Economistas, educação e desenvolvimento

Por Israel Araujo

Esta coluna é publicada as Sextas Feiras

Se a guerra é um assunto muito sério para ser deixado ao encargo dos generais, o desenvolvimento também é grave demais para ser colocado sob o cuidado dos economistas, a começar pelo simples fato de que eles não se entendem nem entre eles. Uns acham que o desenvolvimento se faz apenas pela ação do mercado, outros que a ação do Estado é que é decisiva. Uns acham que deve-se abrir o comércio, outros que se deve proteger a indústria nacional. Na verdade, os economistas mais erram do que acertam e o poder de destruição de seus erros é monumental.

Conta-se que num desfile das forças militares russas na Praça Vermelha, em Moscou, em plena Guerra Fria, depois dos carros blindados, tanques, das baterias antiaéreas e dos mísseis nucleares, no último momento do desfile, apareceu um pequeno jipe com quatro pessoas a bordo. E perguntaram ao secretário do Partido Comunista quem eram os quatro ocupantes. O comunista respondeu: são nossos melhores economistas, os ministros da fazenda e do planejamento. Com todo o respeito aos economistas, mas enquanto eles discutem sobre a política econômica, os historiadores mostram que desenvolvimento se faz com educação. Sempre, sem exceções. Foi assim na Inglaterra, que dominou o mundo por um século, tem sido assim nos Estados Unidos, que domina há um século, tem sido assim nos países asiáticos, pequenos ou grandes tigres, que estão tendo e terão seu quinhão por muito tempo. Desenvolvimento sem educação não existe, é farsa, é propaganda vazia. Só a educação é capaz de fazer justiça social, a partir da garantia de um ponto de partida minimamente igual para os membros de uma sociedade. Vale para sociedade, vale para as empresas e vale para as famílias.

O Brasil, o Nordeste e o Ceará já venceram a luta pela democratização do acesso à escola. Os percentuais de matrícula são expressivos e recuperaram nos anos 90 e nos últimos dez anos muito o atraso que se acumulou no longo e tenebroso passado. Falta vencer o desafio da qualidade. Esta é uma batalha a ser travada na sala de aula, o professor é o guerreiro e as pessoas que elegemos para governar são os seus líderes. Os burocratas são seus gestores mais imediatos. Precisamos nos sentir seguros de que estamos em boas mãos em matéria de líderes e de guerreiros. Um professor qualificado e motivado faz a diferença: estudos sérios mostraram que os alunos deste mestre aprendem setenta por cento mais. Qualificar e motivar são decisões políticas que cabem aos líderes. Como fazê-lo cabe aos burocratas, ouvindo, quando for o caso, especialistas em gestão de recursos humanos (que podem oferecer ferramentas metodológicas de treinamento e desenvolvimento, de motivação, planos de carreira, sistemas de avaliação de desempenho etc). No mercado de trabalho fala-se todo dia em apagão de talentos. Isto não é causa, é conseqüência do apagão na gestão da educação.

Diretor Executivo da unidade de Fortaleza da Véli Soluções em RH israelaraujo@israelaraujo.com.br – twitter: @israelaraujorh

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