O que é arrogância?

Akio Morita e a Sony

Por Jerônimo Mendes

Esta coluna é publicada aos sábados.

Há poucos dias recebi e-mail de um leitor, em meio a muitos outros que recebo toda semana. Depois de ler alguns dos meus artigos, ele sentiu-se habilitado para definir a minha postura ou personalidade como arrogante e moralista.

Pensei muito, antes de responder, se aquelas palavras valiam a réplica ou mesmo uma tréplica. Contudo, em respeito ao leitor que, afinal, investiu o seu precioso tempo para escrever aquela longa mensagem sobre o meu trabalho, teci algumas considerações a respeito.

Isso não foi suficiente para convencê-lo nem era esse o meu propósito, afinal, como ele mesmo disse no e-mail, cada um tem a sua própria filosofia de vida e não existe o certo nem o errado.

Concordo parcialmente, afinal, se não existisse o certo nem o errado, mediante um código de conduta universalmente reconhecido, o mundo seria pura sacanagem em forma de violência, cinismo e o mais absoluto desrespeito. Estaríamos ainda na Idade Média brigando por um pouco de dignidade.

Em meio aos adjetivos nada simpáticos que recebi, eu procurei manter a minha postura amigável e receptiva. O contraditório de tudo isso é que eu fui condenado, sem direito a defesa, por um conjunto de palavras e não de atitudes.

Apesar de não concordar com o leitor, isso faz a gente pensar. Onde estaria essa tal arrogância? Como se pode dizer que uma pessoa é arrogante ou não com base num único contexto? O fato de você não concordar com o que eu digo ou penso lhe dá o direito de me chamar de arrogante ou moralista?

Ao fim do duelo, ainda fiquei na dúvida. De que lado estaria a arrogância? De quem escreveu ou de quem replicou? Expressar sentimentos e defender suas convicções soa arrogância? Moralismo é uma forma de arrogância?

Segundo o Aurélio, arrogância é o orgulho que se manifesta por atitudes altivas e desdenhosas; diz respeito também à soberba, insolência e atrevimento. Portanto, arrogante é aquele que tem ou revela arrogância.

Não me lembro de ter escrito algo parecido com isso, porém, mantenho profundo respeito pelo ponto de vista alheio ainda que não concorde com ele. Afinal, não preciso ser amigo de uma pessoa para conviver em harmonia com ela.

Na prática, somos todos arrogantes quando sustentamos nossas convicções e somos incapazes de respeitar o ponto de vista de alheio; quando nos sentimos no direito de julgar ou preconceber com base em valores unilaterais; quando desprezamos a biologia, a linguagem, a cultura e a história pessoal diferente da nossa.

Expressar um ponto de vista pessoal, mesmo equivocado, é um direito de qualquer cidadão. Discordar do ponto de vista alheio também é, porém, tentar combatê-lo sem propósito específico nem fundamento, é o princípio da arrogância.

Pense nisso e seja feliz!

Jerônimo Mendes é Administrador, Coach, Professor Universitário e Palestrante, Graduado em Administração de Empresas e Especialista em empreendedorismo.

www.jeronimomendes.com.br

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: