Vestir a camisa

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Uma empresa tem pelo menos quatro áreas de direção: administrativa, financeira, de produção e comercial. Em cada uma dessas áreas há normalmente pelo menos três níveis numa escala hierárquica. E em pelo menos dois desses níveis, cada uma das muitas pessoas, todo dia, toda hora, tem que planejar, comandar, executar e controlar, ora concentrando-se mais ou menos numas dessas tarefas. E cada uma desdobra-se em várias outras. Essas pessoas precisam relacionar-se umas com as outras todo dia, semanas, meses e anos seguidos. São humores diferentes, perspectivas diferentes. Nem é preciso temperar o ambiente com pequenas indiscrições, falhas de comunicação, sutis disputas de poder ou simplesmente de atenção, deslizes da chefia, injustiças de promoções, para admitir que é necessária alguma ação de gestão, de acompanhamento e de controle no clima de toda empresa.

Veja-se pelo lado positivo: os colaboradores de uma empresa são os soldados de um exército. É preciso mantê-los cientes de sua missão, lembrá-los frequentemente de que há regras básicas, que todos precisam estar bem dispostos, treinados, armados e dispostos a lutar cada vez mais e melhor por um certo bem maior. Convém manter os soldados preparados, atentos, motivados para a luta e satisfeitos com a sua rotina (sua causa).

Veja-se pelo lado negativo: os colaboradores de uma empresa são os soldados de um exército. É preciso evitar que eles esqueçam quem são, de que lado estão e de qual o papel a ser desempenhado por cada um. Imagine-se o estrago que pode fazer alguém desmotivado e insatisfeito, considerando que trata-se de um soldado treinado, disposto e armado. Convém evitar que haja espaço para ideias mercenárias, de deslealdade, de subversão (por sorte dos empresários, empregados trabalham desarmados).

O sonho de muitos empresários e executivos-chefes é que os colaboradores “vistam a camisa da empresa”. Essa figura lembra o amor e a lealdade que as pessoas têm às suas paixões esportivas. O time de futebol pode vencer ou perder, ser campeão ou ser rebaixado, você nem cogita de mudar, qualquer mínima ideia nessa direção é rapidamente afastada como traição inaceitável, sem perdão. Quando o time vence, você é campeão, a vitória é sua, ou também é sua. Quando o time perde, você sofre, mas no dia seguinte levanta a cabeça e volta a defendê-lo com ardor.

Outros querem que a empresa opere como uma escola de samba. Trabalham como formiguinhas o ano inteiro, aprendem a cantar o samba-enredo e botam coração até chegar à apoteose. Outros querem apenas que todos os seus colaboradores toquem como uma orquestra. Mas, se você não é um time de futebol, uma escola de samba ou uma orquestra, mas apenas uma empresa onde as pessoas trabalham para se realizar e sustentar suas famílias e dar sentido a suas vidas, as suas chances são maiores ou menores? Em qual dos quatro casos você tem um ponto de partida melhor?

Israel Araújo
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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