Entre curvas e decotes

Akio Morita e a Sony

Por Jerônimo Mendes

Esta coluna é publicada aos sábados

Será que estamos perdendo definitivamente a compostura? Não sabemos mais o que é público e o que é privado? Onde foi parar aquela pitada de respeito, vergonha ou pudor antes de emitir um simples palavrão, escolher uma roupa para sair e tratar os mais velhos?

Somos parte de um grande Big Brother e já nos acostumamos a ele. Vidas inteiras são escancaradas nas redes sociais sem o menor pudor. O que você faz na cama, na mesa e no banheiro já não é mais segredo para ninguém. Por mais que se cuide, o cara da manutenção do micro dá um jeito de torná-lo público na rede.

Nesse Big Brother internacional em que se transformou a sociedade pós-moderna, a vida das celebridades é pouco para ocupar o tempo das massas. Já imaginou o que seria do mundo sem o Facebook, o Youtube, o Twitter e milhares de blogues para distrair o povo? As pessoas teriam que se ocupar melhor e isso contraria a natureza humana.

Ser celebridade agora é fazer parte do YouTube, cantando “para nossa alegria”, declamando poemas no vaso sanitário, rindo à toa, espancando moradores de rua ou fazendo algo do tipo “Michel Bieber” com o refrão mais louco do mundo: “baby, baby, nossa, assim você me mata”. Falem mal, mas falem de mim.

Das redes sociais para o elevador. Entro num deles sou agraciado com a presença de cinco ninfetas. Em menos de quinze segundos sou bombardeado com nove palavrões em cada frase de dez. Fico na dúvida quanto ao lugar e à idade das meninas. “Foda, merda e caralho” são elogios quando comparados ao vocabulário predominante no recinto. Fico na minha para não ser execrado. Coisa de doido.

Do elevador para o shopping apinhado de gente. Não se sabe mais quem é mãe e quem é filha. Vejo um casal de mãos dadas olhando inadvertidamente as vitrines. A mulher não cabe mais dentro de si com tantos olhares à sua volta. O vestido justo salta aos olhos. Parece que foi picada por um enxame de abelhas nas duas nádegas, visivelmente arrebitadas.

Do shopping para o casamento na igreja, com direito a limusine, coral e dois padres para dar conta do recado. As mulheres estão impecáveis. Difícil saber se estão num desfile, num passeio ou num teste para a novela das nove. É só um casamento, mas a competição – decotes, saias curtas e vestidos justos – desconcerta os padres.

Da igreja para a balada. Quem vai ficar com quem? São tantas as opções. À noite todos os gatos são pardos, não dá para ficar sozinha. Vestido longo já era. O ideal é curto mesmo. Calcinhas à mostra. Seios de furar os olhos da próxima vítima. Pernas bem torneadas sempre ajudam, mas não são suficientes para atrair a presa.

Eu quero mesmo é ser feliz, retruca uma delas, questionada pelo repórter da night curitibana. Ninguém paga minhas contas, diz a outra. Imagino que ninguém queira mesmo pagar a conta, afinal, não deve ser fácil ganhar apenas para se vestir, viver a vida em baladas, literalmente, e perambular de boteco em boteco, à procura da felicidade.

A nova realidade do mundo é essa, aceitável, do ponto de vista filosófico, porém, inaceitável, do ponto de vista da moral e dos bons costumes. O mundo não é mais o mesmo, isso é fato. Se este é o mundo que queremos deixar para os nossos filhos e netos, isso é outra história. A realidade é o que ela é e não o que você gostaria que fosse.

Minhas convicções são muito claras sobre o que é público e o que é privado na vida pessoal. Fora da casinha, diriam alguns. Esquisitices da meia idade, diriam outros. Não quero que mude suas convicções, mas torço para que pense a respeito.

Parei por aqui. Será que as pessoas precisam de tanta exposição para conquistar um lugar ao sol? Por vezes, quando o privado se confunde com o público, acaba, literalmente, na privada.

Pense nisso e seja feliz!

Jerônimo Mendes é Administrador, Coach, Professor Universitário e Palestrante, Graduado em Administração de Empresas e Especialista em empreendedorismo.

www.jeronimomendes.com.br

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