O líder-aprendiz

 

 

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras

“Caio vivia da música. Tocava bateria como poucos músicos. Ele, realmente, nasceu para isto. Era tão bom no que fazia que foi convidado para ser professor em um projeto assistencial em sua cidade. Caio sabia que era bom e aceitou.

Chegou o dia de Caio conhecer seus alunos. Era tímido. Caio disse ‘bom dia’ e ressaltou que todos deviam prestar muita atenção em tudo o que ele dizia. Afinal de contas, ele era o professor e eles estavam ali para aprender.

Gisela, Antonia, Felipe, Betão e Pedro eram seus alunos.

Gisele era muito alegre e conseguia enxergar prazer em tudo que fazia. Como era bom conviver com Gisele.

Antonia era detalhista. Chegou até a perceber um erro em uma das  vezes que Caio, o professor, ensinou uma música nova. Mas não falou nada. Caio era muito fechado e de pouca conversa.

Felipe era organizado. Demais. Um dia, Caio chegou e todas as partituras estavam ordenadas por data em cima de sua mesa. Caio não deu atenção, claro. Estava ali para ensinar e não iria se distrair com bobeiras.

Betão, o assistencialista. Nunca se conhecera uma pessoa mais prestativa. Sempre dava carona para os colegas na volta das aulas de bateria. Sentia-se bem com isso.

Pedro. Ah, o Pedro. Este era inesquecível. Pedro tinha dificuldades no aprendizado. Era disperso e o mais repreendido por Caio. É, Pedro talvez tivesse que permanecer nas aulas por mais tempo que seus colegas e iria demorar um pouco mais para aprender a tocar este instrumento. Mas tinha uma coisa que Pedro era Mestre: perseverança. Sabia de sua dificuldade, mas estava lá. Seu sonho era ter uma banda de rock. E teria.

O triste, nisto tudo, foi que Caio nunca prestou atenção em seus alunos. Queria ensinar e era isto o que fazia. Com o tempo, uns mais e outros menos, todos seus alunos tornaram-se bateristas profissionais.

E Caio? Caio continuou sendo apenas o professor. Podia ter reconhecido que seus alunos, apesar desta condição, também tinham o que ensinar. Caio, hoje, podia ser um professor alegre, detalhista, organizado, assistencialista e perseverante. Mas Caio continuava sendo, apenas, um professor.”

A liderança é uma fase afortunada na vida de um profissional. Mais do que ensinar e promover o crescimento de seu negócio e liderados, é a etapa mais oportuna para novos aprendizados. Isto porque os elos pessoais tendem a fortalecer e o contato maior com as pessoas facilita a troca de boas práticas, naturalmente.

Insano aquele que acredita em uma liderança de imposição de ordens e estilos.  O líder tende a falar, ordenar, comandar, dirigir e pouco, muito pouco ouvir, aceitar e permitir. Práticas que fortalecem o ensinar mas que inibem o aprender. E um líder que se
limita ao seu prévio repertório sem intenção de melhorá-lo, em breve, muito em breve, se tornará um líder obsoleto. E um líder obsoleto não ensina nada.

O líder-aprendiz renova seus conhecimentos e mantém-se sempre pronto a ensinar e extrair do outro o que ele tem de melhor. Um aprendizado contínuo e renovável.

Oh, meu povo, liderança não é a máxima profissional. É uma etapa e não o fim do topo.

Abraços e até mais,

Kelly Cavalcanti Gallinari – Coach

www.ecoach.com.br

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: