O verdadeiro capital: as pessoas

Mundo Corporativo

Sandra Nagano

Esta coluna é publicada as Quintas Feiras

GESTÃO

Nestes tempos de crise, muitos europeus têm se perguntado sobre o motivo da zona do Euro estar afundando em uma “nova” crise. Das muitas interpretações produzidas para o que está ocorrendo, a versão que considero mais próxima do real é que a crise europeia atual nada mais é que a consequência das turbulências de 2008 e 2009, quando os governos tiveram que emprestar grandes volumes de dinheiro público ao setor financeiro para evitar que o mesmo quebrasse. Hoje, por causa desses “empréstimos”, são as contas desses governos que estão no vermelho. Mas com certeza, o setor financeiro não vai ajudá-los a tapar esses rombos. Isso porque ele está novamente na corda bamba.

A DINÂMICA

Com as contas públicas europeias apertadas e a crise de confiança dos mercados, o crédito na praça ficou mais escasso e, então, a população no geral reduziu o consumo e a inadimplência aumentou. Como resultado disso, o dinheiro em circulação vem diminuindo e os cofres dos Estados estão cada vez mais magros. Assim, a economia começa a ir do mal ao pior e os governos começam a cortas gastos em todas as áreas, inclusive as essenciais.

Para conter a crise, governos de todo o mundo têm apelado para que a população volte a consumir, de forma a não deixar que seus países entrem em recessão. Em síntese, hoje, o setor financeiro e os governos precisam muito das pessoas para mover a economia. Mas, é preciso também que existam contrapartidas visíveis e palpáveis para a população, sem as quais ela não poderá fazer muita coisa.

LIÇÕES CORPORATIVAS

Sim, o cenário econômico europeu pode mostrar às empresas o que elas devem ou não fazer dentro de suas organizações. E a lição principal é que quem realmente faz a roda girar, são as pessoas. Uma empresa não vive apenas de números de rentabilidade (como no sistema financeiro). Sem a atenção necessária a elas, os negócios podem sofrer grandes baques e instabilidade. Sim, as pessoas (sejam elas colaboradores, clientes e fornecedores) são o verdadeiro capital das corporações. Motivadas, elas podem fazer a engrenagem girar mais rápida e efetivamente. Pode parecer um clichê, mas não é.

É claro que não basta trabalhar a valorização das pessoas para ter sucesso nos negócios. Uma boa gestão (de pessoas, processos, recursos) pode garantir boas oportunidades à uma empresa. Trata-se de uma lição que o próprio sistema financeiro também precisa aprender.

HORA DO CAFEZINHO…

Não tem jeito. Em quase todas as empresas existirão os “queridos” e os “protegidos” por um ou mais membros da diretoria. Uns os conquistarão pelo carisma, ou pela competência, ou pela força de vontade, ou tudo isso num pacote só. Isso me parece bem natural. O chato da história é quando eles são protegidos não pela sua capacidade, digamos assim, de lidar com o trabalho ou as pessoas, mas pela sua habilidade política de mostrar uma competência inexistente. Apesar de não parecer justo, não gaste tempo da hora do cafezinho para compreender esse fenômeno. Faça seu trabalho (e o mostre) da melhor forma possível. Desde que o mundo é mundo, a política prevalece nas relações humanas. Quem sabe lidar bem com ela, sempre terá uns pontinhos de vantagens sobre os demais.

MINUTO SABÁTICO

Nesta semana indico um livro que, talvez, já esteja faltando nas prateleiras a essa hora. Trata-se de “A cabeça de Steve Jobs”, publicação assinada por Leander Kahney. O livro tenta destrinchar a personalidade do homem que fundou e salvou a Apple da falência, bem como a tornou a maior empresa de capital aberto do planeta. A publicação tenta mostrar os dois lados desse empreendedor global (“Jobs bom” e o “Jobs mau”) para equacionar a fórmula de sucesso de seus negócios. “A cabeça de Steve Jobs” é indicado para aqueles que querem compreender um pouco uma das mentes mais influentes das últimas décadas.

CORPORATIVÊS

“Como poderemos alinhar e criar uma sinergia entre os Stakeholders?”. Quase sempre a pompa do corporativês serve mesmo para complicar. Em síntese, a frase acima significa: como poderemos tornar harmônica a relação entre todas as pessoas e organizações que estão, de alguma forma, envolvidas ou são afetadas por uma atividade da empresa?

Sandra Nagano é jornalista da área de economia

Sandra Nagano
nagano@opovo.com.br

Fonte: O povo on line


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