O gerente-geral está com dias contados?

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

Você consegue imaginar a sua empresa sem a presença do gerente-geral? Pois é, esta é uma das provocações (e previsões) feitas por Lynda Gratton, respeitada professora de gestão empresarial da London Business School, em seu livro The Shift (A mudança), que ainda não chegou traduzido nas prateleiras brasileiras. Lançada no Reino Unido há pelo menos dois meses, a publicação de Gratton ainda provoca algumas calorosas discussões entre os especialistas da área de gestão aqui na terra da Rainha.

No cerne das discussões, a conclusão da autora, em um dos capítulos, de que as mudanças no mundo dos negócios devem levar à inevitável “morte da gerência média”. Ou melhor, do gestor que está no meio da pirâmide empresarial, à frente de pequenas e médias equipes – o conhecido gerente-geral.

O tema gera polêmica pois surge em um momento em que as empresas começam a compreender a importância da formação de novos líderes dentro da própria organização e da boa gestão de pessoas como fator determinante para um bom clima organizacional e uma produtividade eficaz e de qualidade.

“MORTE PROFISSIONAL”

1 Lynda Gratton prevê “a morte profissional” daquele gerente-geral que sabe um pouquinho de tudo (nada específico) e que está no posto para apenas assistir a produção dos colaboradores de sua equipe e dar feedbacks (retornos).

Para ela, eles são geralmente entes burocráticos que podem ser facilmente substituídos pela tecnologia, que por sua vez, pode cumprir o papel de monitorar a equipe, dar feedbacks (retornos) instantâneos e até gerar relatórios e apresentações. Além disso, segundo Lynda Gratton, os membros mais qualificados das equipes são cada vez mais “autogeridos” – em especial, os caçulas do mundo corporativo, a geração Y.

Em tempos de crise econômica, esse pensamento começa a ganhar força aqui na Europa. Para ter uma ideia, a publicação britânica The Economist trouxe a informação que a gigante do setor financeiro Lloyds Banking Group anunciou o corte de 115 mil gestores médios com a intenção de poupar 1,5 bilhão de libras ao ano.

AINDA NÃO

2 Para mim, as organizações ainda têm espaço para esses profissionais. Especialmente para aqueles com boa qualificação. É bom destacar que são eles que lidam diretamente com os colaboradores, um dos ativos mais importantes das empresas. Sem eles (motivados, claro) não há produção. Segundo o instituto de pesquisas britânico Economist Intelligence Unit (EIU), são as ações desses gerentes que determinam, em boa parte, o nível de satisfação e motivação dos colaboradores dentro das companhias do Reino Unido. E o Brasil, neste sentido, segue a mesma tendência.

Portanto, eliminá-los simplesmente da pirâmide empresarial, tal como deve ser feito pela Lloyds Banking Group, não me parece boa ideia. Mas devo concordar com a professora Lynda Gratton de que os gerentes de perfil burocrata serão eliminados naturalmente da cadeia evolutiva do mundo empresarial. Mas não porque ocupam o cargo de gerente-geral, mas porque não acompanham às exigências de um mercado de trabalho cada vez mais exigente.

HORA DO CAFEZINHO…

3 O ambiente de trabalho é recheado de tipos bem particulares. Um deles é aquele funcionário que diz “saber de tudo” que passa no escritório e tem a cada dia uma teoria conspiratória. Especialmente, quando o assunto envolve as decisões da diretoria. Suas expressões favoritas são: “Estou pressentindo”, “Isso quer dizer, nas entrelinhas”, “Lá vem bomba, se prepara”, entre outras pérolas. Tem gente que de fato tem faro para “pressentir” certas situações, mas o “olfato” pode trair os mais habilidosos ou convictos. Esse tipo de comportamento tanto pode não ter efeito nenhum no ambiente de trabalho como pode parar na sala da diretoria (dependendo do nível, gravidade e dimensão da teoria conspiratória). Por isso, uma dica: não alimente um “sabe-tudo” na hora do cafezinho – digo, não nutra a sua fértil imaginação.

MINUTO SABÁTICO

4 Hoje vou indicar um livro para aqueles que não gostam ou acham desnecessários os jargões corporativos (sim, o corporativês que procuro desmistificar a cada semana). Trata-se do divertido “Por que as Pessoas de Negócios Falam como Idiotas” (Why business people speak like Idiots), da Editora Best Seller. A publicação mostra o quanto muita gente do ambiente corporativo gosta de abrir a boca para dizer frases prontas e expressões muitas vezes vazias (especialmente, durante aquelas palestras com PowerPoint). E o pior, acham que estão arrasando. O livro não é tão novo assim (2007), mas ainda pode ser encontrado em algumas livrarias e sites.

CORPORATIVÊS

5 Numa reunião com a diretoria, você é encarregado de “brifar o capital de conhecimento” do seu setor para o novo projeto da empresa. Em síntese: você deverá relatar o quanto a sua equipe está preparada, em termos de experiência e conhecimento, para dar andamento ao projeto.

Sandra Nagano

Jornalista da área econômica

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo on Line

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