Quanto vale o diploma?

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Em tempos de disputa entre os estudantes pelo acesso ao ensino superior, que afastou o velho vestibular e introduziu o jovem Enem (que, por sinal, já tem 11 anos), o Brasil alcança um índice de desemprego de seis por cento, em números redondos. É um número próximo aos quatro por cento, que caracterizariam o pleno emprego (situação em que o desemprego é apenas friccional, onde os quatro por cento são pessoas em transição rápida de uma posição a outra).

O ensino superior no Brasil tem, ainda em números redondos e estimados, um milhão e seiscentos mil alunos na escola pública e em torno de três vezes esse número na escola superior privada. Os empresários do ensino superior investem no setor com a perspectiva de que o mercado brasileiro continue crescendo rápido e esperam atender em dez anos trinta por cento dos jovens entre 18 e 24 anos, quando hoje apenas doze por cento deles estão nos bancos das faculdades.

Aos empresários de todos os setores interessa que o mercado ofereça em quantidade a mão-de-obra qualificada (se essa quantidade não subir, subirão os salários) e aos futuros executivos interessa qualificar-se para disputar as melhores posições e os melhores salários. A sociedade inteira espera que saiam do ensino superior cidadãos mais conscientes, mais competitivos e mais solidários, na medida em que o ensino superior lhes abra a mente, estimule o seu espírito e lhes eduque a sensibilidade.

O Brasil está sem experimentar crises há alguns anos e isso nos tem enevoado a capacidade de observar e criticar o tipo de progresso que estamos experimentando e o estilo de sociedade que estamos construindo. A prosperidade tudo nos faz perdoar, mesmo quando essa prosperidade não é de todos, mesmo quando ela é injusta e mal distribuída. Mas, por que estamos falando de ensino, superior, emprego, crise e modelo de sociedade? Estas coisas se conectam assim diretamente?

Os Estados Unidos, modelo de democracia e capitalismo, paradigma da liberdade com prosperidade, estão experimentando uma grave crise econômica nos últimos três anos. A taxa de desemprego deles bateu recorde e ficou em torno de dez por cento. Bastou isso para questionarem a validade de seu ensino superior, que, todos os rankings internacionais apontam, é o melhor do mundo.

Uma pesquisa mostrou que dos formandos do ano de 2010, lá nos “states”, vinte e dois por cento estão desempregados e vinte e dois por cento estão em empregos que a rigor não exigem diploma. Críticos cunharam o termo “bolha educacional” para criticar a ideia de que todos devem graduar-se e depois pós-graduar-se. Mas desemprego entre graduados é menos da metade da taxa geral do País. Bolha mesmo é a dívida dos pais e estudantes que apostam na universidade: um trilhão de dólares.

ISRAEL ARAÚJO
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH
israelaraujo@israelaraujo.com.br
Twitter: @israelaraujorh

Fonte: Diário do Nordeste

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