CRISE NA GESTÃO OU CRISE NA PERCEPÇÃO

Por Plínio José Figueiredo Ferreira
Diante dos grandes e complexos desafios que o mundo globalizado exige da gestão empresarial, é de fundamental importância que sejam encontrados e praticados novos princípios de raciocínio que mostrem caminhos inovadores e soluções alternativas eficazes para os problemas presentes e futuros.
Segundo Albert Einstein, “os problemas que existem no mundo não podem ser resolvidos a partir dos modos de raciocínio que deram origem aos mesmos”.
Assim, uma nova postura deverá ser adotada na gestão empresarial, na tomada de decisões estratégicas, na administração de conflitos e maneira de enxergar o mundo real.
O sexto grande princípio da Filosofia Hermética (Hermes Trimegisto) fala sobre Causa e Efeito. Nada acontece por acaso. Nada é consequência de um acontecimento fortuito. Quando falamos em “mero acaso” na verdade desconhecemos ou não podemos compreender ou ainda queremos ignorar a causa daquele acontecimento. Sempre há uma causa e um porquê para todos os acontecimentos. Nada acontece sem uma causa, ou uma cadeia de causas.
Nenhum evento cria outro evento, mas é simplesmente um elo precedente na grande cadeia ordenada de eventos procedentes da energia criativa do Todo.
A crise na gestão se dá porque há um grande equívoco na abordagem dos problemas. Presume-se que todos os acontecimentos são fortuitos. Procura-se resolver a consequência; a causa permanece fazendo parte de uma cadeia ordenada de eventos que trará mais problemas, e que continuam a ser resolvidos isoladamente. A grande questão é como a realidade é percebida.
Fritjof Capra em seu livro, A Teia da Vida – “The Web of Life”, diz que existe uma crise de percepção. “Ela deriva do fato de que a maioria de nós, e em especial nossas grandes instituições sociais, concordam com os conceitos de uma visão de mundo obsoleta, uma percepção da realidade inadequada para lidarmos com nosso mundo superpovoado e globalmente interligado. Há soluções para os principais problemas de nosso tempo, algumas delas até mesmo simples. Mas requerem uma mudança radical em nossas percepções”. Isto também se chama de mudança de paradigmas. Estas mudanças só ocorrem sob a forma de rupturas descontínuas, através da evolução ou de uma revolução (strictu senso). “A mudança de paradigmas requer uma expansão não apenas de nossas percepções e maneiras de pensar, mas também de nossos valores”.
Ainda, Fritjof Capra, fala na obtenção de um “paradigma social” definido como “uma constelação de concepções, de valores, de percepções e de práticas compartilhadas por uma comunidade, que dá forma a uma visão particular da realidade, a qual constitui a base da maneira como a comunidade se organiza”.
Podemos, diante das ponderações aqui transcritas, dizer que a crise na gestão das empresas públicas e privadas é consequência dos modelos mentais dos gestores que não foram “treinados” para adequar aqueles modelos de forma a enxergarem as conexões entre as organizações e o ambiente externo, e construir um referencial para fazer uma avaliação da realidade como um todo.
À medida que os paradigmas forem “expandidos”, a realidade será mais bem entendida. Por via de consequência, a lei da causalidade também será entendida e os problemas serão resolvidos com outras formas de raciocínio, diferentes daquelas que deram origem aos mesmos. E entendendo de forma holística o ambiente interno das organizações como inserido em um macro ambiente, a crise na gestão tenderá a ser facilmente resolvida.
Assim espero!
Plínio José Figueiredo Ferreira é Administrador pela UFBA e Pós-Graduado pela FGV-EAESP.  Palestrante. Professor em Cursos de Educação Continuada e Extensão Universitária.
Fonte:
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