A insustentável empresa displicente

Por ivan Postigo

Esta coluna é publicada as Quartas Feiras.

Em um encontro de profissionais de um segmento industrial, concordavam alguns gestores que devemos agir de acordo com as regras sob as quais seremos avaliados.

Qual era o foco? Garantir o emprego e obter promoção.

O segmento passava por sérios problemas de baixa demanda e excesso de ofertas e algumas medidas teriam que ser tomadas, ainda que impopulares, mas ninguém se arriscava a discordar de concorrentes para não fechar portas e nem dentro das empresas para não correr riscos.

Não demorou para que os castelos de areia, sob os quais muitas empresas estavam construídas, desmoronassem e as arrastassem à falência.

Entre estas estavam algumas cujos produtos e marcas tinham relevância, mas não se sustentaram.

Os preços haviam desabado e mal pagavam os custos de fabricação e algumas despesas. O alerta já havia sido dado, alguns gestores sabendo qual seria o futuro, caso continuassem naquele caminho, abriram algumas frentes de debate, mas não puderam sensibilizar a maioria.

Uma frase ficou no ar, incomodando, ainda que provocasse mais eco que ação: “Estamos conduzindo nossas empresas como conduzimos os problemas nas reuniões, muito barulho, pouca ação”.

Isso, é verdade, no momento em que foi dito, causou furor naqueles que se consideravam os formadores de opinião do segmento, mas algum tempo depois se mostrou verdadeiro, pois alguns fecharam suas empresas e se retiraram.

Para aumentar a competitividade, algumas empresas, apesar do excesso de ofertas, vinham importando produtos, canibalizando os próprios, reduzindo ainda mais os preços.

A produção em ritmo lento, à meia-boca como diziam, aumentava consideravelmente os custos unitários locais.

A necessidade de recursos adicionais para importação drenava o caixa, comprometendo ainda mais o futuro.

Os resultados ruins apenas aumentavam os conflitos, insatisfações e derrubavam a motivação e o comprometimento.

Muitos não garantiram emprego, não tiveram promoções e outros deixaram de influenciar o segmento como formadores de opinião.

Com o tempo a situação se mostrou favorável aos que sobreviveram e o panorama mudou.

A história poderia terminar com a famosa frase: E foram felizes para sempre!

Como nem todas as lições são aprendidas fui ao baú das memórias resgatar esse evento, pois o segmento está em crise e para espanto de alguns o mesmo fato está ocorrendo novamente.

Disso lembram-se gestores que enfrentaram as dificuldades naquela oportunidade, mas sem registro a história se repete.

O agravante é que mesmo aqueles que já se safaram, agora parecem não saber como lidaram com os fatos.

Quebrarão algumas empresas? Provavelmente!

Um fator que pode ajudar na derrocada é a excessiva confiança no acaso: “Já passamos por isso e superamos”

Outros, já sem motivação para grandes vôos, apenas repetem: “Sempre foi assim!”

É importante alertar que para algumas empresas jamais será, não existem mais.

Uma empresa para se sustentar depende do comprometimento de seus gestores com a visão de futuro.

www.postigoconsultoria.com.br

Twitter: @ivanpostigo

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