A Geração Y precisa fazer escolhas (especial semana dos pais)

Por Sidinei Oliveira

Foi a primeira vez que ele visitou uma loja de brinquedos. As cores intensas brilhavam em seus olhos. Logo na entrada havia uma máquina que oferecia gomas de mascar em troca de moedas.

As prateleiras baixas facilitavam o acesso aos brinquedos e a liberdade dada pelos atendentes era um convite para pegar cada produto. O som da música, que lembrava um parque de diversões, deixava o clima mágico!

Não havia como explicar o êxtase do momento, ele só conseguia sorrir e gritar. Sem tomar fôlego, partiu para a primeira prateleira – pegou um carrinho e também um videogame. Virando-se agarrou uma caixa de jogo de tabuleiro, um avião e uma bola.

Quase não conseguia se equilibrar, mesmo assim, ele não largava nenhum brinquedo, continuava olhando intensamente cada prateleira, como se buscasse alguma coisa que ainda não tivesse visto.

Com vários brinquedos nas mãos caminhava para uma bicicleta quando uma mão forte segurou em seu ombro e disse:

–       Filho, escolhe um!

Até aquele momento ele não havia imaginado que precisaria fazer uma escolha. O sorriso e euforia deram lugar a uma pergunta:

–       Só um?

As possibilidades era tantas e tão interessantes que não conseguia ver uma razão para fazer esta escolha. Ainda sem largar os brinquedos perguntou:

–       Porque tenho que escolher um?

O pai respondeu:

–       Você precisa escolher para poder brincar.

O menino argumentou:

–       Mas se eu escolher um, não vou brincar com os outros…

O pai olhou com paciência para o filho e disse:

–       Se você quer alguma coisa, precisa fazer uma escolha. E toda escolha provoca uma perda.

O menino não estava muito satisfeito com a lição:

–       Mas eu não quero perder nada. Eu quero brincar com todos os brinquedos.

Olhando o menino equilibrar os brinquedos, o pai falou:

–       Filho, você está vendo que segurando todos ao mesmo tempo, não consegue brincar com nenhum?

Seu pai explicou que, quando era criança, também havia visitado uma loja de brinquedos com o pai.

Falou que naquele tempo, as coisas aconteciam de modo diferente. As lojas mantinham os brinquedos em prateleiras altas e nada podia ser tocado antes de comprar. Foi assim que ele aprendeu a fazer suas primeiras escolhas.

Como as coisas hoje são mais disponíveis e as possibilidades são maiores, parece mais complicado fazer escolhas.

O pai completou:

–       Você precisa fazer uma escolha: Segurar ou brincar. Se quer segurar brinquedos, poderá manter alguns nas mãos, mas, se quer brincar precisa escolher um.

O menino aceitou o argumento do pai e largou todos os brinquedos, mantendo apenas o carrinho nas mãos. Satisfeito com a sua escolha, saíram da loja. Ele sorria e brincava empolgado com o novo brinquedo.

Passando em seguida por uma confeitaria, seus olhos foram capturados pela visão de diversos doces coloridos no balcão. O menino olhou para o pai e sorrindo disse:

–       Já sei, já sei… Escolhe um!

Aquele menino somente saberá a dimensão da lição que estava aprendendo, quando chegar a hora de fazer escolhas que irão determinar seu futuro. Em alguns anos, ele descobrirá que serão necessárias escolhas que definam sua carreira, seus relacionamentos e sua trajetória de vida.

Mesmo que ele tenha inúmeras possibilidades quando estiver prestes a entrar na universidade, diversas opções de relacionamentos amorosos, várias propostas de trabalho em qualquer lugar do planeta, ainda ouvirá a voz de seu pai dizendo:

–       Filho, escolhe um!

Fonte: http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/blog-do-management

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