A empresa brasileira é vítima de sua própria ingenuidade em gestão

Por ivan Postigo

Esta coluna é publicada as Quartas Feiras.

Como está a organização em sua empresa?

Muitos gestores responderiam: – Está bem!

 Tiraria nota dez em procedimentos, uso de ERP, controle de custos – se antecipando aos acontecimentos-, rígido controle de caixa- aproveitando e explorando todas as oportunidades de financiamentos e investimentos -, condução do CMR com excelência?

 Com certeza responderiam: – Assim também não! – Onde estamos e para onde vamos é estratégico, e isso só é possível saber com informações. Cuidado, então, com aquilo que minimiza, tratando como operacional.

 Não é difícil chegar a essa conclusão, faça essa pergunta a seus colaboradores. Eles realmente sabem o que está acontecendo.

Gestão empresarial, como os esportes, no mundo todo, deixou o caráter amador há muito tempo. Quem participa não é apenas profissional e nem de alto nível, mas de altíssimo nível. No esporte não basta ser forte e rápido, é necessário ser muito forte e muito rápido!

 Assim também ocorre no mundo empresarial. O tamanho da empresa cada vez importa menos, pois o mercado não é conquistado por aquele que apenas tem a informação, mas por aquele que a usa de forma correta e rápida.

Criatividade é um tema fundamental e mal interpretado no nosso mercado. A avaliação dessa questão é muito simples, basta perguntar: estamos materializando aquilo que criamos? Se a resposta for não, estamos apenas desperdiçando imaginação!

 Nas palavras de Thomas Edison: “Visão sem execução é alucinação”.

 O que torna a gestão empresarial um grande desafio são os seguintes aspectos:

  • A cada ano nosso trabalho se torna mais complexo;
  • Os negócios estão muito mais competitivos;
  • Funções exigem cada vez mais especialização;
  • A instabilidade das carreiras tem aumentado substancialmente;
  • Os objetivos são cada vez mais desafiadores;
  • Os orçamentos estão mais apertados;
  • Os prazos apertadíssimos;
  • O ritmo das mudanças muito acelerados.

 Como nesse mundo louco podemos desenvolver expertise, de forma rápida, quando a falta de qualificação é tema do dia?

 Reconhecendo que precisamos repensar a empresa. Isso não significa que fará uma revolução, mas que dedicará, pelo menos, algum tempo à reflexão.

 Alguns setores de nossa economia sofrem com a invasão de produtos importados. Impostos, taxas cambiais, juros altos são fatores que os tornam menos competitivos, mas há aspectos internos nas empresas que precisam e podem ser melhorados.

 Faça a seguinte averiguação: escolha um número interessante de empresas de setores que sofrem neste momento e envie aos seus gestores um convite para que se reúnam para conversar e debater o futuro da organização. Verá que pouquíssimos aceitarão o convite.

Observe que a sua proposta não é de transformação, mas de reflexão!

Um amigo consultor chamava a atenção para uma frase muita usada para “declinar” um convite para reflexão: “não temos nenhuma necessidade específica”.  Ora – dizia ele – será que as pessoas não se dão conta que falamos em termos estratégicos e não operacionais?

 Não, não se dão conta. Gestão no nosso mercado tem inclinação operacional, não estratégica. Nossa cultura empresarial é imediatista. Razões para explicá-la não faltarão!

 Quando gestores voltam de suas viagens à China e nos falam sobre suas observações, a maioria está focada em chão de fábrica. Raramente há uma abordagem estratégica.

 Note que entre nossas empresas poucas estão se dedicando a criar uma marca forte, e raríssimas estão voltadas a “pensar” como tornar o seu produto mais barato que todos os concorrentes para conquistar mercado também no exterior. Com isso perdem espaço para as grifes e produtos baratos (commodities) importados. Que mercado resta para ser explorado?

 Capitais sempre foram nômades, agora as empresas os acompanham e estarão instaladas onde os custos apresentarem vantagens competitivas.

Algumas pessoas poderão dizer que sempre foi assim, mas não. Há uma diferença fundamental: as empresas se instalavam onde os mercados eram fortes compradores ou emergentes, mas a instalação agora tem o caráter produtivo.

 Você poderá perguntar: – Vai vender para quem?

 Simples: para o mundo todo!

 Você acha que essa é uma decisão estratégica ou operacional?

Os atos de pensar e debater são complexos, pois como nos diria o humorista e escritor americano Steven Wright: “Acabei me perdendo nos pensamentos. Era um território desconhecido…”

 Louis L’Amour nos alertaria: “Quanto mais aprendemos, mais compreendemos nossa ignorância”.

 Pensar, debater, criar… materializar!

 O Brasil só será Maior se o futuro não for menor, e este temos que criar!

 E você, tem conversado com especialistas sobre a criação do futuro da sua organização ou ainda não tem “uma necessidade específica”?

 Ivan Postigo

Diretor de Gestão Empresarial

Articulista, Escritor, Palestrante

Postigo Consultoria Comunicação e Gestão

Fones (11) 4526 1197 / (11) 9645 4652

www.postigoconsultoria.com.br

Twitter: @ivanpostigo

Skype: ivan.postigo

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