Sérgio, o carneiro, e sua lã

Por Kelly Gallinari

Esta Coluna é publicada as Segundas Feiras.

“Chegou o verão e Sérgio já demonstrava sinais de irritação. É nesta época que os criadores tiram a lã das ovelhas e Sérgio, o carneiro, um dos bichos mais velhos da fazenda, já não aguentava mais passar por isso. Anos após anos, Sérgio ficava peladão sem entender o motivo. Apesar da lã nascer novamente no decorrer do próximo ano, Sérgio achava tudo aquilo uma sacanagem das grandes, já que imaginava que seu dono fazia aquilo por diversão.

Sérgio, nu, não tinha condições emocionais de reivindicar nada.

Mas naquele verão, Sérgio decidiu mudar sua vida. Não queria mais passar por tudo aquilo. Daria algum jeito para que não tirarem suas vestes. E assim, ele fez.

No dia do corte da lã, Sérgio de um jeito de sair da fila e se misturar aos bolos de lã que já haviam sido cortadas das ovelhas. Ali ficou, escondidinho até o anoitecer. Se saísse dali, os criadores viriam que ele era o único com lã e, na certa, fariam ele passar pelo corte. Assim sendo, Sérgio preferiu dormir ali mesmo até que pensasse em como fugir da fazenda.

O que não esperava é que o dono da fazenda levaria as lãs para serem vendidas ainda naquela noite e, juntos com as lãs  ortadas, Sérgio foi para o caminhão que seguiria para a cidade.

Ao chegar na confecção que compraria as lãs, o caminhão passou por uma vitrine com roupas e acessórios lindíssimos. Na loja, tinha gente muito elegante vestindo roupas lindíssimas. Sérgio ficou tão encantado com o que viu que esqueceu de se camuflar no meio das lãs e logo foi descoberto pelo dono da fazenda.

Como o dono da fazenda já havia feito a venda das lãs, não fez o corte de Sérgio, que ficou felicíssimo naquele momento. A lã era dele, só dele.

Os meses foram passando e a lã da galera foi crescendo. As lãs novas eram lindas, vistosas e sadias. Sérgio notou que sua lã estava velha, feia e fedida. Já era tanta lã, que era fácil encontrar resquício de fezes e bichinhos. No outro dia, Sergio foi se coçar e saiu um ‘furão’ correndo, que tinha feito moradia por ali.

Sérgio lamentou-se com sua amiga Catarina, que disse ter satisfação em saber que produzia lã para que muitas pessoas pudessem ficar ainda mais bonitas. Catarina tinha prazer em doar-se para fazer o outro melhor. Sérgio lembrou-se da vitrine da loja da confecção. Era tudo feito com a lã das ovelhas. A amiga de Sérgio disse, ainda, que o corte fazia com que sua lã crescesse ainda mais bonita no próximo ano.

No próximo verão, Sérgio, que tinha lã para abastecer uma confecção inteira, viu toda sua veste ir para o lixo. Acumulou tanto que estragou. Não se renovou.

A ovelha Catarina era ela, sua lã e a vitrine. Que orgulho desta ovelha.

E Sérgio? Era só Sérgio e sua lã. Nada mais. Que triste.”

Já se depararm com lideres que não dividem seus conhecimentos, informações privilegiadas com medo de que seus liderados se destacassem mais do que eles? Na maioria das vezes, acabam sozinhos. E pais ausentes, que minimizam seu dever de repassar e assegurar boas condutas com o objetivo de formar bons cidadãos? Não são bons pais e formam filhos despreparados para a vida.

Meu povo, doar o que há melhor em você é o mesmo que abrir espaço para a própria renovação. Acumular lã velha faz criar bicho, faz apodrecer. Ao passo que compartilhar te faz renovar. Quando você repassa um conhecimento, um alimento, uma blusa, o que for, você fica sem. Fica pelado. E te cria a necessidade de repor. E esta reposição é a chave da renovação, do seu crescimento. E o ciclo está criado: neste ponto, você está pronto para a próxima doação.

É gostoso acompanhar o crescimento, a maturação de alguém e perceber que ele veste sua lã, ver que você contribui. É bom ver sua lã na vitrine.

E não confundam: não é você na vitrine, é a sua lã.

Abraços e até mais.

Kelly Gallinari é coach (profissional que aplica o coaching) formada pela ICI (Integrated Coaching Institute).

www.ecoach.com.br

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