Zé Iscritório em: A Bicicleta do Sr. Ronaldo

Por Pedro Paulo Galindo Morales

Em todo escritório sempre existe àquela hora do cafezinho ou lanche onde além de matar aquele ronco que da no nosso estomago de três em três horas serve também para colocar a conversa em dia.

Perto daqui existem varias lanchonetes há entre elas a do “Seu” Ronaldo um senhor já de seus 50 poucos anos que esta há muito tempo fornecendo lanches para os escritórios da redondeza.

A trajetória do Sr. Ronaldo não difere muito das demais. Começou há cerca de 20 anos vendendo lanche em uma bicicleta depois de ser demitido de uma empresa metalúrgica. Tempos difíceis onde o emprego era raro para quem tivesse mais idade. Com um bom atendimento foi conquistando os clientes, com suas entregas bem humoradas, fazia questão de oferecer qualidade, seu catechupe e maionese eram de primeira e o pão era de ótima qualidade sem contar a salsicha que era da marca líder do mercado. Assim ocorria com os salgados e bolo feitos pela sua esposa que acordava de madrugada para fritar as guloseimas e fazer os bolos de laranja, chocolate, baunilha…. .

O tempo passou e Ronaldo inspirado pela “turma” dos escritórios que ficavam perto dali colocou o nome em sua bicicleta de MC Ronald’s, o pessoal gosta de uma brincadeira. Mas o negócio foi se tornando cada vez maior e Ronaldo partiu para o aluguel de um ponto comercial bem na frente de onde ficava sua bicicleta que foi reformada e guardada como lembrança.

Com a bicicleta Ronaldo “estudou” como ele mesmo fala um casal de filhos, Ronaldo Filho formou-se em Administração e hoje ajuda o pai a cuidar da rede de lanchonetes, pois são 4 lojas pelo centro da cidade.

Ronaldo Filho, pensando em dar uma nova forma ao negócio passou a fazer um programa de redução de custos, além de cortar os mimos dos clientes como balas ou doces como forma de fidelizar os clientes. Começou a comprar ingredientes de baixa qualidade para os sanduiches e salgados e a reestruturação administrativa se encarregou de dispensar dois funcionários antigos que ganhavam bem e conheciam a clientela como ninguém até adivinhavam os pedidos, tudo isso como Ronaldo Filho dizia era para enfrentar a crise e a competitividade de mercado.

No começo os lucros começaram a aparecer e foi um sucesso, mas passado alguns anos Sr Ronaldo começou a sentir a falta de clientes que o acompanhavam a muito tempo e as vendas caíram tanto ao ponto que tiveram que fechar uma das lojas. Então ele decidiu por conta própria pesquisar o que estava acontecendo com os clientes.

Eu como era frequentador assíduo desde os tempos que vinha ao escritório com meu pai fui um dos entrevistados. Falei para ele que deixei de fazer pedidos para sua lanchonete devido à qualidade de seus sanduiches não serem a mesma e a dificuldade de fazer um pedido já que agora quem os atendia era uma central de atendimento e o fato de ter um pedido mínimo para ficar isento de taxa me incomodava.

Sr. Ronaldo entrevistou muitas outras pessoas e anotou tudo que ouviu e foi falar com seu filho.

-Ronaldo Filho estive pesquisando e descobri que a nossa clientela já não é mais fiel.

– Pai, não é bem assim, nossas vendas estão caindo porque o mercado esta muito competitivo , nossas ameaças agora são mais fortes e não temos como “paparicar” os clientes, temos que diminuir o custo por clientes e fazer uma reengenharia , estamos em crise!

-Sim, mas nossos clientes antigos se afastam cada vez mais por causa da qualidade e entrega de nossos lanches e a crise era muito mais braba a entrega sempre foi um diferencial.

– Conversa Pai a entrega só gera é prejuízo é melhor acabar com ela para ajudar a reduzir custos e enfrentar a crise.

Ronaldo não se conteve, foi ao deposito pegou a velha cargueira e colocou no meio da loja e disse:

-Meu filho no começo era apenas esta bicicleta e hoje são três lojas, essa é a minha medida do sucesso pra mim nunca teve crise, mas sim momentos difíceis. Agora vamos atender os clientes como sempre atendemos.

Deu um grito para dentro:

-Vamos às compras, quero tudo de boa qualidade e avisem nos escritórios e ao Iscritório  que a entrega do MC Ronald’s voltou a ser o que era. E você filhão continua controlando o custo, que é muito importante, mas não é tudo. È como disse um tal de Plauto (dramaturgo romano)  “Quem busca lucro, tem de fazer despesa.”

Meu nome é Zé Iscritório e gosto de escrever sobre o que acontece no mundo dos escritórios.

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