Colocando boas práticas em prática

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras

Você tem repertório suficiente para resolver seus problemas. Ocorre é que, às vezes, buscamos respostas somente no meio e se esquecemos de acessar a nossa vida para resgatar soluções já experimentadas e aprovadas.

Convido vocês, caros leitores, a conhecerem a história de Cirço e, em seguida, fazerem um exercício de quais aprendizados da sua vida pode recuperar.

O que aprendeu cuidando dos seus irmãos que pode usar para liderar sua equipe? O que aprendeu quando parou de fumar que
pode usar para enfrentar as mudanças repentinas no trabalho? O que fez para se recuperar do fora que levou da sua ex-namorada e que agora pode usar para conseguir lidar com a notícia de que sua promoção só sairá o ano que vem? Pense
em como conseguiu contar para seus pais que repetiu de ano para poder dar aquela notícia que não vai agradar seus liderados.

Enfim, eis o que contam sobre Cirço:

Este moço morou na roça durante 30 anos e sempre teve uma vida simples. Aprendeu com o pai e o tio a cuidar da horta e das poucas cabeças de gado que tinham no sítio da família. Viviam da venda de legumes e verduras. Os gados não geravam renda, mas todos eram apaixonados pelos bichos que eram tratados como cães domesticados. Eram estes gados, também, que davam o leite de todo dia e faziam o banquete de carne nos dias festivos.

Vida simples. Vida boa.

No dia do seu 30º aniversário, Cirço e sua família receberam a visita de uma tia e madrinha da cidade grande. Tia Armelinda era proprietária de uma empresa de logística e convidou Cirço para trabalhar com ela.

Cirço não acreditou no convite. A barriga doeu, a cabeça ferveu e as pernas tremeram. O moço simples que nunca tinha saído das cercas do sítio, agora na cidade.

Cirço era boy-office da empresa. Entregava malote de um departamento para o outro. Usava uniforme e trabalhava meio-período. Tudo era diferente. Vida complicada. Vida estranha. Era mais fácil lidar com boi bravo.

Já fazia dois meses que o moço da roça estava na cidade e, aos poucos, bem aos poucos, ia se adaptando. Até que o impensável, pelo menos para Cirço, aconteceu. Cirço recebeu a tarefa de ensinar as atividades do departamento para o mais recém-contratado boy-office da empresa, seu novo colega de trabalho, o Félix.

Cirço não se achava capaz. Passou 30 anos cuidando de alfaces, alcegas, rúculas e bois. Ensinar tarefas administrativas para outra pessoa era difícil demais da conta.

Cirço foi para casa e acendeu uma vela para Nossa Senhora dos Desesperados. Era devoto e acreditava que a santa o ajudaria. Deitou para dormir e começou a pensar na sua vida da roça. Vida simples. Vida boa. Lá as coisas eram fáceis de lidar.

O maior ‘perrengue’ que passara foi uma vez que teve que trocar a boiada do sítio de pasto. Há anos, os bois pastavam no mesmo lugar, mas com as chuvas torrenciais, o solo ficou comprometido e tiveram que transferir o gado para outro local. Todos foram, mas teve um boi, o mais fortão, que não queria arredar o pé do pasto comprometido. Cirço o empurrou, puxou com corda, gritou com o boi e até arriscou uns tapinhas no bucho do bicho. Mas o boi estava lá, como uma estátua. Foi então que o moço da roça lembrou que este boi teimoso estava enamorado por uma vaca há semanas. E a boa notícia era que a vaca já estava no pasto novo. Cirço então trouxe a vaca, também enamorada, para a porteira do novo pasto, colocou uma porção generosa de capim ao lado e começou a gritar para chamar a atenção do boi desobediente. Quando o boi viu a cena começou a se mexer ir em direção a eles. Sim, o que o boi queria estava no pasto novo. O boi queria a vaca. Motivo suficiente para aceitar ir até o pasto novo.

Depois das lembranças rurais, Cirço dormiu feliz.

No dia seguinte, nervoso com a chegada do novo colega de departamento, o moço da roça chegou à empresa. Félix estava lhe esperando. A  barriga doeu, a cabeça ferveu e as pernas tremeram.

Cirço passou o dia explicando como fazer a entrega dos malotes. Félix aprendeu.

Cirço estava contente com o resultado. Félix nem tanto, pois achou o trabalho de maloteiro muito simples. Queria mais para sua vida. Começou a relaxar e não fazer mais as entregas conforme o combinado. Atrasava as correspondências e isto estava  prejudicando o andamento da empresa. Félix não estava feliz com o novo pasto. Parecia mais um boi teimoso.

Cirço ficou pensando em como ajudar o novo colega de trabalho. O moço da roça pediu para Felix fazer o trabalho direitinho e não adiantou. Pediu para o colega respeitar as regras da empresa mas também não adiantou. Cirço o empurrou, puxou com corda, gritou com o colega e, desta vez, só não arriscou uns tapinhas no bucho do bicho. Era mais um boi teimoso na vida de Cirço. A solução era a vaca.

No caso de Félix, ele aspirava por ascenção profissional. Queria galgar novos cargos. Queria crescer profissionalmente. Esta era a vaca da vez. Era só colocar na frente do Félix que ele iria correndo para o novo pasto.

Cirço não pensou duas vezes e foi conversar com seu supervisor. Sugeriu em criar um plano de recompensas para valorizar os funcionários que trabalhassem direito. O supervisor resistiu no primeiro momento mas concordou em tentar.

Félix ficou animadíssimo com a notícia. Trabalhar direito era, agora, sinônimo de prosperar na carreira.  Enfim, conseguia enxergar no novo pasto suas aspirações e expectativas.

Cirço ensinou Félix a correr atrás de sua vaca.

É, cuidar da roça é, definitivamente, fonte de ricos ensinamentos. Sua vida, na roça ou não, também.

A vida, meu povo, por mais simples que seja, é incansavelmente, rica em aprendizados. Um aprendizado aqui, que salva o problema dali.

Kelly Cavalcanti Gallinari – Coach

www.ecoach.com.br

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