Breve e incompleta notícia sobre um jornalista

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Na última quarta-feira, dia 20, foi celebrada missa de saudade do jornalista Olavo Araújo, que faria 100 anos. Ao final da missa, um jovem senhor se aproximou do altar e pediu para tecer algumas palavras. Era o jornalista Vicente Alencar, que não tem relações com a família. Lembrou que teve uma oportunidade de trabalho antes de formar-se jornalista (ele tinha 17 anos e nem havia cursos de jornalismo) no matutino Gazeta de Notícias, dirigido pelo meu avô. No seu breve discurso citou sua integridade, coragem e compromisso com a verdade. Classificou o jornalismo em duas vertentes, uma da notícia de verdade e outra da notícia de conveniencia. Finalizou que Olavo Araújo foi um guerreiro da imprensa séria e independente e que abriu espaço para profissionais competentes (Lustosa da Costa, Arabá Matos, Adísia Sá, Lúcio Brasileiro, Thelmo Freitas, Tarciso Holanda, entre outros).

Eram os anos cinquenta e já não era fácil a um jovem entrar no mercado de trabalho. Também naquela época exigiam-se formação (ginasial completo e cursos de datilografia) e experiência. Meio século depois, este jovem resgata, numa homenagem tão espontânea quanto imprevisível os valores pessoais de quem lhe deu a oportunidade. Como pequenos gestos e delicadas atitudes tem o poder de mudar vidas. Pequenas ações, grandes repercussões na carreira profissional e na imagem pessoal. Nesta coluna, tenho insistido com o leitor sobre competências que marcam a trajetória de um executivo: desenvolver uma rede de relacionamento com contatos de toda natureza, cultivar e praticar valores éticos e humanos, estabelecer uma identidade e construir uma imagem desde os tempos de colégio até o final da vida. Isso é tão ou mais importante do que a competência técnica.

Meu pai, que também trabalhou década e meia em jornal e sobre sua experiência escreveu um livro cujo título nomeia esta coluna, conta que um dia perguntou ao professor, escritor e consultor empresarial Cléber Aquino qual era o critério decisivo para escolher entre dois executivos competentes. Cléber foi incisivo: “Escolha o que é mais competente como pessoa”. O conteúdo desta coluna, além de obviamente homenagear um jornalista memorável e registrar um gesto tão elegante de outro jornalista, tem principalmente o objetivo de mostrar como a conduta diária e atitudes simples e honestas fixam uma identidade, consolidam uma imagem, fortalecem uma trajetória. A tecnologia avança, as universidades são cada dia mais acessíveis, as competências técnicas são mais exigidas, o mundo muda, o mercado cresce, mas há elementos essenciais e decisivos que jamais mudarão. A idéia de Big Brother vem de um velho livro de George Orwell, e é uma espécie de micromundo: imagine-se sempre vigiado, não pelas câmeras, e sim por sua consciência. Quem é você? Como as pessoas enxergam você? Como você será lembrado aos 100 anos?

ISRAEL ARAÚJO
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br  – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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