Rito de passagem

Akio Morita e a Sony

Por Jerônimo Mendes

Esta coluna é publicada aos sábados

Depois de muitos anos, tive a oportunidade de almoçar apenas com a minha mãe no Dia da Mães e pude emprestar-lhe os ouvidos para algumas lamentações típicas da sua geração. Embora discordasse de muita coisa, tentei exercitar aquela tradicional paciência que os filhos geralmente não tem, a mesma que me faltou na infância, mas isso é outra história.

Apesar de tudo, devo reconhecer que a vida não foi tão generosa com ela quanto foi comigo, por várias razões que somente a nossa própria história pessoal é capaz de revelar. Porém, ouvido de filho é assim mesmo, principalmente quando você tem consciência de tudo que sua mãe foi capaz de fazer para te ver bem.

Se a história da minha mãe e tantas outras histórias semelhantes fossem passadas de geração em geração por meio do DNA, seria provável que todo mundo estivesse bem, menos a gente. Esse seria o pensamento predominante, afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde.

Será que você mereceu tudo o que lhe aconteceu até hoje? Não estou falando de coisas boas, mas de coisas que, por alguma razão, você imagina ter acontecido apenas contigo, tais como: decepções amorosas, demissões inesperadas, doenças indesejadas e outros desestímulos na vida pessoal e profissional?

De maneira geral, todo ser humano na face da Terra poderia fazer um inventário de realizações positivas e negativas ao longo de uma vida, entretanto, a mente é uma conspiradora universal. Ela tem dificuldades enormes para encarar os fatos sob um aspecto positivo.

Talvez tudo isso seja fruto daqueles milhares de “nãos” que toda pessoa recebe nos primeiros anos de vida. Posso sair, mãe? Não! Posso brincar na chuva? Não! Posso ir pra balada? Não! Posso pegar o carro? Não! Já posso transar, pai? Claro que não!

Naturalmente, se o que você mais ouve nos primeiros anos é não, fica difícil livrar-se dos modelos mentais negativos que se apossam da sua mente sem fazer algo de concreto para eliminá-los. Por vezes, é bem mais fácil conviver com eles do que canalizar energia para mudar a situação.

A despeito de tudo que possa ter lhe acontecido na vida, o fato é que sofrimento não é transferível. Na prática, ninguém passa por você aquilo que está reservado somente para você. Nesse sentido, a natureza é razoavelmente justa e o fardo é equivalente à sua capacidade de carga, caso contrário, já teria ido embora.

Considerando que ninguém consegue mudar o passado e o passado faz parte da sua história, da qual você não se livra tão facilmente, imagine as privações e provações como um rito de passagem. O simples fato de ter sobrevivido a elas é mais do que suficiente para atestar a sua condição de superioridade.

A maioria das pessoas tem dificuldades para entender isso, porém, não podemos exigir muito delas. O rito de passagem é o mesmo para todos. O que muda são as reações e o que conta é a nossa capacidade de resiliência.

Ninguém sabe da nossa dor e da nossa renúncia, já dizia Paulo Coelho, portanto, as percepções recíprocas nos colocam em condição de igualdade com todos os demais seres humanos na face da Terra.

Não somos mais nem menos, nem melhores nem piores do que os outros; lutamos apenas sob diferentes condições e em terrenos diferentes.

Pense nisso e seja feliz!

Jerônimo Mendes é Administrador, Coach, Professor Universitário e Palestrante, Graduado em Administração de Empresas e Especialista em empreendedorismo.

www.jeronimomendes.com.br

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