Intolerância com o velho, relutância com o novo

Por ivan Postigo

Esta coluna é publicada as Quartas Feiras.

Não importa o tipo de trabalho que você desenvolva, plantando hortaliças ou criando softwares, todos os dias novidades serão colocadas à sua disposição para ajudá-lo. Algumas de fácil assimilação, outras mais complexas.
 
O uso das inovações tecnológicas e o envolvimento com as novas tendências dependerão de muitos e particulares fatores. Implicarão desde o interesse pela inovação até a disponibilidade financeira.
 
Todo processo de reestruturação empresarial enfrenta em maior ou menor grau a questão complexa da inovação.
 
Os softwares de gestão, cada vez mais poderosos e ágeis, oferecem todos os anos versões atualizadas que demandam treinamento, up grade dos computadores com aumento de memória, espaço em disco e muitas vezes a sua efetiva troca.
 
Esses avanços e facilidades, que demandam investimentos, trazem à luz do processo de gestão debates sobre as necessidades efetivas dessas implementações, que geram desembolsos e, nem sempre, trazem resultados facilmente observáveis.
 
Em gestão todos querem informações rápidas e confiáveis, contudo nem todos entendem a demanda em equipamento, softwares e metodologia para que isso seja obtido.
 
Tratando de inovação, podemos, por vício, nos restringirmos a debater sempre os aspectos ligados às informações, relatórios de produção, balanços, resumos financeiros, contudo a realidade é bem mais complexa.
 
Equipamentos para fabricação de produtos têxteis, que no passado um técnico gastava de três dias a uma semana para trocar um desenho, hoje o trabalho é feito em minutos. A situação é complexa porque em muitos casos não há como adaptar um computador à máquina, a solução é a efetiva troca e isso demanda o comprometimento de valores significativos.
 
Um equipamento mecânico é robusto e tem enorme durabilidade, para muitos empresários o seu sucateamento, sem um valor efetivo de venda, parece um absurdo. Quanto mais antigo o equipamento, menos possibilidades de negócios são encontradas, uma vez que este pouco pode servir como peça de reposição.
 
As novas tecnologias trazem uma nova cultura e um novo jeito de fazer as coisas, gerando choques e muitas vezes embaraços e dificuldades de adaptação.
 
Considerando que algo tão visível a palpável como a evolução dos equipamentos já gera desconforto para sua adaptação, o que dizer então das idéias e conceitos de gestão?
 
Vamos considerar um exemplo simples, corriqueiro, mas que dá uma exata noção do choque que o processo gera.
 
Os apontamentos de produção, onde uma pessoa ou operador anota em um formulário a quantidade de produtos fabricados e depois estes dados são resumidos em outros quadros, manualmente ou via planilha eletrônica, cada vez mais estão sendo substituídos por leitores adaptados na própria máquina, onde as informações, quadros e relatórios independem de auxiliares.
 
O operador ou os técnicos apenas tem que garantir o correto funcionamento do equipamento, ficando a cargo do usuário final, tomador de decisões, a adequação dos dados coletados aos formatos que gostaria de ter.
 
Simples, perfeito, esse processo atende os sonhos de todos os gestores?
 
Nem sempre é verdade!
 
O usuário recebia um relatório com uma estreita visão do processo, quando queria algo mais abrangente pedia a algum subordinado que o fizesse. Com a nova tecnologia tem à sua disposição infinitas formas de análise, onde ele mesmo pode desenvolver o modelo.
 
Tudo o que era sonhado, hoje traz alguns agentes complicadores: estudar a tecnologia e seus recursos, envolver-se pessoalmente com o processo, ter a sua disposição uma infinidade de dados e possibilidades de cruzamentos e a obrigação de estabelecimento de uma rotina.
 
Sem essa nova tecnologia, uma máquina quando parava avisava o operador com um sinal sonoro ou uma luz que acendia, com os novos recursos pode avisar a quem for necessário, dentro de padrões pré-estabelecidos.
 
Em um desses processos, um empreendedor, que sempre reclamava estar desinformado pela lentidão dos apontamentos, nos dizia após alguns dias de testes: “Não quero esse programa no meu computador, são muitas informações e não tenho paciência para lidar com isso. Quando quiser saber se as máquinas estão funcionando ou não vou à fábrica. Se ficar olhando isso o dia todo vou ficar louco”.
 
Todo processo de mudança traz desconforto, contudo maior será para aquele que tem intolerância com velhas formas e relutância com as novas.
 
 Ivan Postigo é Diretor de Gestão Empresarial da Postigo Consultoria Comunicação e Gestão, Articulista, Escritor e Palestrante

www.postigoconsultoria.com.br

 

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