Mercado cria empregos; economistas destroem

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

A maioria das pessoas sensatas compartilha da opinião de que a proteção exagerada não contribui para o desenvolvimento adequado de um jovem, podendo impactar negativamente na formação do caráter e da personalidade daquele que será um dia responsável pela tomada das suas próprias decisões, e arcará com as consequências. O mundo inteiro testemunhou o desenvolvimento da Coreia e da China. Hoje potências mundiais entre as mais desenvolvidas, já foram, trinta anos atrás, mercados fechados e protecionistas. Resolveram abrir suas portas para o mundo. “Deixe vir a concorrência, vamos aprender com ela e motivar a indústria nacional a acompanhar as novas tecnologias”. O resultado todo mundo sabe: a China financia um terço da dívida interna americana e é o país que mais fabrica carros no mundo.

O que a maioria das pessoas não sabe é que apenas 44% dos carros fabricados naquele país são efetivamente chineses. O restante é estrangeiro, incluindo japoneses, alemães, ingleses, americanos e outros europeus tradicionais nesse segmento e depois distribuídos mundo afora, sem, obviamente, dizer onde foram fabricados. A abertura das fronteiras não gerou desaceleração da indústria; pelo contrário, a fomentou. Não espantou investidores, atraiu-os. Não gerou desemprego pelo produto importado; pelo contrário, gerou concorrência e empregos. E os salários cresceram em virtude da concorrência pela mão de obra.

Na última semana, o Governo Federal resolveu aumentar em consideráveis 30 pontos o IPI de carros importados. Para os menos esclarecidos, a medida protege a indústria nacional e garante empregos. Mas, para os brasileiros pensantes, essa cartada tem consequências desastrosas no curto, médio e longo prazo. Para começar, a medida gera insegurança em investidores no Brasil, pois os faz pensar duas, três ou mais vezes em colocar suas fábricas aqui. Afinal, uma medida tão circunstancial mostra o poder público demasiadamente sensível a argumentos e a interesses muito específicos. A desculpa é que os carros importados são muito baratos, mas a verdade é que os nossos é que são caros. Existe muito mais sob essa cortina de fumaça. Sobretudo, induz que os preços internos não subirão, mas, nada garante sobre isso; e dispensa a indústria local de pesquisar, avançar e melhorar.

Neste momento, o Brasil tem a mais baixa taxa de desemprego de sua história recente: seis por cento. Isso foi consequência de medidas de abertura da economia brasileira tomadas lá atrás. É engano pensar que isso é consequência da política econômica de hoje. Como disse (creio) Nelson Rodrigues, “o subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”. Vamos torcer para que o reflexo não seja tão negativo. Seria estranho o governo destruir empregos que o mercado criou.

Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

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