Todos os caminhos levam a Roma, nem todos à Cesar

Por ivan Postigo

Esta coluna é publicada as Quartas Feiras.

Nas caravanas de comércio, em volta das fogueiras, contava-se a história do homem que enlouqueceu em Roma e não viu Cesar.

Ainda que diminuída e aumentada pela repetição, era mais ou menos assim:

Em uma cidade distante morava um rico comerciante. Seu sucesso com suas caravanas e seus mascates havia lhe conferido fama, prestígio e riqueza.

A única cidade que não lhe dava atenção era Roma. Tentara diversas vezes desenvolver um trabalho com os residentes e donos de tendas locais e não obtivera sucesso.

O fato não o incomodava, as demandas de outras regiões absorveram todo o seu tempo.

Com tanto trabalho para fazer não se dera conta do crescimento daquele mercado e das oportunidades que poderia explorar. Até aquele momento não lhe fizera falta.

Evidentemente que sabia que um dia teria que voltar seus olhos para a região, a fama do poderio da cidade se espalhava.

Seu fiel ajudante e grande amigo, mascate experiente e bem sucedido, o ajudara na construção da fortuna, e começava a lhe causar certa preocupação.

Queria ampliar os negócios, numa atitude que confundia excessiva confiança em sua competência com ambição desmedida.

Já lhe fizera várias críticas, algumas demonstravam uma desagradável prepotência.

Entre muitas alternativas que havia estudado, a única certeza que tinha era de que não queira perder o amigo. Tinha-lhe em grande estima, bem como toda sua família.

Um dia, enquanto verificava a proposta de um artesão, que lhe trazia produtos para venda, viu uma capa bordada em fios de ouro.

Luzes se acenderem e pensou: Digna de Cesar!

Lá estava a chave que lhe abriu as portas da imaginação.

Sabia que Cesar costumava retribuir as pessoas que o encantavam com um anel. Esse anel poderia ser seu passaporte para conquistar a atenção das pessoas na cidade.

Teria então a oportunidade de dar uma missão ao amigo, permitir que desenvolvesse seu plano de crescimento, que exercitasse sua habilidade de conquista, e ambos, ainda, teriam benefícios financeiros.

Conversaram, deu-lhe a capa e uma caravana com muitos suprimentos e se despediram.

Viagem longa e cansativa, mas sem outras dificuldades. Uma vez na região, todos os caminhos levavam a Roma.

Chegando à cidade o experiente mascate não perdeu tempo. Começou as sondagens para encontrar a melhor maneira de visitar o Imperador.

Distribuindo presentes foi abrindo caminho.

Certo do sucesso, queria fazer uma surpresa ao amigo e ainda patrão, então não mandava notícias.

Este, por sua vez, com o coração apertado, não se arriscava a mandar um mensageiro com medo de gerar um conflito.

O tempo passava. A fila para conseguir a senha para a visita andava lentamente.

Não faltavam presentes  oferecidos pelos interessados, que em romaria seguiam para a  cidade.

Oferecer vantagens já não as criava e nem o diferenciava.

O relógio do tempo não para e suas provisões iam diminuindo.

Cesar, sempre ocupado, atendia poucos visitantes que não fossem senhores representantes de estados. Como Imperador, suas atribuições políticas absorviam seu tempo, além de alguns prazeres dos quais não abria mão.

Ao chegar sua vez de obter a senha explicou o motivo da visita e mostrou a rica capa lhe trazia ao Grande Homem.

Para sua surpresa foi informado que Cesar, descontente com as capas que usava, resolvera há algum tempo fazer um concurso entre os artesãos. Aquele que vencesse viveria o resto da vida em uma bela moradia e seria o seu fornecedor oficial.

A notícia se espalhara entre estes, que em segredo as fabricavam, e durante um ano filas enormes se formaram para agradá-lo.

Já satisfeito com o resultado, Cesar havia declarado que não mais receberia visitantes com esse tipo de oferenda.

Orgulhoso e não se dando por vencido o fiel mascate todos os dias fazia sua tentativa. Com o tempo esgotara todos os seus recursos e perambulava pelas ruas murmurando palavras ininteligíveis.

O comerciante não se conteve com a falta de notícias e um dia partiu para Roma.

Lá chegando fora informado que o amigo insistia em ficar na fila, ainda que retirado pelos guardas do palácio.

Ao encontrá-lo  aproximou-se. Este bastante envergonhado disse: – Lamento meu senhor, falhei.

O comerciante abraçou o amigo e respondeu: – Não, não falhaste. Sua jornada ainda não terminou. Ao chegar à cidade soube que o Imperador está em busca de um leão branco para sua coleção. Acabo de trazer um, para nossa sorte os seus guardas o viram e informaram Cesar. Seremos recebidos amanhã. Somos homens experientes, mas esta tua jornada nos deixou uma grande lição “Todos os caminhos nos trazem a Roma, mas nem todos nos levam à Cesar”.

Ivan Postigo é Diretor de Gestão Empresarial da Postigo Consultoria Comunicação e Gestão, Articulista, Escritor e Palestrante.

www.postigoconsultoria.com.br

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