Você foi contagiado pela “Síndrome de Tomé”?

Por Flávio Emílio

Esta coluna é publicada aos domingos

Conheço gente muito ‘crédula’. Pessoas que tendem a aceitar como verdade muitas das informações que chegam. Em vários casos, acabam tropeçando na própria ingenuidade e se decepcionando bastante… No mundo corporativo, precisamos desenvolver uma espécie de “Síndrome de Tomé” – o personagem bíblico, que entrou para a história ao afirmar que só acreditaria que Jesus Cristo havia ressuscitado se pudesse vê-lo e tocá-lo. Pois bem, as Escrituras relatam que Tomé não só viu, como tocou e ainda foi repreendido pela sua falta de fé…

Acontece que, no ambiente de trabalho devemos procurar sim evidências reais e concretas de tudo que nos pareça relevante. Se você entregar um maço de cédulas de R$50 a um amigo de infância que trabalha lá no setor financeiro ele, sem pudores, certamente conferirá nota por nota na sua frente antes de receber oficialmente…

Pois é, muita gente age exatamente como ele e isso não será visto como grosseria ou falta de confiança! Vejamos alguns exemplos retirados de cenas do dia a dia:

  • Quando um cliente liga para você e diz “Já depositei o pagamento”, você verifica o extrato bancário ou acredita piamente no que ele lhe disse?
  • O membro de uma comissão de auditores dispensa evidências concretas e aprova todos os procedimentos daquele gerente que ‘jura ade pés juntos’ que está tudo em conformidade com o padrão?
  • Um engenheiro aprova a finalização de uma obra sem fazer uma avaliação final?
  • Um delegado conclui um inquérito sem ter provas concretas do delito cometido pelo acusado, que se diz inocente?
  • Um médico dará um diagnóstico conclusivo sem os exames do paciente?
  • É possível fazer ciência sem pesquisa pormenorizada do objeto de estudo?
  • Você é capaz de comprar um imóvel sem vê-lo, confiando apenas na palavra do corretor?

Não estamos tratando de questões de fé e sim de negócios feitos entre seres humanos que são, por natureza, falíveis e, também, imprevisíveis… Nesses casos, é prudente ver para crer!

No trabalho, não costumo aceitar boas ou más notícias movido por impulso até checar a sua veracidade. Nenhuma palavra será vista como verdade absoluta até que as evidências a fundamentem.

Por isso, temos que desenvolver um senso crítico, cético e ligar uma espécie de ‘desconfiômetro’ permanentemente. Deixe-se inocular pela “Síndrome de Tomé” e ela lhe ajudará a trabalhar de forma mais séria, madura e transparente, deixando a ingenuidade e o amadorismo de lado…

Flávio Emílio Monteiro Cavalcanti é administrador e Mestre em Gestão de Recursos Humanos .

http://dropsdecarreira.com.br/blog/

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