Um mundo terceirizado

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

PROFISSIONAIS

O Brasil hoje é uma economia em franco desenvolvimento e crescimento, com uma invejável posição mundial nesses tempos de crise na Europa e nos Estados Unidos. No economês,”crescimento” significa, entre outras coisas, mais indústrias, mais produtos e serviços, mais consumidores, mais empregos. Mas um dos principais combustíveis deste rápido crescimento já começa a faltar. O País já vem sofrendo a escassez de mão-de-obra para atuar em algumas áreas que vão desde o chão de fábrica até os setores mais especializados como o da tecnologia da informação, da engenharia e do setor petrolífero. Diante disso, muitas empresas estão até importando profissionais. Mas a terceirização da mão-de-obra ainda tem sido uma das soluções mais “fáceis e rápidas” encontradas pelas companhias que buscam um “pacote completo” de X funcionários por um custo Y. Entretanto, nem sempre essa tem sido a melhor resposta para esse problema.

Visão unilateral

A terceirização no Brasil começou a ser adotada pelas empresas no final dos anos 80 e início dos 90, em um difícil momento econômico. O objetivo de sua implantação era o de cortar custos fixos, trabalhistas e previdenciários. É aí que nasceu o grande problema da terceirização no País. Até hoje, muitas empresas se utilizam desse sistema unicamente com este mesmo fim, sem atentar para a eficiência da medida nas relações de trabalho – o que vem gerando muitas ações trabalhistas – e na produtividade. Com a terceirização, além do cortes de gastos, as empresas podem, por exemplo, aproveitar para focar em sua atividade central e melhorar a qualidade de seus produtos ou serviços.

Terceiro, mas não o último

Mas as empresas contratantes devem lembrar que, embora não tenham vínculo direto com os colaboradores terceirizados, elas têm certas responsabilidades. E a falta de informação tem gerado muito trabalho aos escritórios de advocacia. De acordo com o advogado especialista em Direito Trabalhista do escritório Manhães Moreira Advogados, Fernando Borges Vieira, às implicações da súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST). “É fundamental esclarecer que as empresas contratantes poderão responder por dívidas trabalhistas e previdenciárias de empregados que trabalhem em suas instalações, mesmo que estes sejam vinculados a empresas de prestação de serviços”, afirma o advogado. “Por falta de conhecimento da empresa, o barato pode sair caro. Por isso, é de suma importância que o contratante dos serviços realize o monitoramento mensal da empresa prestadora de serviços, com a finalidade de verificar, por parte desta, o cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias”. Portanto, o empregador deve estar de olho nas condições de trabalho de seus colaboradores, sejam eles diretos ou terceirizados.

HORA DO CAFEZINHO

1 Cada vez mais somos bombardeados por centenas de informações diariamente. No mundo dos negócios, isso é claramente notado. São e-mails, mensagens de texto no celular, telefonemas, reuniões, relatórios para ler e aquela atualização diária (quase em tempo real) das informações que rolam na Internet. Tudo pode parecer imprescindível, mas a verdade é que podemos filtrar o que realmente necessitamos. Ou, simplesmente, aproveite a hora do cafezinho para desanuviar e relaxar um pouco a mente.

MINUTO SABÁTICO

2 Nas livrarias britânicas, uma publicação chama a atenção dos mais desavisados e devotos: Madre Teresa, CEO. Os autores Ruma Bose e Lou Faust a descrevem como um exemplo de liderança e, especialmente, de carisma que deve ser seguido pelos executivos. Isso porque, neste livro, Madre Teresa não somente é o símbolo de caridade e de altruísmo, mas também de liderança corporativa. Uma relação um tanto estranha e apelativa, mas que o mundo das publicações corporativas sempre tem espaço.

CORPORATIVÊS

3 Não é segredo para ninguém: o corporativês nada mais é que o irmão mais pomposo do famoso “enrolation”. Por exemplo, se o seu chefe, durante a reunião semanal, disser que o seu setor “estrategicamente passará a ser uma importante Outsourcing” da empresa, ele quer dizer que o seu setor será terceirizado.

Sandra Nagano

Jornalista da área econômica

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O Povo online

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: