Você se sente reconhecido pelo que faz?

Por Flávio Emílio

Esta coluna é publicada aos domingos

Imagine a seguinte cena: a mãe de um menino de três anos está terminando um trabalho importante em seu computador e eis que entra o garoto no escritório aos gritos:

“Mamãe, mamãe! Olhe o desenho que eu fiz! Você gostou? Ficou legal?”

A mãe tenta encontrar uma lógica naquele conjunto de rabiscos desconexos, talvez buscando saber onde começa em onde termina aquela figura estranha que ela nem imagina o que seja, mas dispara sem pestanejar:

“Ficou lindo meu filho! Você desenha muito bem…”.

Ele sai do escritório feliz da vida se achando o máximo e buscando fazer um desenho mais bonito ainda para continuar recebendo atenção e palavras de incentivo de sua mãe. Qual o motivo de tanta empolgação? Simples: Aquele menino reuniu todo o seu talento e suas forças para fazer o melhor que ele podia. Aquela era sua obra prima, nem que daqui a dez minutos apareça outra mais esquisita ainda…

Por que esse exemplo pueril no começo do nosso post de hoje? Exatamente por que tendemos a nos comportar de forma semelhante ao nosso amigo de três anos. Mesmo com o passar dos anos, o ser humano continua com a mesma ânsia por ter o seu esforço e talento reconhecidos por quem detém o poder. A experiência de trabalhar com consultoria empresarial tem me mostrado um problema crônico em grande parte das empresas: a completa falta de reconhecimento pelo trabalho bem feito. Parece que nossas culturas organizacionais tendem a supervalorizar os fracassos, enquanto dá de ombros e ignora completamente as vitórias. Acredite: isso é tão devastador para um profissional com anos de experiência, quanto seria para aquele menino se a mãe tivesse desprezado seu desenho ou ridicularizado seu conteúdo.

Há pessoas passando por sérias crises em seus empregos simplesmente por que não são reconhecidas pelo que fazem. Quando eu falo de reconhecimento, não me refiro a um crédito em conta corrente frio e impessoal de R$ 400,00 a título de bônus que a equipe recebeu pela enésima vez. Trato de feedback olho no olho, pessoal e intransferível, materializado em palavras como:

“Parabéns, você tem sido brilhante! Nossa empresa se orgulha de ter profissionais de tão alto nível em seus quadros!” Quanto custa isso?

Nada. Absolutamente nada. A essa altura, os mais conservadores devem estar questionando:

“Elogio? Que nada… Elogio demais ‘estraga’ o profissional, deixando-o convencido demais”.

Concordo. Entretanto, em momento nenhum tratei de reconhecer quem não merece, ou ficar soltando elogios ao vento.

Experimente começar a reconhecer o talento que trabalha em sua equipe. Tenho um amigo que adora dizer que o talento de um negócio está em cerca de 20% do pessoal. Todos precisam de reconhecimento. Entretanto, esses 20% precisam mais ainda. É o combustível que os impulsiona e motiva. Sugiro que comece a faze-lo em particular, se agir em público lhe deixa um tanto constrangido. Tenho certeza que a satisfação deles e sua demonstrará que esse é o caminho. Você verá adultos tão felizes e realizados quanto o menino de três anos e você terá tanto orgulho pelo talento deles quanto aquela mãe…

Flávio Emílio Monteiro Cavalcanti é administrador e Mestre em Gestão de Recursos Humanos .

http://dropsdecarreira.com.br/blog/

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