Falando da Semana que Passou

Fonte:  Blog da Miriam Leitão

Resumo comentado das notícias da semana

Rebaixamento dos EUA: Na sexta-feira à noite, a S&P fez o que parecia impensável: rebaixou a nota dos EUA, que deixou de ser triplo AAA. Alegou riscos políticos e alto endividamento. O fim de semana foi de muita negociação entre ministros de finanças da Europa; BCs ficaram em contato para decidir o que fazer, porque todos têm muitos títulos americanos nas reservas, inclusive o Brasil, que tem mais de US$ 200 bilhões.

Para evitar quedas sucessivas nas bolsas – a de Israel, que funciona aos domingos, despencou -, o BCE anunciou uma medida preventiva: a compra de títulos da dívida de Itália e Espanha. Isso poderia trazer mais alívio aos mercados, mas não resolveria o problema. O Brasil e outros países decidiram não vender títulos da dívida americana.

Turbulência nos mercados – Foi uma semana tensa no mercados, que ficaram nervosos o tempo todo. Temia-se uma onda de venda de títulos do Tesouro americano, mas isso não aconteceu; o que houve foi muita turbulência nas bolsas.

Na segunda-feira, primeiro dia útil após o anúncio de rebaixamento dos EUA, o clima era de pessimismo logo cedo; ao longo do dia, o pânico tomou conta das bolsas. Um discurso fraco do presidente Obama criticando a decisão da S&P piorou ainda mais a situação.

As bolsas mundiais despencaram, e a Bovespa quase teve um circuit breaker, interrupção técnica dos negócios quando atinge queda de 10%. Fechou em queda de 8,08% (a maior desde outubro de 2008).

Na terça-feira, o dia foi melhor. Apesar de o BC dos EUA não ter feito o que se esperava – o anúncio de uma terceira rodada de injeção monetária para estimular a economia – e estar mais pessimista, os mercados ficaram mais tranquilos. O Fed manteve até 2013 os juros congelados em níveis negativos.

Na quarta-feira, o pessimismo voltou aos mercados, agora, por conta de uma maior preocupação com a França – houve rumores de rebaixamento – e com a situação dos bancos do país. As bolsas dos EUA caíram mais de 4%; na Europa, os recuos chegaram a mais de 5%. A Bovespa, no entanto, subiu.

Ontem, os mercados fecharam em alta com dados melhores da economia americana, mas a volatilidade foi grande durante toda a semana. Ontem, a Bovespa já tinha zerado as perdas da semana.

A crise e o Brasil – Com o agravamento da situação, muito se comentou sobre como o país poderia ser afetado. Dilma falou várias vezes sobre o assunto, dizendo que não deixaria a crise afetar o país, provocando recessão. Disse que o Brasil tem muita munição e tem mesmo. As reservas são maiores, o BC pode liberar o compulsório e diminuir os juros. Só não vale aumentar mais os gastos.

Países europeus suspendem vendas a descoberto – Com rumores de problemas nos bancos europeus, as ações dessas instituições, principalmente francesas, caíram muito esta semana. Para tentar frear essa queda, França, Itália, Bélgica e Espanha proibiram a venda a descoberto, operação específica do mercado financeiro em que os bancos que operam no mercado futuro fazem a venda sem ter o papel na mão.

Levantamento feito pelo economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC, mostra que 40 instituições americanas e europeias perderam 40% do valor de mercado em três meses.

Petrobras – Ontem, entrevistei José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras. Falamos sobre vários assuntos, entre eles, os motivos que explicariam a queda forte das ações. Ele não concorda com a premissa do mercado de interferência governamental na empresa, mas não deu muitos argumentos para justificar isso.

Inflação na China aumenta – Para piorar o cenário da economia mundial, a China anunciou esta semana que a inflação anual subiu para 6,5% em julho. Isso pode significar que o país terá de reduzir o ritmo de crescimento para enfrentá-la, o que não seria nada bom, porque a China vem puxando a economia mundial.

Crise política – Nesta semana, 35 pessoas do Ministério do Turismo foram presas.

Vendas do varejo crescem – O IBGE divulgou que as vendas cresceram 0,2% em junho em relação ao mês anterior.

Emprego industrial recua – A queda foi de 0,2% em junho na comparação com o mês anterior, segundo o IBGE.

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