Por falar em profissionalização

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Há duas semanas, um eminente ministro do Supremo Tribunal Federal fez um desabafo que mereceu pouco destaque na imprensa e na opinião pública. Ele disse: “O serviço público está um caos”. A afirmação surgiu no contexto de discussões sobre o orçamento do Poder Judiciário e sobre tetos salariais, portanto, feita sob pressão de circunstâncias. Mas nada disso diminui a sua gravidade. O pipocar de algumas greves e a iminência de outras acrescenta cores fortes ao cenário em que se situa o serviço público. Ora, se numa empresa privada, normalmente com quatro diretorias, meia dúzia de gerentes e algumas centenas ou milhares de operários, ampla liberdade para decidir e para demitir, o clima azeda e a produtividade cai, imaginem na administração pública.

O Brasil tem trinta e oito ministérios (eram doze nos anos cinquenta, eram 18 nos anos setenta), vinte e seis estados, mais de cinco mil e quinhentos municípios, tudo isso em mais de oito milhões e meio de quilômetros quadrados e uma população de cento e noventa milhões de habitantes. São estimados cinco milhões de servidores públicos nos três níveis. (No Ceará, estimam-se trezentos e dezoito mil servidores). A presidente Dilma Rousseff comprometeu-se em sua posse e nos primeiros dias de seu governo com duas bandeiras: a transparência com o dinheiro público e a profissionalização do serviço público. Ela acaba de assinar com o presidente Barack Obama um compromisso de liderar um programa de abertura do orçamento e da gestão pública. Com relação à eficiência da máquina pública, ela criou grande expectativa ao trazer para sua equipe o empresário Jorge Gerdau que ainda nada disse.

A população de um modo geral, e a juventude em particular, na Europa, no Oriente Médio, na Europa e nos Estados Unidos começou a mover-se de sua posição de comodidade e, usando as redes sociais, abriu uma temporada de protestos. O alvo dos movimentos ainda é incerto, mas tudo indica que a inércia está sendo rompida. No Brasil, também, mesmo que modestamente. Na televisão, um ex-governador do Piauí disse: “Ao assumir, reduzi o número de secretarias de vinte e seis para treze. E reduzi o número de cargos de confiança de doze mil para quatro mil”. Semelhante projeção fez um senador para o Governo do Estado de Rondônia, um Estado menor do que o Piauí. Imagine, caro leitor, eventual eleitor, o que estão fazendo outros governantes menos escrupulosos com o meu, o seu e o nosso rico dinheirinho. Nossos melhores homens públicos precisam também sair de sua posição de acomodação e inércia, e dar respostas s novas a velhos problemas. E a população, que quer apenas serviços públicos de qualidade, espera uma resposta mais inteligente do que o velho receituário neoliberal: arrocho salarial do servidor, terceirização e privatização. A presidente Dilma apontou o caminho: profissionalização. E já temos bons exemplos disso no próprio serviço público.

Israel Araújo
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br  – twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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