Ninguém é de ferro

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Ambição, egoísmo e competição são valores inerentes ao sistema capitalista. Uma dose forte de individualismo tempera esses valores e empurra as pessoas para empreender (começar um novo negócio), para inovar (novo negócio, nova tecnologia, novo produto, nova estratégia) ou para simplesmente prosperar (crescer, ganhar mais). Desde crianças, somos estimulados a ser os melhores, a andar à frente, a chegar primeiro, a tirar as melhores notas, a vencer. É assim na brincadeira, na família e na escola. Conscientemente ou não, a sociedade nos estimula a competir (muito mais do que a colaborar). No mundo dos negócios, essa motivação empreendedora que impulsiona a pesquisa, a inovação, o investimento, mais empregos e progresso costuma ser chamada de “espírito animal”. O resultado final é um jogo onde todos buscam atingir objetivos individuais e defender seus interesses.

O mundo dos negócios é uma competição contínua, permanente. Empresas competem entre si por clientes e por fatias de mercado. Dentro das empresas, profissionais também competem por reconhecimento, por promoção ou por simples busca de realização pessoal e profissional. Competem e também colaboram, claro, no trabalho em equipe e na luta pelo alcance e superação de metas. A competição entre pessoas dentro da mesma empresa é inevitável e necessária e útil como elemento estimulante. É papel dos líderes de cada setor e de cada empresa coordenar esse impulso com boas regras, boa comunicação, espírito de equipe e compromisso com a “causa maior”, a empresa. É preciso reconhecer e homenagear os empresários e os executivos que conseguem fazê-lo com bons resultados, criando um clima e uma cultura que, ao fim e ao cabo, só favorecem o desempenho da empresa e a carreira de cada um.

Identificar o nível de pressão saudável sobre as pessoas para mantê-las focadas, motivadas e comprometidas é uma competência decisiva. Alguns erram nessa calibragem para menos, e a equipe se desmotiva, se dispersa e perde o compromisso. Outros erram na calibragem para mais. E pressionam demais. Uma pesquisa recente de uma associação de trabalhadores em empresas do ramo financeiro mostrou que dois em cada três bancários se sentem assediados, vítimas de “bullying”, viveram situações de humilhação ou constrangimentos de vários tipos. Uma parcela expressiva dos casos é atribuída ao excesso de pressão exercida pelos chefes, mas muitos sofrem por causa de colegas do mesmo nível.

O ambiente de trabalho (o clima) é decisivo na qualidade da vida das pessoas assim como é decisivo para o desempenho da empresa. Uma bronca imerecida ou exagerada, uma piada inconveniente ou de mau gosto, um apelido pejorativo e discriminatório, uma descortesia continuada, uma pressão desproporcional são episódios aparentemente irrelevantes para quem os promove, mas não são para quem os sofre. Podem se repetir, se ampliar e tomar dimensões emocionais devastadoras. Afinal, como dizem os colunistas sociais, ninguém é de ferro.

ISRAEL ARAÚJO
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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2 Responses to Ninguém é de ferro

  1. Ricardo disse:

    Vejo que a competição é exatamente como foi demonstrada no início do texto. O conflito e a dificuldade da empresa, acredito que seja condicionar o profissional a assumir a causa, manter um ambiente saudável entre outros funcionários e na própria vida pessoal. Todos os motivos importantes para uma alavancagem de gestão.

    • editor do Site disse:

      Ricardo,
      Realmente um ambiente saudável alavanca toda a empresa e a vida pessoal. Quando tratamos as pessoas com gentiliza, cordialidade e justiça, conseguimos encontrar a diferença entre os dois tipos de ambição. Ambição boa, quando é aquela vontade de crescer para ajudar os outros e a ambição má quando apenas queremos crescer para ser o melhor ou por questão de egoísmo ou por questão de maldade.

      Obrigado por ler o Falando de Gestão.
      Pedro Paulo Morales

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