Passo à frente

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Recolocação é o nome do serviço que as consultorias de recursos humanos prestam a executivos e executivas que estão eventualmente desempregados ou que, empregados, buscam uma mudança em suas carreiras. É um serviço pago e custa normalmente um mês de remuneração do profissional, desembolsado em parcelas no início do trabalho, independente do seu resultado (pois não há como dar garantias). Cada vez mais frequentemente, a recolocação (com o nome de outplacement) é também contratada e paga pela empresa que demite o profissional e, demonstrando efetivamente sua responsabilidade social, inclui no pacote de demissão essa assessoria. A empresa também age assim para evitar reclamações trabalhistas, propaganda negativa, quebra de sigilo e os inúmeros inconvenientes de um ex-empregado infeliz, desassistido e desempregado.

O serviço é mais contratado por profissionais em nível de coordenação, gerência ou diretoria e isso acontece porque vem bem a calhar com a necessidade desses gestores de sentirem-se controlando sua carreira e seu destino. Assumir as rédeas da própria carreira é uma necessidade cada vez maior dessas pessoas, que, assim, fogem de deixar ao acaso e às circunstâncias a parte mais importante de suas vidas, o trabalho, campo aberto da realização pessoal e profissional. Em termos práticos, um executivo deve avaliar quanto tempo deve passar numa função ou numa empresa e deve ele mesmo provocar e administrar mudanças. Nesse sentido, é inevitável admitir que um executivo pode mudar de empresa até oito vezes na vida (se passar 5 anos em cada empresa numa carreira de 40 anos), sempre construindo uma trajetória planejada, coerente, ascendente e próspera. Evidentemente, não se pode desprezar circunstâncias e indicações de amigos, mas algum planejamento e algum controle são úteis e às vezes necessários.

A empregabilidade de um profissional é algo difícil de medir, mas a idade, a formação e a experiência são os indicadores principais, lembrando que idade e experiência jogam um contra o outro. Em cada um desses três elementos há um mundo e uma vida a examinar, pesar e medir. O que há de humano em cada um de nós é também decisivo. Os momentos de transição de carreira são especialmente delicados (tanto para as empresas quanto) para os profissionais. O surgimento do novo é naturalmente precedido de alguma tensão, uma inevitável ansiedade e boa dosagem de incertezas. O profissional de recolocação funciona ora como uma âncora, ora como uma bússola neste processo. A maioria dos profissionais ainda dispensa este serviço e até foge da decisão de administrar a carreira, mas a realidade está mudando, o mercado de trabalho está evoluindo. As empresas já se adaptaram e tornaram muito rigorosos, completos e profundos os processos de recrutamento e seleção. O acesso às melhores posições está cada vez mais sujeito a filtros e controles. Cabe agora aos profissionais tomarem a mesma medida e também protegerem seus interesses, seu patrimônio e seu talento. Assim, todos saem ganhando.

Israel Araújo
Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

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