Aprenda a dar ordens com Zuleica

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras.

Zuleica tem duas filhas. Uma de 7 anos e outra de 2.

É tanto brinquedo espalhado pela casa que já está impossível andar sem pisar em alguma coisa. Zuleica precisava dar um jeito nisso. E deu.

A mãe pensou em recompensar suas filhas com algo que as agradasse caso elas passassem a ajudá-la a organizar a bagunça em casa. Pensou em levá-las, uma vez por semana, ao parque caso suas filhas, após brincarem, guardassem os brinquedos nos baús e caixas rosas. Aos finais dos dias, a casa não poderia ter brinquedos espalhados pelos corredores e cômodos.

Tudo pensado, chamou suas adoráveis, amadas e bagunceiras filhas para uma conversa. Sentou as duas no sofá, desligou o televisão e disse que mamãe tinha uma história para contar.  A maior desconfiou, mas ficou a escutar. A menor já se agitou. Quando falava-se em contar histórias, ela logo se animava porque adorava palpitar e acrescentar fatos novos.

Zuleica iniciou dizendo que era a história de duas meninas lindas mas muito bagunceiras e que espalhavam todos os brinquedos pela casa. Explicou que aquilo não era certo porque no meio de tanta bagunça não conseguiam nem achar seus brinquedos favoritos para brincar, além do que era muito feio ter uma casa cheia de coisas espalhadas. Disse que se a mamãe daquelas crianças tivesse mais tempo, poderia levá-las ao parque. Mas como tinha que arrumar a bagunça de brinquedo todos os dias, não podia fazer isso.

A filha maior já tinha entendido e disse que queria ir ao parque. Fazia o que fosse preciso. A menor repetia que queria brincar, brincar e brincar, além de gritar ‘EBA’ toda vez que a mamãe apontava os brinquedos no chão.

Mamãe Zuleica não desistiu e acordou com as crianças que se elas recolhessem os brinquedos depois de brincarem, iriam ao parque. Caso contrário, nada de parquinho.

A maior entendeu o acordo e a pequena não entendeu nada.

Zuleica fazia questão de, diariamente, relembrar o que tinham combinado. Para a maior dizia: – “Filha, já acabou de brincar? Se sim, guarde tudo.” Tirando os momentos da preguiça, a maior entendia o código e já fazia sua parte. Não queria ficar sem parque. Sabia o que era brinquedo, tinha noção de tempo e o que era “quando terminar de brincar…”, sabia o que era o
baú e as caixas rosas e, mais ainda, sabia  o prazer de ir ao parque. Mas, ainda era uma criança e era importante que mesmo tendo noção do que a mãe dizia, precisava ser alertada com frequência para que não esquecesse e/ou não desconsiderasse a ordem da mamãe.

Para a menor, só falar não adiantava. Mamãe Zuleika falava, pegava na mão de sua pequena filha, agachava, pegava um brinquedo e colocava no baú para mostrar como fazer. Às vezes, tinha que repetir o gesto mais de uma vez para que a pequenina começasse a repetir. Quando a pequena acertava, mamãe fazia questão de aplaudir até que ela tomasse gosto pela ação e começasse a guardar seus brinquedos.

Mamãe Zuleica obteve êxito e fazia questão de contar em suas rodas de amigas. Mas não fora fácil. Teve que lidar de forma diferente com as duas filhas. Cada uma enxergava o acordo de uma forma. A maior tinha noção do contexto mas a pequena não. Cada uma das filhas estava em patamar de conhecimento, habilidades (corporais, visão de mundo, cognitivas/sensoriais) e
expectativas. Mamãe Zuleica comunicou e  zelou para que cumprissem o acordo.

Divertiram-se muito no parque. Algumas semanas não, o que é normal e comum no processo de aprendizado. Mas as semanas que iam eram comemoradas e recompensadas com a alegria da família.

Com o passar dos anos, esta atividade passou a ser um hábito e Zuleica não precisava mais de tanta vigilância. Diminuiu mas não extinguiu. Afinal de contas, continuavam a ser crianças.

Mas mãe é mãe, não é, minha gente. Conhece o respirar de seus filhotes e sabe dosar suas atitudes para a educação objetive a formação de filhos cidadãos-do-bem.

A idéia aqui não é que líderes tornem-se pais de seus liderados.  Isto, realmente, seria um erro. Apenas, aproveitemos as boas práticas, seja onde for, para fazer-nos profissionais e humanos melhores.

Voltemos.

Líderes, nem sempre, tem esta habilidade nata. Então, vamos aprender com as Zuleicas.

Comunicar certo é o primeiro passo para garantir a realização com sucesso. E existe um item na comunição que, geralmente, é desprezado. Ele chama-se CONTEXTO. Dizer o que fazer, como, onde e tudo mais sem explicar o CONTEXTO que justifica estas ações, dificulta a execução. E quanto menor o grau de instrução e conhecimento das pessoas que estão ao seu redor, maior a necessidade de explicar o CONTEXTO.

No caso da mamãe Zuleica, para a filha menor, teve que repetir, por algumas vezes, o que eram os brinquedos, o baú, a caixa rosa. Repetiu, depois de tudo guardado, que aquilo era o certo. Contextualizou a importância de organizarem a bagunça. Comunicou e contextualizou o motivo.

Nas lideranças, não podemos esquecer que as equipes são formadas por diferentes graus de maturação. Para alguns, pedir para guardar os brinquedos é suficiente mas para outros terá de pegar na mão e ajudar a guardar a bagunça. Terá que contextualizar, talvez, mais de uma vez. E não podemos esquecer que ainda estão em fase de formação e precisam de alguém que os ensine.

Vamos lá, meu povo. Formar liderados do bem.E do bem, significa eficiência. Bom para para o líder, bom para o liderado e bom para a empresa.

Casa limpa e organizada, minha gente!

Kelly Cavalcanti Gallinari – Coach

www.ecoach.com.br

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