contrata quem pode por ele pagar, quem o quer de fato e quem efetivamente dele precisa. Mas, principalmente, quem sabe que ele tem uma boa relação de custo versus beneficio. Cada profissional tem suas possibilidades e limites, necessidades e interesses, circunstâncias e conveniências. Na medida em que a gestão das empresas se profissionaliza e na medida em que os profissionais mais planejam e melhor controlam suas vidas e suas carreiras, esta prática vai se tornando mais usada e mais conhecida.

Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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