O funcionário criado em laboratório

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras

Baltazar era líder na Magical Paper há 9 anos. Destes, 6 como supervisor e 3 como gerente. Apesar da vasta experiência em liderança, tivera pouca efetividade.

Nunca conquistara uma equipe de alta performance que pudesse auxiliá-lo a conquistar resultados memoráveis. Como consequência, sempre precisava interferir na execução das atividades para que pudessem ser concluídas, sem contar a grande de quantidade de retrabalho devido um time mal orientado e conduzido.

Era uma equipe passiva, desorganizada, desengajada e desinteressada. Não acreditava que a empresa e o líder, no caso Baltazar,
podiam colaborar para seu crescimento profissional e, por isso, o time não tinha a performance esperada.

Eis que Baltazar teve uma grande, imbecil, audaciosa e inovadora idéia: criar o funcionário ideal em um laboratório. Para ele, o time era ruim porque nunca teve a sorte de contar com bons colaboradores.

Baltazar saiu até mais cedo naquele dia. Nem ele acreditava na ideia que tivera. Por que não tinha pensado nisso antes? Anos e anos tentando domar seus funcionários e sem resultado. Agora não teria erro. Criaria o colaborador do jeitinho que sonhara.

O sucesso, depois de anos, estava por vir.

Baltazar sabia que precisava de três ingredientes para montar o funcinário ideal: 1 – Competências Essenciais, 2 – Atitudes e Comportamentos, 3 – Expectativas e 4 – Gênero: Masculino. Para isso, passou na loja ‘TUDO QUE VOCÊ PRECISA’ e fez as compras.

Baltazar não se cabia em sai de tanta felicidade. Finalmente, construiria o que seria o galgar de sua carreira profissional.

Ansioso, chegou em casa, jogou a mala no sofá, tirou o terno, afrouxou a gravata, jogou os ingredientes em cima da mesa e iniciou a construção.

Para começar, organizou as competências essenciais. Na loja TUDO QUE VOCÊ PRECISA, Baltazar selecionou: Foco, Automotivação, Expertise, Responsabilidade. A ideia do gerente era montar um funcionário que obedecesse às suas ordens, não as discutisse e que tivesse conhecimento técnico para fazer bem feito.

A responsabilidade faria o funcionário obedecer, a expertise era para fazer certo, o foco para não se distrair com ideias  inovadoras que surgissem no meio do caminho e automotivação para ele não precisar ficar mimando o colaborador a todo momento. Pelo menos, era no que Baltazar acreditava.

Competências organizadas, partiu para determinar as Atitudes e os Comportamentos necessários. Na lojinha, comprou: Obediência, Respeito ao superior, Entusiasmo, Disposição e Compromisso sem oscilação.

A obediência e o respeito era para garantir que ninguém iria relutar sobre uma ordem sua. O Entusiasmo e a disposição para executarem bons trabalhos mesmo em situações desarmoniosas e o compromisso era para que pudesse contar com este funcionário em todo e qualquer momento.

Baltazar suava. A emoção era tão grande e ele mal podia acreditar que teria, finalmente, mais que um funcionário. Ele teria um
parceiro.

O gerente, já emocionado, adicionou as expectativas que comprara. Colocou um toque de conformismo e baixas expectativas com relação a recompensas e promoções. Não queria ter um funcionário que quisesse tomar o lugar dele.

Baltazar estava a um passo de um orgasmo corporativo.

Para finalizar, determinou o gênero do colaborador. Seria homem. Não tinha problemas com mulheres, mas queria garantir que não teria remorso depois de xingar seu funcionário ideal nos momentos de nervosismo. Era homem e, para ele, aguentaria o tranco.
Buuuum! Uma explosão foi ouvida nos arreadores do prédio que morava e uma luz muito forte iluminou todo seu apartamento. Baltazar, ainda tonto e com as vistas embaçadas, começara a enxergar sua criação. O funcionário ideal estava sentado na mesa olhando, fixamente, para seu criador.

Baltazar resolveu deixar a criação ali mesmo até o dia seguinte, quando a levaria para o escritório. Baltazar não dormiu e, de vez em quando, ia até a sala ver se algo havia acontecido. Não, nada acontecera. O funcionário ideal era obediente ao ponto de só executar qualquer  reação se alguém mandasse.

O dia seguinte chegou.

Baltazar chegou com o funcionário ideal na empresa apresentando a todos como Júnior. Júnior fazia tudo, exatamente, do jeito que Baltazar mandava.

Baltazar, por sua vez, continuava a ter uma liderança pouco efetiva. Delegava tarefas sem acompanhamento posterior. Ofendia os funcionários, inclusive o Junior, quando algo saia a contragosto. Descontava na equipe frustrações que tinha com a empresa. Não recompensava as boas práticas e, muito menos, determinava  a linha de trabalho.

A equipe não rendia. E, para surpresa de Baltazar, Junior também não rendia.

Júnior fazia tudo que Baltazar mandava. Mas Baltazar mandava errado, liderava errado e, Júnior era o funcionário ideal  só na cabeça de Baltazar. Obedecia tudo que ele mandava mas não colaborava para a formação de uma equipe eficiente. Sem equipe eficiente não há líder eficiente.

E não é o que o funcionário ideal não deu certo! Primeiro porque não era ideal, era conveniente. E, segundo, porque até mesmo um talento vira lixo em mãos de líderes medíocres.

Baltazar era medíocre. E funcionário, mesmo que ideal, não era a solução.

Kelly Cavalcanti Gallinari
Coach / Consultora Desenvolvimento Humano e Organizacional.

www.ecoach.com.br

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