Em tempos de greve

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

MOVIMENTOS

Não vou dedicar esse espaço para discutir a legitimidade das greves e paralisações, nem sobre como elas podem influenciar a vida da população. Até porque quase sempre estão em jogo muitos interesses e objetivos diversos. Mas o que eu gostaria de tentar mostrar aqui é como empregadores e colaboradores grevistas deveriam fortalecer seus canais de diálogo, bem como evitar que a situação chegue a um nível extremo das relações trabalhistas: quando o canal de comunicação é cortado por pelo menos uma das partes envolvidas. À princípio, as greves e paralisações irrompem quando uma crise já está instalada dentro da empresa. Ou seja, quando empregadores e colaboradores – geralmente, representados por suas classes representativas – não conseguem fechar um acordo depois de algumas rodadas de conversações.

Historicamente, as relações trabalhistas (nos velhos moldes patrão-empregado) sempre tiveram muitos momentos carregados de tensões e de acordos difíceis – afinal, os dois lados sempre tiveram suas reivindicações e, teoricamente, deveriam ceder certos pontos de forma equilibrada para manter o diálogo. Essa tensão ainda é fortemente visível, por exemplo, em fábricas, em bancos e nos serviços públicos em geral.

SEM REPRESSÃO

Quando uma greve ou paralisação ocorre, empregadores e colaboradores (concordando ou não com o outro) devem se manter calmos e estarem cientes de que suas funções não é reprimir, nem atacar ou destruir a propriedade do outro. Isso somente acirrará os ânimos e criará uma situação “de guerra” dentro da companhia.

O ideal é que as partes sempre mantenham o diálogo a fim de criar uma atmosfera de confiança recíproca. Assim como o estado de greve é um direito de muitas categorias, o empregador também pode acionar a Justiça para questionar a legitimidade da greve e validar posteriores medidas disciplinares, tais como advertências, suspensões e até demissões por justa causa (em casos extremos). Mas o ideal é que a situação não chegue a esse ponto.

LIÇÕES

Grandes lições podem ser aprendidas durante e depois os tempos de greve. As primeiras, com certeza, surgirão após uma reflexão – de todas as partes – dos erros e acertos nas relações mantidas entre os entes da empresa. Isso pode fortalecer, em termos gerenciais, o trabalho anti-crise dentro da companhia. Afinal, vale a máxima de que “é melhor prevenir que remediar”. Para os colaboradores, essa reflexão ajudará a desanuviar os objetivos e interesses que eles pretendem alcançar em seus empregos ou carreias. À parte os desgastes de uma greve ou paralisação, todos têm muito a ganhar. Basta se atrever a descortinar a vista para as oportunidades de melhorias. Claro, para todas as partes.

HORA DO CAFEZINHO…

A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada o aviso prévio proporcional com limite máximo de 90 dias. De acordo com o projeto aprovado – e que precisa da sanção presidencial para ganhar força de lei -, os trabalhadores com contrato de até 1 ano continuam sob a legislação anterior que prevê 30 dias de aviso. Agora, para os contratos mais longos, serão acrescidos 3 dias a mais de aviso prévio por ano trabalhado. O assunto, com certeza, vem ocupando horas de cafezinho de empregadores, empregados e suas respectivas classes representativas. Muitos empresários acreditam que o aumento dos dias de aviso prévio significará mais custos às empresas. Alguns trabalhadores e sindicatos dizem que isso pode fazer com que aumente o nível de rotatividade dentro das organizações (demissões e admissões), já que para muitas empresas não seria mais interessante, em termos de custos, manter um funcionário por muito mais que 1 ano dentro da organização. Isso, em teoria, poderia trazer instabilidade profissional de muitos trabalhadores e o crescimento de postos informais. Outros, por sua vez, defendem que o custo da grande rotatividade de funcionários seria mais cara que a de uma rescisão de contrato com alguns colaboradores no futuro. Portanto, não incentivaria a rotatividade. Bom, por enquanto, é esperar para ver se a presidente Dilma Rousseff irá sancionar ou não esse projeto de lei. Até lá, haja cafezinho…

MINUTO SABÁTICO

O ano já começa a entrar na reta final. Sim, estamos prestes a colocar o pé (direito, por favor) no último trimestre do ano. Eu sugiro a você começar a traçar as metas (profissionais e da vida pessoal) para o próximo ano. Cedo? O quanto antes você fizer, mais tempo você terá para avalia-las quanto a viabilidade delas. Afinal, é melhor entrar no ano novo com uma lista objetiva do que com um longo rolo de papel com aquelas metas quase impossíveis, que quase nunca são concretizadas.

CORPORATIVÊS

Uma pérola do mundo corporativo: “Diante dessa crise, devemos nos prevenir e nos Upgradear”. Neste contexto, pode se dizer que a empresa está preocupada com a crise e, portanto, pensa em se atualizar em termos de estratégias

Sandra Nagano

é jornalista da área de economia

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

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