O problema da superqualificação

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

MÃO DE OBRA

Com o rápido ritmo de crescimento da economia, o Brasil já vem sentindo a falta de mão de obra qualificada em determinadas áreas, tais como da engenharia de produção e civil, da Tecnologia da Informação, entre outros. Sem falar naqueles novos setores que vem se expandindo como o de petróleo e gás. Isso porque, com a economia em pleno voo, o País precisa produzir mais e com mais qualidade para bater a concorrência cada vez mais acirrada.

Com isso, o mercado de trabalho se expande rapidamente para a absorção de novos profissionais. Ao mesmo tempo que isso ocorre, as empresas estão cada vez mais exigentes em relação ao perfil do profissional que pretendem contratar para garantir os melhores produtos e serviços. Mas junto com a falta de profissionais qualificados, surge um outro fenômeno: o dos superqualificados frustados e desmotivados.

LONGA LISTA

Se você vem acompanhando ao longo dos últimos anos os anúncios de empregos dos jornais e sites especializados deve ter percebido: a lista de pré-requisitos para determinados cargos está ficando mais extensa, bem como mais complexa. Exige-se cada vez mais do profissional em todos os níveis: dos cargos operacionais aos de gerência. Não pense que isso é mero capricho das empresas. Na verdade, trata-se de uma das formas para garantir mais eficiência na produtividade e mais qualidade.

SUPERPREPARAÇÃO

Com todo esse cenário, muitos profissionais buscaram se qualificar nos últimos anos para garantir uma almejada vaga no mercado de trabalho e o desenvolvimento futuro de suas carreiras. Assim, muitos investiram em cursos de idiomas, de informática, de especialização, MBAs, em livros, horas na Internet, a fim de agregar mais conhecimento teórico e técnico, além de desenvolver algumas habilidades pessoais para o trabalho (liderança, boa relação interpessoal,criatividade, empreendedorismo corporativo, inteligências múltiplas, etc).

FRUSTRAÇÃO

O problema é que muitos desses profissionais superqualificados vem se frustando rapidamente com seus novos empregos. Em geral, entram empolados dentro de uma nova corporação, com muita energia, mas logo se sentem subutilizados na empresa. Ou melhor, vêm todas suas habilidades e seus certificados de cursos serem desperdiçados. Então, se desmotivam e começam a buscar por outras oportunidades no mercado. Isso é o que se pode chamar de evasão de talentos, problema que muitas empresas já começaram a sentir.

TALENTOS

E essa tem sido uma das grandes preocupações das empresas. Uma recente pesquisa da CRF Institute, consultoria sediada no Reino Unido, mostra que a prioridade do Recursos Humanos no Brasil e em outros países do Bric tem sido relacionada à gestão de talentos, em outras palavras, de como mantê-los dentro da organização através de incentivos reais e motivacionais.

O que precisa ser entendido pelas empresas é que isso inclui desde do profissional superqualificado até aquele que não tem certificados de cursos de qualificação, mas que é um excelente colaborador operacional que ajuda a engrenagem rolar todos os dias. A qualificação é muito importante sim, mas é preciso saber o que realmente é necessário, como pré-requisito, para cada cargo. Afinal, talento não se mede através do tamanho do currículo e portfólio.

HORA DO CAFEZINHO…

Eu sempre fui muito a favor das pessoas pararem alguns minutinhos para fazer uma autoavaliação. Não no meio do expediente, mas talvez na hora do cafezinho. Principalmente, quando estiver desmotivado no trabalho e é mais fácil jogar “a culpa” em outra pessoa. É o que eu sempre digo: muitas vezes, o inferno pode não ser os outros, mas sim você mesmo.

CORPORATIVÊS

Tem muito profissional jovem que entra em uma empresa e pensa que já sabe de tudo, já se autoavalia como superqualificado. Às vezes, um mínimo de humildade vai bem. Muitas empresas trabalham com processos de Mentoring: ou melhor, elegem alguns profissionais mais experientes para atuarem como “mentores”, como orientadores e aconselhadores de carreira dos menos experientes.

Sandra Nagano

é jornalista da área econômica

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo Online

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