Falando da Semana que Passou

Resumo comentado das notícias da semana

Fonte: Blog da Miriam Leitão

BC surpreende e baixa juros – A notícia mais importante da semana na área econômica foi a redução da taxa de juros. Não pelo fato em si, mas pela maneira como foi feita. Surpreendeu os analistas porque a inflação está acima do teto da meta, a inflação de serviços e de alimentos em torno de 9%.

Houve demostrações de pressão sobre o Banco Central – como havia no governo passado – só que desta vez a impressão que fica é que o BC cedeu. Seria mais coerente que diante do quadro externo – que de fato piorou – e diante das elevações anteriores de juros, o BC esperasse para ver. Mas ele reduziu meio ponto com a diretoria dividida. A dúvida nesse momento é se está em vigor ainda o regime de metas de inflação.

PIB do 2º trimestre – Dados do IBGE divulgados hoje mostram que a economia brasileira cresceu num ritmo menor no segundo trimestre, principalmente por causa da indústria. A desaceleração era esperada.

O PIB avançou 0,8% em relação aos três primeiros meses de 2011, quando a alta havia sido de 1,2% (dado revisado). Na comparação com o mesmo período do ano passado, a economia também cresceu menos, 3,1%.

O destaque ficou com os serviços, que cresceram 0,8%, taxa inferior, no entanto, à do primeiro trimestre (1,1%). Já a indústria avançou só 0,2%, bem menos do que os 2,2% anteriores. O consumo das famílias e os investimentos cresceram numa velocidade maior. E as despesas do governo continuaram em alta (1,2% no segundo trimestre).

Superávit primário maior/ Pressão para baixar juros – Um dia antes de o Copom decidir sobre a taxa de juros, o governo anunciou elevação do superávit primário em R$ 10 bi, mas ficou claro que não houve corte de gastos, mas sim a decisão de deixar de gastar um extra que recebeu.

O ministro Guido Mantega fez o anúncio como se fosse um grande ajuste e disse que a iniciativa abria espaço para a queda dos juros. A pressão sobre o BC não deu trégua; a própria presidente defendeu a queda e, no dia seguinte, não deu outra.

Mudança no IBGE – Sai Eduardo Nunes e entra Wasmália Bivar. Não foi divulgado por que Nunes deixou o cargo. Que seja mantida a independência do órgão, que é vital para o Brasil e não pode ser usado politicamente.

Orçamento para 2012 – No mesmo dia em que o BC tomou a decisão dos juros, dizendo que a economia estava desacelerando, o Orçamento que foi enviado ao Congresso previa crescimento de 5% no ano que vem. O Ministério da Fazenda falou em rigor fiscal, e o do Planejamento mandou um Orçamento prevendo aumento forte nas despesas. Há muita contradição nos cenários do governo. Parece que eles não conversam entre si.

O valor do salário mínimo em 2012 foi fixado em R$ 619,21, o que representa um aumento de 13,62%. Mas pode ser mais se a inflação ficar acima de 5,7% no ano.

CPMF volta a rondar – Durante a campanha, a presidente Dilma Rousseff prometeu que não aumentaria impostos, mas já se fala na volta do imposto do cheque. Ela defendeu a “CPMF sem desvios para outros setores”, como “O Globo” deu hoje, para financiar a saúde.

Combustíveis – A cada tentativa de o governo consertar o problema, ele se agrava ainda mais. Nesta semana, foi anunciada a redução do teor do álcool anidro na gasolina, de 25% para 20%, mas isso não resolve. Por vários fatores, inclusive climáticos, a produção de cana está abaixo da média histórica, e o país está importando etanol.

Outro grave problema é o congelamento dos preços da gasolina por parte da Petrobras, que está importando o produto a um preço mais caro do que vende. Ou seja, o governo está subsidiando o consumo de um combustível fóssil para tentar controlar artificialmente a inflação.

EUA – Mais uma má notícia sobre a economia americana: a criação de emprego ficou estagnada em agosto, quando se esperava aumento de vagas. A taxa de desemprego, no entanto, permanece em 9,1%. O dado ruim repercutiu nas bolsas americanas e europeias.

Perdas no jornalismo – Esta foi uma semana difícil para nós. Perdemos duas referências, Rodolfo Fernandes, diretor de Redação de “O Globo”, e José Meirelles Passos, repórter do jornal e ex-correspondente de “O Globo” nos Estados Unidos que, de volta ao Brasil, continuava trabalhando com garra e ensinando aos mais jovens.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: