Ageless – O jovem de cabelos brancos

Por Flávio Emílio

Tenho um amigo que estava ansioso para se aposentar. Iniciou, inclusive, uma ‘contagem regressiva’ rumo ao tão sonhado dia… Os meses foram passo a passo sendo vencidos, até que chegou o mágico momento! Euforia e uma sensação indescritível de liberdade tomaram conta de seu ser… Nada de horários rígidos para cumprir, nada de chefe, nada de pressão para alcançar metas, nada de normas e procedimentos, nada de roupas formais e gravata… Tudo isso passava a figurar no passado. A vida, a partir daí seria devotada ao mais completo e absoluto ócio!

Em casa moravam apenas ele e sua esposa, já que os filhos já eram adultos e independentes. O casal tomou, então, a decisão que povoa os sonhos de boa parte dos brasileiros: ‘morar na praia’! Vejam bem: eu não falei em passar uns dias numa casa de praia e sim se mudar e viver lá.

Organizaram seus pertences de uso pessoal, eletroeletrônicos, desativaram a geladeira e rumaram para o litoral!

Os primeiros meses foram, de fato, muito bons – banhos diários de mar em águas mornas, caminhadas na areia branquinha da praia, cochilos à tarde, leituras, momentos a dois…

Mas tudo aquilo começou a virar rotina. Os dias foram ficando cada vez mais monotanamente iguais. A sensação de liberdade foi dando lugar a um estranho sentimento de aprisionamento…

A maioria de nós tende a idealizar uma casa à beira mar como um lugar movimentado, alegre e cheio de gente num sábado de sol, feriadão ou férias. Ninguém lembra da casa de praia numa noite chuvosa de quarta feira do mês de maio. Mas o casal estava lá…

Um dia, meu amigo acordou resoluto e tomou uma decisão: “vamos voltar à cidade”, disse ele. Sua esposa não disfarçava a felicidade em ouvir tal proposta. Sem demora, arrumaram a bagagem e rumaram de volta ao apartamento da urbe, fechado a exatos 11 meses.

Mais tarde ela me confidenciou que não aguentava mais a rabugice do marido – ele ficou reclamão, chato e implicante. Por isso, ela não pestanejou para voltar para ‘casa’.

Outra decisão importante tomada por ele foi voltar ao mercado de trabalho, dessa vez com uma jornada mais light. Todos aqueles meses na praia o fizeram se sentir inútil aos 60 e poucos anos – um absurdo no século 21. Não demorou a conseguir trabalho novamente. Na verdade, ele nunca deixou de receber convites durante os meses que se isolou em seu refúgio praiano.

É exatamente aí que surge um termo novo: ageless ou ‘sem idade’ em português. Termos como velho, idoso e terceira idade têm sido subvertidos e detonados sem dó por um grupo de profissionais que desafia e vence o tempo. Gente ativa, produtiva, criativa e motivada aos 60, 70, 80 ou mais.

O fenômeno ageless é resultado dos avanços das ciências da saúde e de uma mudança de mentalidade. No século passado, quem tinha 40 anos, pensava e agia como se tivesse 50. Os cinquentões agiam como se fossem pessoas com 60 anos e assim por diante. Hoje a conta é ao inverso: quarenta na idade, pode significar 30 no espírito. Cinquenta vira 40 e assim por diante!

As empresas vem assimilado com euforia os ‘jovens de cabelos brancos’. Enxergam neles vantagens competitivas irresistíveis como a independência e o tempo disponível do jovem, aliada à experiência prática, diplomacia e atitudes prudentes de pessoas maduras. Quando esse mix de competências recebe pitadas de atualização tecnológica fica perfeito!

Arrisco-me a fazer uma previsão: o mundo será cada vez mais ageless. O casal de amigos descrito nesse post é prova disso.

Quanto à casa de praia, sua esposa tem gerenciado anúncios de aluguel por temporada. A clientela é formada principalmente de jovens executivos estressados e suas famílias que vão relaxar à beira mar. Quem é ageless não se estressa fácil – ganha dinheiro ajudando a tratar as crises dos outros!

Flávio Emílio Monteiro Cavalcanti é administrador e Mestre e Gestão de Recursos Humanos trabalha como professor universitário e consultor organizacional.

http://dropsdecarreira.com.br/blog/

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