O beijo na bandeira e o medo da competição

   Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Uma guerra invisível, que não deixa mortos nem feridos, mas que causa estragos permanentes no desenvolvimento do Brasil e, principalmente, no futuro dos trabalhadores, vem sendo travada nos bastidores do conflito de interesses privados de curto prazo e interesses estratégicos de longo prazo. Tudo começou numa terça-feira, dia 10 de maio, quando o Governo Federal determinou que os automóveis que entram no Brasil têm que pedir uma licença prévia para a liberação de importação, o que, até então, era feito de forma automática.

A suposta justificativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, através da sua assessoria de imprensa, foi de que a medida serviria para “monitorar o fluxo de importações”. Não se admite, mas sabe-se que a medida foi uma retaliação do governo brasileiro ao argentino, que dificulta a entrada dos produtos nacionais naquele mercado. Acontece que a OMC (Organização Mundial do Comércio) determina que esse tipo de medida deve servir para todos os países. Ou seja, o governo brasileiro passou a ter até 60 dias para permitir a entrada dos automóveis importados.

De um outro lado do cenário, estão os trabalhadores da indústria automobilística brasileira, que já fizeram e ameaçam novos movimentos contra a entrada de veículos importados, sob a justificativa de que seus preços mais baixos diminuem a venda de nacionais e, por consequência, a produção, e ameaçam seus empregos. Já surgem boatos de que países estrangeiros ameaçam suspender investimentos no Brasil se perceberem alguma similaridade com o estilo “Chavista” em nossa política.

Todos perdem. Não há vencedores nem vantagens em nenhum dos lados. As leis de mercado são de livre concorrência. Vale a lei da oferta e da procura. Vale abrir as portas para que venham os importados para expor as altas cargas tributárias e sociais brasileiras que deixam nosso produto em desvantagem competitiva em relação aos estrangeiros. Montadoras também não querem diminuir seus lucros e pressionam pela manutenção da medida. China e Coreia do Sul são exemplos de países que abriram suas fronteiras. Assim, foram forçados a aprender, desenvolver sua indústria local e aperfeiçoar sua mão de obra através, principalmente, de investimentos em educação.

Trabalhadores brasileiros não devem temer a competição. A dimensão da indústria automobilística brasileira e os empregos que gera hoje também se devem à abertura feita pelo ex-presidente Collor de Melo. Competir é o desafio inevitável que nos move para o futuro. Presidenta Dilma, o gesto mais marcante de sua posse foi a quebra do protocolo para beijar a bandeira brasileira. Mas fechar-se não é salutar. É esconder-se numa trincheira rasa.

Isreal Araújo
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br  – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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